Apesar do Egito ser um dos 30 maiores países do mundo, apenas 5% da sua área total é aproveitada pela população. Em contraste, quase 100% dos seus recursos hídricos são usados, devido a um ecossistema predominantemente estéril.

Essencial para a subsistência de cerca de 90 milhões de habitantes somente no Egito, o Nilo é não só o rio mais longo do planeta, mas também um dos mais vitais, sendo o ponto focal tanto de todo o planeamento urbano no país, como da maior concentração do mundo de templos, túmulos e palácios, construídos ao longo de um período de 4000 anos.

O Nilo entra no Egito pelo Sudão, a sul, e corre para norte até desaguar no mar Mediterrâneo. Ora, foi precisamente o Nilo que quisemos seguir nesta viagem, começando o nosso itinerário em Assuão, a cidade egípcia mais a sul, fazendo depois um cruzeiro entre Assuão e Luxor e continuando a acompanhá-lo pelas janelas de um comboio de Luxor até ao Cairo.

mapa do nosso roteiro no egito
Mapa do nosso roteiro no Egito

O nosso roteiro de viagem no Egito (11 dias)

Dia da Partida: Voos Lisboa – Roma – Cairo – Assuão

Onde dormimos: Nubian Lotus, na ilha Elefantina, à frente de Assuão (3 noites). Para quem não olha a preços, recomendamos o Mövenpick Resort Aswan ou o Sofitel Legend Old Cataract.

Uma vez que não há voos diretos desde Portugal, para chegarmos ao Egito, passámos praticamente todo o dia a voar. Partimos de Lisboa às 06:50 e chegámos a Assuão, no sul do Egito, por volta das 20:40. No total, apanhámos três voos e fizemos duas escalas: a primeira em Roma e a segunda no Cairo.

Companhias aéreas: Alitalia (voos Lisboa – Roma e Roma – Cairo) e Egypt Air (voo doméstico Cairo – Assuão).

Como desconhecíamos o que nos esperava em Assuão e para facilitarmos a nossa vida, uns dias antes da partida contactámos o Nubian Lotus, o hotel onde íamos ficar, para nos arranjarem um “transfer” desde o aeroporto. Fomos numa carrinha privada com motorista até aos cais de Assuão e depois num barquinho privado até ao alojamento na ilha Elefantina, sem qualquer problema. Cansados, pedimos que nos levassem o jantar ao quarto e fomos dormir.

Mais sobre este dia e dicas práticas aqui.

vista da cidade de assuão a partir do jardim feryal
Vista da cidade de Assuão a partir do jardim Feryal

Dia 1: Assuão

Onde dormimos: Nubian Lotus. Para quem não olha a preços, recomendamos o Mövenpick Resort Aswan ou o Sofitel Legend Old Cataract.

Assuão é a cidade mais a sul no Egito e foi daí que trouxemos as memórias mais bonitas do rio Nilo: recordações de águas azuis e calmas, pequenos barcos à vela, ilhas verdejantes, margens com palmeiras, penedos redondos de granito e, logo atrás, grandes dunas douradas.

De manhã, visitámos Elefantina, a ilha onde ficámos alojados. A ilha fica mesmo à frente da cidade de Assuão e percorre-se facilmente a pé. Depois de passearmos por duas aldeias núbias chamadas Siu e Kutti, entrámos no Animalia, um museu não oficial sobre a Núbia, uma região atualmente partilhada pelo Egito e pelo Sudão, cujo povo se diferencia pela tez mais escura e por uma cultura e dialeto próprios.

À tarde, visitámos o Museu da Núbia, em Assuão, onde se conserva uma importante parte da história, cultura e arte desta civilização; o Jardim Feryal, um bom local para observar quer os habitantes locais quer o rio Nilo coberto de tons dourados ao pôr-do-sol e o “souk”, as ruas do mercado tradicional de Assuão, frequentado maioritariamente pela população local que aí se abastece diariamente de bens essenciais.

Mais sobre este dia e dicas práticas aqui.

templo de abu simbel
Templo principal de Abu Simbel, construído por Ramsés II, dos mais conhecidos faraós da antiguidade egípcia

Dia 2: Abu Simbel e os Templos de Philae

Onde dormimos: Nubian Lotus. Para quem não olha a preços, recomendamos o Mövenpick Resort Aswan ou o Sofitel Legend Old Cataract.

Nas proximidades de Assuão ficam dois dos principais monumentos do Egito faraónico: Abu Simbel e os Templos de Philae (ambos Património Mundial da UNESCO).

Neste dia, acordámos de madrugada para, depois de uma viagem de três horas de carro pelo deserto, visitarmos os dois templos de Abu Simbel, edificados no séc. XIII a.C por Ramsés II, o faraó mais poderoso do Antigo Egito.

Regressámos a Assuão a tempo de almoçar e, à tarde, fomos ver os Templos de Philae, situados em Agilika, uma pequena ilha no lago Nasser, a cerca de 10 km da cidade. Entre os Templos de Philae, dedicámos especial atenção ao de Ísis, tentando decifrar nas suas paredes a história de amor entre Ísis e Osíris, duas das principais divindades egípcias.

Ao entardecer, regressámos a Assuão para jantar. Voltámos ao “souk”, o mercado de rua, e, à semelhança dos habitantes locais, passeámos calmamente ao longo de Cornish El Nil, a rua principal da cidade, junto ao Nilo.

Mais sobre esta viagem e dicas práticas aqui.

sofia à janela do dahabiya
Sofia à janela do “dahabiya”, o barco que nos levou de Assuão a Luxor

Dias 3, 4 e 5: Cruzeiro pelo Nilo

De Assuão fomos para Luxor de “dahabiya”, um barco com uma dezena de passageiros, que nos fez recuar ao séc. XIX quando estes grandes e luxuosos barcos à vela eram o único meio de transporte de quem visitava o Egito.

Mais sobre estes dias e dicas práticas aqui.

Dias 6 e 7: Luxor

Onde dormimos: Aracan Estabe Luxor Hotel, perto do Museu de Luxor (2 noites). Para quem não olha a preços, recomendamos o Sofitel Winter Palace Luxor.

Localizada a 675 km a sul do Cairo, Luxor foi a capital do Antigo Egito no seu apogeu, mais propriamente durante o Novo Império (séc. XVI – séc XI a.C.). Nesse período, em que viveram importantes faraós e houve um grande desenvolvimento cultural, essa capital chamava-se Tebas.

Declarada Património Mundial da UNESCO em 1979, a antiga Tebas situava-se em ambas as margens do rio Nilo. Na margem Este, ficava a principal parte da cidade. Na margem Oeste, a necrópole ou “a cidade dos mortos”, já que era aí que ficavam os túmulos reais e os templos mortuários.

Para visitarmos tudo calmamente, decidimos passar dois dias em Luxor: no primeiro dia, vimos os principais monumentos da margem Este e, no segundo, os da margem Oeste.

Eis o nosso itinerário em Luxor:

Dia 1 (Margem Este)

  • Visita ao Templo de Carnaque (entrada: EGP 150), considerado o local mais sagrado do Novo Império e para cuja construção contribuíram bastantes faraós. Na verdade, não se trata de um só templo, mas de um complexo de três templos principais (dedicados a Amon, o “deus sol”, à sua mulher Mut e ao seu filho Khonsu), entre vários outros santuários secundários, capelas, pilares e outros edifícios. Apesar de atualmente parecer bastante ruinoso, Carnaque ainda preserva muitas características que fazem dele um dos principais monumentos egípcios, tais como: a grandiosa sala hipostila, onde podemos observar 134 colunas com 23 metros cada uma e o Templo de Amon, a principal estrutura do complexo e o maior local de culto alguma vez construído;
  • Táxi até ao restaurante (preço pacientemente negociado com o condutor);
  • Almoço no restaurante Sofra, perto do Templo de Luxor, onde provámos alguns dos mais emblemáticos pratos egípcios num ambiente calmo, bonito e acolhedor;
  • Visita ao Templo de Luxor (entrada: EGP 140), construído por vários faraós entre os séculos XIV e XVIII a.C., altura em que foi edificada, no complexo, uma mesquita para comemorar Abu Al-Haggag, responsável por trazer o Islão para Luxor. A avenida de esfinges que ligava este templo ao de Carnaque estava a ser restaurada na altura em que visitámos Luxor e deverá estar pronta em breve;
  • Passeio pelo “souk”, o mercado de rua tradicional (não confundir com o suposto mercado de Luxor, para o qual vários locais tentam atrair os turistas e que mais não será do que um edifício com várias lojas de artesanato);
  • Jantar no hotel.

templo de luxor
Entrada do Templo de Luxor onde, em vez de um, existiam dois obeliscos. O outro foi oferecido ao povo francês e colocado no centro da Praça da Concórdia, em Paris.

Dia 2 (Margem Oeste)

  • Visita ao Vale dos Reis (entrada: EGP 200), onde estão sepultados muitos dos faraós do Novo Império;
  • Visita ao Templo de Hatshepsut ou Al-Deir Al-Bahari (entrada: EGP 100). Este templo destaca-se pelo seu estilo arquitetónico clássico e por ser o templo da “primeira mulher faraó” da história do Antigo Egipto. De todos os templos que visitámos em Luxor, este foi aquele de que menos gostei, talvez por ter sido grandemente reconstruído e por ter tantos visitantes;
  • Visita a Medinet Habu (entrada: EGP 80), o meu templo favorito em Luxor, não só porque foi aí que vi as pinturas e os relevos mais bem conservados ao longo de toda viagem, mas também porque os pude apreciar longe das multidões;
  • Visita aos Colossos de Memnon (acesso livre), duas estátuas de pedra com 18 metros de altura, os únicos vestígios do Templo de Amenhotep III, destruído por um terramoto pouco depois de ter sido construído;
  • Almoço no restaurante Al Sahaby Lane, um dos nossos preferidos de toda a viagem, não só pela comida tipicamente egípcia, mas também pela vista da esplanada no terraço;
  • Visita ao maravilhoso Museu de Luxor (entrada: EGP 140), tão útil para entendermos a história e os monumentos do Novo Império. Horário: 9:00-14:00 e 17:00-19:00.
  • Jantar no hotel.

Dicas:

  • Como nos deslocámos na margem Este de Luxor: quase sempre a pé e algumas vezes de táxi. Estes últimos são bastante baratos e poupar-lhe-ão a pressão dos condutores e o mau cheiro dos cavalos, ambos constantes quando se anda a pé;
  • Em Luxor, quer os taxistas quer os condutores de carroças quer os donos dos barcos privados são bastante persistentes. Por isso, há que responder educadamente, mas com firmeza, e negociar os preços de igual modo;
  • Como visitámos a margem Oeste de Luxor: caminhámos até ao centro da cidade e, perto do Templo de Luxor, apanhámos o ferry público para a margem Oeste. A travessia é rápida e frequente. Preço: EGP 5. Na margem oeste, negociámos o preço do táxi com um condutor que, durante uma manhã, nos levou a todos os monumentos que queríamos visitar (preço: EGP 250);
  • Vale dos Reis: o bilhete de entrada (EGP 200) permite visitar apenas 3 dos 63 túmulos existentes. Com vista a garantir a sua preservação, a abertura dos templos vai variando diariamente. Por exemplo, no dia em que visitámos o Vale dos Reis, apenas 8 túmulos estavam abertos. Além disso, é necessário comprar bilhetes extra para entrar em certos túmulos, como os de Tutankamon (entrada: EGP 250), Seti I (entrada: EGP 1000) e Ramsés V e VI (entrada: EGP 100). Para fotografar e filmar no interior dos túmulos, é preciso comprar mais um bilhete;
  • Vale das Rainhas: fomos até à entrada do local onde as mulheres dos faraós, príncipes e princesas foram sepultados, mas decidimos não visitar o vale, afugentados que fomos pelo preço para entrar naquele que dizem ser um dos túmulos mais bonitos do Egito: o túmulo de Nefertari, a esposa favorita de Ramses II (entrada: EGP 1200 – cerca de €55).

paragem de nível e sofia no comboio entre luxor e o cairo
À esquerda: passagem do comboio numa paragem de nível. À direita: Sofia no comboio entre Luxor e o Cairo.

Dia 8: Viagem de comboio entre Luxor e o Cairo

Onde dormimos: Galaxy Royal Suites Hotel, no Cairo (4 noites). Para quem não olha a preços, recomendamos o The Nile Ritz-Carlton.

Apesar de se poder ir de avião de Luxor até ao Cairo, demorando pouco mais de uma hora, nós decidimos ir de comboio, numa viagem de 10 horas e tal.

Partimos da estação de Luxor às 9:15. Queríamos ver o país a passar do outro lado da janela, sentirmo-nos mais próximos da população local e parar um pouco. O Egito é uma hipérbole de templos, faraós e deuses; um excesso de informação difícil de assimilar por quem o visita. Se não temos cuidado, damos por nós a correr para visitar o maior número possível de monumentos e a tentar compreender o máximo possível em poucos dias, para no fim esquecer quase tudo.

Parámos. Parámos o corpo, mas não os olhos que iam observando a carruagem de segunda classe onde estávamos e que não era tão má como tínhamos imaginado; os olhares curiosos sobre nós; o Egito lá fora; tantos soldados cá dentro; o senhor que limpava incansavelmente as casas de banho; a senhora endinheirada incomodada com o velhote que, sentado do outro lado do corredor, fungava para o chão; os vendedores que apareciam sempre que o comboio parava numa estação; as pessoas que espreitavam à procura de um lugar vago num comboio cada vez mais lotado à medida que nos aproximávamos do Cairo; a surpresa numa paragem de nível quando uns jovens em cima de uma carroça nos descobriram à janela, nós e eles a sorrirmos de contentamento. Foi uma viagem tranquila, e em nenhum momento nos sentimos inseguros, porém longa. Eram 19:40 quando chegámos ao Cairo.

Dicas:

  • Ao contrário do que costumam dizer aos estrangeiros, qualquer pessoa pode viajar entre Luxor e o Cairo tanto nos comboios diurnos como no comboio noturno (bastante mais caro). Talvez por desconhecimento, a maioria dos turistas faz a viagem de noite, enquanto grande parte da população local opta por viajar de dia;
  • É possível comprar os bilhetes no site do Egyptian National Railway. Porém, apenas 15 dias antes da viagem. Nós comprámos os nossos bilhetes online e não tivemos qualquer problema;
  • Os bilhetes da primeira classe esgotam rapidamente e os comboios andam frequentemente lotados. Por isso, não deixe a compra para os últimos dias.

Dias 9, 10 e 11: Cairo

Onde dormimos: Galaxy Royal Suites Hotel.

Depois de termos passado 10 horas sentados no comboio, chegámos à agitação que é o Cairo, uma das maiores cidades de África. Situada no nordeste do país, nas margens do Nilo, a cidade junta o antigo e o moderno, o oriente e ocidente.

Eis, muito resumidamente, o nosso itinerário no Cairo:

Dia 1

  • De manhã: Pirâmides de Gizé e Grande Esfinge (entrada: EGP 160), bem como entrada na pirâmide de Quéfren (EGP 100). Horário: 8:00-16:00;
  • Almoço no Pizza Hut (grande vista sobre a Esfinge e as Pirâmides do terraço);
  • À tarde: Bairro Cóptico, onde a Sagrada Família terá vivido quando fugiu para o Egito. Visitámos a Igreja dos Santos Sérgio e Baco, a Igreja Suspensa e o Museu Cóptico. O acesso às igrejas é livre, enquanto no Museu custa EGP 100;
  • Jantar no Barcelos, um restaurante que descobrimos perto do nosso hotel, com frango de piri-piri à portuguesa;
  • Passeio a pé pela zona do hotel.

Dia 2

  • De manhã: Museu Egípcio, onde estão guardadas as maiores preciosidades do Antigo Egípcio. O bilhete geral custa EGP 300 e já inclui a entrada na Sala das Múmias. Para tirar fotos no museu, é preciso pagar um bilhete adicional de EGP 50. Horário: 9:00-17:00, todos os dias. Às quintas-feiras e domingos, também é possível visitar das 17:30 às 21:00, mas os bilhetes são mais caros. O Museu fica na praça Tahrir (centro da Revolução Egípcia em 2011) mas, para 2020, está prevista a abertura do Grande Museu Egípcio, perto das Pirâmides de Gizé;
  • Almoço: Abo Tarek, um restaurante onde só servem “koshari”, um prato nacional, à base de grão de bico, lentilhas, arroz, massa e cebola frita;
  • De tarde: Cairo Medieval ou Islâmico, incluindo: subida ao minarete de Bab Zuweila, passeio por Sharia Al Muizz Li Din Allah, visita ao Complexo Sultan Al-Ghuri e à Mesquita de Al-Azhar, passeio pelo Bazar Khan Al Khalilli e descanso no café Fishawi;
  • Jantar nas proximidades da Mesquita de Al-Azhar. Comprámos dois “shawarma” (pão com carne assada num espeto vertical) no restaurante Gad, onde já tínhamos ido em Assuão. Mais uma vez, muito bom e barato.

Dia 3

  • De manhã: Pirâmides de Saqqara (entrada: EGP 150) para ver umas pirâmides ainda mais antigas do que as de Giza;
  • À tarde: Parque de Al-Azhar (entrada: EGP 15), um oásis de tranquilidade dentro da cidade;
  • Regresso ao Cairo Medieval ou Islâmico a pé;
  • Jantar no Gad.

as pirâmides de gizé e o cairo
As pirâmides de Gizé rodeadas pela cidade do Cairo

Como nos deslocámos no Cairo:

A pé quando as distâncias eram curtas e de Uber, inclusive para as Pirâmides de Gizé e de Saqqara. Além de ser muito barato, os carros que apanhámos eram bons e os condutores uns heróis no meio do trânsito caótico da cidade. Além disso, é tão bom não ter de negociar o preço!

Por incrível que possa parecer, uma das coisas de que mais gostei nesta viagem ao Egito foi de andar de Uber no Cairo e de ver, sem os olhares sobre mim, a vida na cidade, enquanto ouvia música egípcia eletrizante.

Dia do Regresso: Voos Cairo – Casablanca – Lisboa

No regresso a Lisboa, apanhámos dois voos da Royal Air Maroc, nomeadamente: Cairo – Casablanca e Casablanca – Lisboa. Partimos do Egito às 8:10 e chegámos a Portugal às 15:25.

Últimas dicas

Quando visitar o Egito

O período entre Novembro e Março é o ideal para visitar o Egito, uma vez que as temperaturas são mais amenas. O verão (Junho a Agosto) costuma ser extremamente quente enquanto o Natal e a Páscoa são normalmente as épocas mais procuradas e caras.

Se viajar em Fevereiro como nós, convém levar alguma roupa quente, já que poderá ter frio, sobretudo em Assuão e durante o cruzeiro no Nilo.

Preparativos para a nossa viagem ao Egito

Fomos para o Egito sozinhos e viajámos de forma independente, sem recurso a qualquer agência de viagens. Estes foram os passos que seguimos para preparar a nossa viagem:

  1. Pesquisar e escolher em que tipo de barco queríamos fazer o cruzeiro pelo Nilo e ver os dias de partida;
  2. Contactar a empresa de barcos para ver se tinham disponibilidade em determinado dia;
  3. Fazer a reserva online do barco e delinear o resto do roteiro em função disso;
  4. Reservar os voos Lisboa/Cairo/Lisboa;
  5. Reservar o voo doméstico entre o Cairo e Assuão;
  6. Reservar os alojamentos online;
  7. Reservar online os bilhetes de comboio entre Luxor e o Cairo (15 dias antes);
  8. Fazer um seguro de viagem.

Seguro de viagem

Depois dos atentados terroristas que aconteceram no Egito em 2016, o número de turistas no país diminuiu significativamente. Apesar da situação estar progressivamente a melhorar, ainda há muitas pessoas que têm receio de viajar para o destino e quem o faz normalmente vai através de uma agência de viagens.

Nós fomos de forma independente e, apesar de nunca nos termos sentido inseguros, deu-nos bastante conforto saber que tínhamos feito um seguro de viagem e que estávamos protegidos caso precisássemos.

Na altura, o seguro de viagem da IATI foi o mais barato que encontrámos no mercado, garantindo-nos assistência médica e outras coberturas essenciais durante a viagem. O site é intuitivo, escrito em português e o atendimento telefónico também é na nossa língua. Melhor ainda, não há franquias nem limite de idade.

Vistos

Os portugueses precisam de passaporte e visto para visitar o Egito. O visto tem um custo de 25 USD e pode ser obtido tanto no aeroporto (aquando da chegada ao país) como online, através do site oficial: www.visa2egypt.gov.eg. Atenção: há outros sites que também oferecem esse serviço, mas são burlas.

Tendo em conta a nossa experiência pessoal, não aconselhamos ninguém a efetuar o pedido do visto online. Após várias tentativas, o visto foi-nos recusado semana após semana devido a um suposto erro no preenchimento do nome próprio e do apelido. Pior: o pagamento não é reembolsável.

Já no aeroporto, o processo foi bastante célere e descomplicado.

Como nos deslocámos no Egito

Apesar de sermos apaixonados por viagens por estrada, decidimos não alugar um carro no Egito, não só por ser bastante mais dispendioso do que andar de transportes públicos, mas também porque durante a viagem (entre Assuão e Luxor) queríamos fazer um cruzeiro no Nilo.

Por esse motivo, deslocámo-nos de avião (voo doméstico entre o Cairo e Assuão), de cruzeiro (de Assuão para Luxor), de comboio (de Luxor para o Cairo), de Uber (no Cairo) e de táxi (nas restantes cidades).

Dinheiro

Nesta viagem, optámos por usar o cartão “Revolut”, o qual nos permitiu fazer não só pagamentos, mas também alguns levantamentos da moeda local, sem comissões.

Nem sempre foi fácil encontrar caixas multibanco que aceitassem o cartão, mas acabámos sempre por conseguir.

Sim-card

Para termos acesso à internet e podermos fazer chamadas locais sem pagar roaming, comprámos um cartão SIM no aeroporto do Cairo (10GB de tráfego por cerca de 13€). Na sala de chegadas, há balcões de todas as operadoras de telecomunicações.

O que acrescentaríamos ao nosso roteiro

Caso tivéssemos tido mais dias disponíveis, gostaríamos de ter feito “snorkeling” no Mar Vermelho e de ter visitado o Deserto Branco, situado a 45 km a norte do oásis de Farafra, no interior do Egito.

Viagem realizada de 15 a 27 de Fevereiro de 2019

Nota: todos os preços e horários indicados são de Fevereiro de 2019. No Egito, os preços são bastante voláteis, por isso são meramente indicativos.

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4 Comentários

  1. Apenas conheço o Cairo e é como dizem. Melhor usar o UBER (se tiverem um WIFI por perto que é muito dificil) porque a maior parte dos taxistas não ligam o taximetro se és estrangeiro e no fim pagamos o dobro, mais por esmola do que por nos sentirmos enganados. Mal se sai no aeroporto somos logo atacados (preparem um UBER antes de sair). Não liguem ao “you look like an egiptian” significa que estás a ser convidado a visitar a loja e dificilmente te safas, depois aprende-se, mas no início queremos conhecer as pessoas e bem compreendemos os seu desespero diário. É necessário aprender a “walk like an egiptian” para atravessar as ruas de trânsito caótico e ensurdecedor. Deixo um video da praça ramses, junto à estação de comboio só como ilustração: https://vimeo.com/350154782. No fundo, não é uma cidade para turistas, apesar das inúmeras atrações, tem todo o potencial, basta visitar o jardim botânico, o museu do caminho de ferro ou museu da força aérea (este é bom): muito pobre mas com potencial. É um povo em sobrevivência, por isso ajudam-se e ajudam. além de serem simpáticos para com os estrangeiros. Só os jovens arranham o inglês. Quanto aos comboios, os percursos principais são aceitáveis mas os secundários, uff! Não há cafés nem bares ao estilo europeu, são raros, alguns centros comerciais onde nos podemos proteger nas horas de maior calor. Quanto à vestimenta, vestir com eles se vestem, sem mostrar muito o pêlo e ser o mais discreto possível, isto para homens e mulheres: calças e camisola. Quanto à estadia, fiquem num bom hotel próximo do aeroporto, mais vale gastar um pouco mais do que estar sujeito à vida frenética da cidade.

  2. O vosso post é muito elucidativo. Tomara tê-lo lido antes de ir mas não o descobri a tempo. Boas ideias e boas dicas muito bem escritas. Excelente trabalho.

  3. Olá, de facto estão de parabéns pelo relato maravilhoso aqui descrito. Como estamos a pensar visitar o Egito no próximo mês, eu gostaria de saber quanto gastaram mais ou menos como viajantes independentes porque de certeza haverá uma diferença substancial para as agências. Boas viagens e tudo de bom.

    • António, cerca de 2000€ (para duas pessoas, tudo incluido) sem os voos, mas tudo depende do conforto que procura. De notar que o mais caro da nossa viagem foi o Cruzeiro.

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