Para mim, que gosto de mar, praias selvagens e tranquilidade, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é uma das zonas mais bonitas de Portugal.

Descobri esta área protegida quando dei aulas em Aljezur durante alguns meses. Como lecionava num horário pós-laboral, tinha os dias livres para explorar todas as praias nas proximidades e para ir um pouco mais longe aos fins de semana – eu e mais duas professoras recém-licenciadas, as três do norte do país. Esses meses, que ao início julguei que seriam insuportáveis por ter sido colocada numa terra tão longe de casa, onde não conhecia ninguém, tornaram-se afinal um dos períodos mais felizes da minha juventude.

Com base no que conheci nessa altura e no que descobri mais tarde com o Paulo, preparei um roteiro de carro pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, com paragens nos meus lugares, praias, trilhos, restaurantes e alojamentos preferidos.

Autocarro de hippies, peixe grelhado e pormenor de uma porta no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Onde fica o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina?

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é a maior extensão da costa portuguesa sujeita a proteção e estende-se ao longo de 110 km, desde São Torpes, no Alentejo, até ao Burgau, no Algarve.

Inclui, pois, duas zonas distintas, designadamente:

  • Sudoeste Alentejano: a faixa litoral de São Torpes a Odeceixe, no Alentejo;
  • Costa Vicentina: a faixa litoral entre Odeceixe e Burgau, no Algarve.

Mapa do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Clique no botão “play” para visualizar o mapa com os principais pontos de interesse no parque natural.

Roteiro para visitar o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (de carro)

  • Dia 1: Praia da Samoqueira > Porto Covo > Ilha do Pessegueiro > Vila Nova de Milfontes > Cabo Sardão
  • Dia 2: Trilho Dunas do Almograve > Zambujeira do Mar > Praias da Amália, Odeceixe, Amoreira e Monte Clérigo > Aljezur
  • Dia 3: Praia da Arrifana > Praia da Bordeira ou da Carrapateira > Pontal da Carrapateira > Praia do Amado > Aldeia da Bordeira > Aldeia da Pedralva
  • Dia 4: Cabo de São Vicente > Fortaleza de Sagres > Sagres
  • Dia 5: Praias entre Sagres e o Burgau

Dia 1: Praia da Samoqueira > Porto Covo > Ilha do Pessegueiro > Vila Nova de Milfontes > Cabo Sardão

Praia da Samoqueira

De Lisboa a Sines são 160 km, cerca de 2 horas de carro. Quando chegar a Sines, recomendamos que siga a estrada litoral até Porto Covo (M1109). Pelo caminho, deixe-se encantar pelo planalto costeiro com falésias escarpadas que escondem pequenas praias como a de Samoqueira, onde poderá parar para observar magníficos rochedos esculpidos pelo mar.

Dicas | Se tiver mais dias disponíveis, antes da Praia da Samoqueira poderá visitar:

Praia da Samouqueira, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Praia da Samouqueira
Rochas e algas na praia da Samouqueira
Rochas e algas na praia da Samouqueira

Porto Covo

Uma vez em Porto Covo, dê um passeio por esta pequena vila de casas brancas, recuperada pelo Marquês de Pombal depois do terramoto de 1755 e eternizada numa música de Rui Veloso.

Onde (gostámos de) comer | Restaurante Zé Inácio (especialidade: peixe grelhado).

Ilha do Pessegueiro

Ao largo de Porto Covo, avista-se a abandonada Ilha do Pessegueiro onde se encontram, não um pessegueiro, mas vestígios da ocupação romana e as ruínas de um forte construído no séc. XVII que defendia esta parte da costa.

Se quiser ver a ilha mais de perto, dirija-se à praia da Ilha do Pessegueiro, a cerca de 4,5 km de Porto Covo, devendo seguir as indicações “Ilha do Pessegueiro”.

Dica | De 15 de junho a 15 de setembro, há visitas guiadas à Ilha do Pessegueiro (dependendo do estado do mar) desde o portinho de Porto Covo. Preços e horários: 965 535 683.

Vila Nova de Milfontes

De Porto Covo, vamos para Vila Nova de Milfontes, uma referência obrigatória quando se fala do melhor da Costa Alentejana.

Ao contrário das praias próximas, escondidas entre falésias, as praias de Vila Nova de Milfontes, situam-se na foz do Rio Mira, caracterizando-se pela vasta extensão dos areais. Destaque para a Praia das Furnas, vencedora das 7 Maravilhas de Portugal, na categoria de Praias de Rios.

Dentro da vila, poderá ver a fortaleza, a Igreja Matriz e o monumento aos aviadores que recorda a primeira travessia aérea entre Portugal e Macau.

Dica | Se tiver mais dias disponíveis, antes de Vila Nova de Milfontes, poderá gostar de visitar a Praia do Malhão, outra belíssima praia do Sudoeste Alentejano.

Onde (gostámos de) comer | Tasca do Celso, um dos restaurantes mais afamados de Vila Nova de Milfontes e de toda a região. Não se esqueça de reservar com antecedência. Especialidades alentejanas, carnes e peixes grelhados;

Praia em Vila Nova de Milfontes, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Praia em Vila Nova de Milfontes
Poças na areia, vila nova de milfontes
Formações rochosas invulgares em Vila Nova de Milfontes

Cabo Sardão

Relativamente ao património edificado de Vila Nova de Milfontes, vale a pena ir de carro até ao Farol do Cabo Sardão, construído no início do séc. XX. Daí, as vistas sobre as arribas (onde algumas cegonhas nidificam, um caso único na Europa) são impressionantes.

Dica | É possível visitar gratuitamente o farol do Cabo Sardão às quartas-feiras. Horários em: https://www.amn.pt/DF/Paginas/visitas.aspx.

Se gostar das vistas, vá espreitar também a Praia do Cavaleiro, nas proximidades.

Onde (gostámos de) comer | Alentejo Annapurna, numa terra chamada Cavaleiro, perto do Cabo Sardão. É um restaurante que descobrimos por acaso na nossa última ida à Costa Alentejana e onde comemos da melhor comida nepalesa dos últimos tempos.

Cegonha branca nas arribas do cabo sardão, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Cegonhas brancas nas arribas no Cabo Sardão
Arribas no cabo sardão, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Arribas no Cabo Sardão

Onde (gostámos de) dormir

Zmar | Localizado a 18 km de Vila Nova de Milfontes e a 9 km da Zambujeira do Mar, o Zmar é um ecoturismo vencedor de vários prémios, excelente para famílias com crianças. É possível acampar na natureza ou ficar alojado em “eco-vilas”, isto é, pequenas casas construídas em madeira e materiais reciclados.

Perfeitamente integradas na paisagem, as “eco-vilas” acomodam entre duas a oito pessoas e dispõem de uma kitchenette e de uma pequena sala de estar.

Um dos grandes atrativos do Zmar é a envolvência, já que a propriedade fica no meio dos campos alentejanos mas, ao mesmo tempo, perto da praia. A área é enorme e o que não falta é espaço livre para as crianças correrem, saltarem, brincarem e se sujarem à vontade.

Outra das grandes mais valias do Zmar é a quantidade de atividades incluídas na estadia. Há, por exemplo, uma piscina exterior gigante; uma piscina interior com ondas; um ginásio; um campo de matraquilhos humanos e até uma Quinta Pedagógica – talvez o espaço preferido dos miúdos – onde moram burros, cabras, ovelhas, gansos e galinhas.

Está à procura de outros alojamentos para a sua viagem nas proximidades? Pesquise aqui.

Dica | Se tiver mais um dia disponível, na manhã seguinte poderá seguir para Odemira, aproveitando para visitar:

  • A própria vila de Odemira;
  • A praia fluvial do Pego das Pias;
  • A barragem e a praia fluvial da Albufeira de Santa Clara;
  • A aldeia de Santa Clara-a-Velha, uma das finalistas das 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias Ribeirinhas.

Dia 2: Trilho Dunas do Almograve > Zambujeira do Mar > Praias da Amália, Odeceixe, Amoreira e Monte Clérigo > Aljezur

Inserida no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, há uma grande rota pedestre chamada Rota Vicentina. Esta rota é constituída por dois percursos principais:

  • O Caminho Histórico (230 km), pelo interior rural
  • O Trilho dos Pescadores (125 km), que segue sempre junto ao mar

Ambos os trilhos estão organizados em várias etapas, mas são muito longas. Cada uma tem aproximadamente 20 km e é pensada para um dia. Quem não tiver tempo ou condição física para isso, poderá optar por percursos circulares que, além de serem mais curtos, podem ser efetuados durante uma manhã ou uma tarde. Ora, foi precisamente um desses percursos circulares que incluímos neste roteiro, por termos gostado tanto de o fazer.

A caminhada chama-se Dunas do Almograve e constitui uma boa amostra do Trilho dos Pescadores para quem não quer caminhar muito.

Trilho “Dunas do Almograve”

  • Tipo de percurso | Circular
  • Início/fim | Almograve
  • Grau de dificuldade | Algo difícil (quando se tem de caminhar sobre a areia)
  • Extensão | 8 Km
  • Duração aproximada | 2h30
  • Época aconselhada | Setembro a Junho
  • Mais informação | rotavicentina.com/trilhos/dunas-do-almograve/
Sofia a caminhar pelas dunas do almograve, no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Pelas Dunas do Almograve

A primeira parte do trilho atravessa campos agrícolas e, na nossa opinião, não é particularmente interessante. Já a segunda parte é inteiramente costeira, desenrolando-se desde o extenso areal da Praia do Brejo Largo até à vasta Praia de Almograve.

Pelo caminho, tivemos a companhia do oceano. Nas dunas, a vegetação era exuberante e abundavam flores selvagens: alecrim, rosmaninho, camarinheira, murta, aroeira, perpétua-das-areias. Passámos por falésias rochosas e escarpadas. Descobrimos praias desertas. Descalçámos as botas para atravessar uma ribeira na Praia da Foz dos Ouriços. Enfim, que privilégio poder percorrer uma das zonas costeiras mais bonitas e bem preservadas da Europa!

Algumas recomendações para fazer o trilho:

  • Começar o percurso no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio;
  • Usar calçado fechado e roupa confortável;
  • Levar água e alguns alimentos energéticos, já que o único abastecimento é na aldeia do Almograve;
  • Não deixar mais do que pegadas para manter a natureza preservada.

Onde (gostámos de) comer:

  • O Lavrador | Fica em Almograve, junto ao início/fim do percurso pedestre “Dunas do Almograve”. Especialidades: peixe fresco grelhado;
  • O Josué | Fica na Longueira, a 2 km de Almograve. Especialidade: sargo grelhado. Já comemos lá arroz de marisco e não gostámos.

Zambujeira do Mar

No final da caminhada, almoçámos em Almograve e depois fizemo-nos novamente à estrada até à Zambujeira do Mar, uma antiga povoação de pescadores cuja praia venceu as 7 Maravilhas de Portugal, na categoria de Praias Urbanas.

Onde (gostámos de) comer | O Sacas, junto ao Porto das Barcas, nas imediações da Zambujeira do Mar. Especialidade: feijoada de búzios, filetes de peixe aranha e peixes grelhados;

zambujeira do mar, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Zambujeira do Mar

Praias da Amália, Odeceixe, Amoreira e Monte Clérigo

No resto da tarde, poderá visitar outras praias belíssimas e que adoro: Amália, Odeceixe, Amoreira e Monte Clérigo, as três últimas já na Costa Vicentina.

Todas têm bons acessos de carro, com exceção da Praia da Amália, aonde só se chega a pé através de um trilho de vegetação intensa. O acesso está bem sinalizado e faz-se junto à casa da famosa fadista, que aí costumava passar o verão.

Onde (gostámos de) comer | Restaurante Azenha do Mar, na localidade com o mesmo nome, entre as praias da Amália e de Odeceixe. É um dos restaurantes mais concorridos da região e não aceitam reservas. Por isso, o ideal é ir durante a semana e chegar cedo ou fora dos horários convencionais. Especialidades: peixe e marisco. Recomendamos: a santola;

Santola no restaurante Azenha do Mar
Santola no restaurante Azenha do Mar
Pinturas de Amália nas paredes de três casas no Brejão
Homenagem a Amália na localidade do Brejão, a caminho da praia da Amália

Aljezur

Terminamos o dia em Aljezur, uma pequena vila com casas de arquitetura rural algarvia. Poderá subir a pé a colina e, lá no alto, visitar as muralhas do castelo, onde se travaram lutas entre mouros e cristãos.

Onde (gostámos de) comer | Trigo Vermelho, uma boa opção se quiser desenjoar do peixe. É um restaurante de uns alemães, situado a uns 7 km de Aljezur, cujas especialidades incluem pizzas de trigo sarraceno e muitas opções vegan. Recomendamos: o bolo de requeijão.

Dica | Se tiver tempo, também poderá gostar de visitar as seguintes praias perto de Aljezur:

  • Praia de Vale dos Homens
  • Praia da Carriagem ou Carreagem
  • Praia de Vale Figueiras

Onde dormir

Trilho até à praia da amália, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Trilho até à Praia da Amália
Praia da amália, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Praia da Amália
Praia de odeceixe, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Praia de Odeceixe

Dia 3: Praia da Arrifana > Praia da Bordeira ou da Carrapateira > Pontal da Carrapateira > Praia do Amado > Aldeia da Bordeira > Aldeia da Pedralva

Praias da Arrifana, Bordeira/ Carrapateira e Amado

Seguimos viagem pelo paraíso dos surfistas, dos “hippies”, dos amantes da natureza, dos pensadores, dos caminhantes, dos pescadores, dos perceveiros.

É impossível não ficar maravilhado com a boa energia e com o cenário natural destas três praias do concelho de Aljezur:

  • Praia da Arrifana | Uma baía rodeada por altas arribas;
  • Praia da Bordeira ou da Carrapateira | Um extenso areal cheio de dunas e a invulgar foz de uma ribeira;
  • Praia do Amado | Considerada uma das melhores praias portuguesas para o surf, tem um bocadinho das anteriores, apresentando quer escarpas avermelhadas quer um vasto areal.
Praia da bordeira ou da carrapateira, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Praia da Bordeira ou da Carrapateira

Pontal da Carrapateira

Entre a praia da Bordeira e a praia do Amado há um percurso belíssimo, quase sempre junto à costa, que pode ser feito de carro, de bicicleta ou a pé.

De carro, visita-se tudo rapidamente, talvez demasiado rápido para sentir mais do que o vento que aí sopra frequentemente. A pé e de bicicleta, esquece-se o vento e presta-se mais atenção ao que se vê e ao que se sente por dentro. E o que se vê são vários miradouros com vistas soberbas sobre as falésias; as praias da Bordeira e do Amado; além de breves explicações sobre os vários pontos de interesse, disponibilizadas pelo Museu do Mar e da Terra.

Percurso pedestre “Circuito Pontal da Carrapateira”:

  • Tipo de trilho | Circular
  • Início/fim | Largo da aldeia da Carrapateira (está bem assinalado)
  • Grau de dificuldade | Fácil
  • Extensão | 10 Km
  • Duração aproximada | 3h30
  • Época aconselhada | Setembro a Junho
  • Mais informação | rotavicentina.com/trilhos/pontal-da-carrapateira/
Flores no pontal da carrapateira, Costa Vicentina
Flores no pontal da Carrapateira
Costa Vicentina
Costa Vicentina

Se gostar de caminhar ou de andar de bicicleta, e tiver mais dias disponíveis, poderá ainda fazer o trilho “Endiabrada e os Lagos Escondidos”.

Trilho “Endiabrada e os Lagos Escondidos”

Sem a espetacularidade do mar, este percurso pedestre parte da bonita aldeia da Bordeira e permite conhecer o interior desta região, nomeadamente os bosques mediterrânicos do sopé da Serra de Espinhaço de Cão. Solos pobres de xistos, sobreiros retorcidos, arbustos, plantas aromáticas, tojos, medronheiros, urzes, rosmaninho, esteva. Fizemos este trilho na primavera e estava tudo tão bonito e perfumado!

Sofia no trilho endiabrada e os lagos escondidos, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Sofia no trilho Endiabrada e os Lagos Escondidos
Sofia no trilho endiabrada e os lagos escondidos, quase a chegar à aldeia da bordeira
Pelo trilho Endiabrada e os Lagos Escondidos, quase a chegar à aldeia da Bordeira

Aldeia da Bordeira

Também vale a pena conhecer a Bordeira, percorrer as suas ruas estreitas, atentar nas casas brancas contornadas a azul e amarelo, parar no café da aldeia e visitar a adorável igreja de Nossa Senhora da Encarnação.

Igreja da bordeira
Igreja de Nossa Senhora da Encarnação na Bordeira

Aldeia da Pedralva

Ao final da tarde, recomendamos que visite a Aldeia da Pedralva e, se possível, que fique aí a dormir pelo menos uma noite.

Situada no concelho de Vila do Bispo, esta aldeia estava em avançado estado de ruína e desertificação até há pouco tempo. Foi, porém, fielmente recuperada e convertida em turismo de aldeia. Aberta oficialmente ao público em 2010, dispõe de 24 casas de campo, além de várias áreas comuns, como a sala de estar, a piscina, o restaurante Sítio da Pedralva, o Café Central e a zona do forno da aldeia.

As casas têm várias tipologias, desde T1 a T3, podendo acomodar entre duas a oito pessoas. Têm todas uma kitchenette equipada e uma área de estar com sofás e mesas.

Aldeia da pedralva
Aldeia da Pedralva

Nós gostámos muito de ficar na Aldeia da Pedralva, em especial por causa da sua simplicidade e autenticidade. A arquitetura tradicional do Algarve e a ambiência rural de outros tempos foram respeitadas, tendo-se utilizado quer materiais de construção fiéis aos de antigamente quer mobiliário restaurado, sem esquecer o conforto exigido nos dias de hoje.

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Onde comer

  • Pizza Pizza, a famosa pizzaria da aldeia da Pedralva;
  • Também é possível jantar, mediante reserva, no Sítio da Pedralva, o restaurante do próprio Turismo de Aldeia da Pedralva.
Café central na aldeia da pedralva
Café Central, Aldeia da Pedralva

Dia 4: Cabo de São Vicente > Fortaleza de Sagres > Sagres

Cabo de São Vicente

Como já visitámos muitas praias nos dias anteriores, de manhã vamos diretamente para o Cabo de São Vicente, que deu o nome à costa vicentina. Considerado um local sagrado desde o séc. IV a.C., onde sucessivos povos prestavam culto a divindades relacionadas com o sol, o Cabo de São Vicente tornou-se um local de peregrinação para os cristãos, após a trasladação do corpo de S. Vicente.

Dicas:

  • No Cabo de São Vicente é possível visitar gratuitamente um dos faróis mais potentes da Europa (às quartas-feiras, nestes horários), assim como a fortaleza que servia de recolhimento ao Infante D. Henrique.
  • Se tiver mais dias disponíveis, em vez de ir direto para o Cabo de São Vicente, poderá explorar outras praias da Costa Oeste do Algarve, como as Praias da Barriga, Cordoama, Castelejo, Ponta Ruiva e Telheiro.
Cabo de São Vicente, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Créditos: Kokhanchikov

Fortaleza de Sagres

A seguir, rumamos à Fortaleza de Sagres, outro lugar de forte carga mítica para os portugueses, igualmente situado num elevado promontório que se precipita dramaticamente no mar.

Foi daí que, no séc. XV, o Infante D. Henrique planeou e deu início aos Descobrimentos, fundando a Vila do Infante e a fortaleza que a protegia. Sob o seu comando, a zona transformou-se num centro de atividade marítima, onde se reuniam cartógrafos, astrónomos e navegadores, e onde se apuravam as técnicas que levariam Portugal a descobrir novos mundos por mar.

Horários e preços: promontoriodesagres.pt.

Fortaleza de Sagres, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Créditos: Joana Belo

Sagres

Sagres é uma antiga vila piscatória com uma bonita baía e um porto. Nas proximidades, existem várias praias como a do Beliche, Tonel, Mareta, Baleeira, Martinhal e Rebolinhos, muito apreciadas pelos praticantes de mergulho, surf e windsurf.

Onde (gostámos de comer) | Restaurante Ribeira do Poço, perto do mercado municipal de Vila do Bispo. Especialidades: peixe fresco e mariscos apanhados localmente, como mexilhões, lapas e percebes.

Praia em Sagres
Créditos: joyt

Dia 5: Praias entre Sagres e o Burgau

Continuando a viajar para leste, ao longo da costa sul do Algarve, encontraremos outras praias como Barranco, Ingrina, Zavial, Salema e Burgau. As de mais difícil acesso são as que por vezes nos lembram o Algarve de antigamente, com areais praticamente desertos.

Dica para quem gosta de caminhar | Recentemente foi inaugurado um novo trilho entre Sagres e Lagos (47km) inserido no Trilho dos Pescadores, que permite admirar penhascos, arribas e as praias que acabámos de referir.

Onde (gostámos de comer) | Restaurante Zavial, com uma esplanada onde apetece estar junto à praia do Zavial. A ementa é variada e inclui alguns pratos regionais, peixes grelhados, saladas, tapas, sandes e hambúrgueres.

Onde dormir

Lapas numa praia da Costa Vicentina
Lapas numa praia da Costa Vicentina
Gato à janela de uma casa algarvia
Gato à janela de uma casa algarvia

Conclusão

Este roteiro leva-o por alguns dos lugares mais conhecidos do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. É, pois, ideal para quem visita esta área protegida pela primeira vez. Se quiser conhecer sítios, atividades, restaurantes e alojamentos que a maioria das pessoas desconhece no Sudoeste Alentejano, veja o artigo “Sudoeste Alentejano Fora da Caixa“.

Como é habitual nos nossos roteiros, o número de dias sugerido é meramente indicativo. Caso queira abdicar de alguns dos locais mencionados ou relaxar mais tempo nalgum deles, poderá fazer este itinerário em menos ou mais tempo.

Por último, o nosso roteiro pretende ser apenas uma ajuda, um ponto de partida para que viva as suas próprias aventuras. Fique mais tempo onde se sentir bem. Explore as praias mais desconhecidas e mergulhe no mar pelo caminho.

Mesmo que não visite todos os pontos que referimos, viva o presente devagar, mas intensamente, como (só) as viagens nos permitem. Ao fazê-lo, sentir-se-á certamente mais vivo e acumulará memórias inesquecíveis que darão sentido à sua vida. Afinal, não é disso que andamos todos à procura?

Sofia com uns gatinhos em azenha do mar, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Sofia com uns gatinhos em Azenha do Mar

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13 Comentários

  1. Olá,

    Boa reportagem! A Costa Vicentina é linda! Mas tem um pequeno erro, a homenagem à Amália é no Brejão e não na Longueira como refere na foto!
    bjs
    Marta

  2. Estamos a pensar ir numa campervan para fazer este roteiro. Tem alguma recomendação de locais a ficar como o que apresenta na foto do topo da pagina?

    • Diogo, tenha atenção que pernoitar fora dos lugares próprios é ilegal em Portugal e poderá ser multado. Não lhe sabemos dizer quais são os lugares permitidos.
      Boa viagem.

  3. Boas sabe dizer se no percurso da costa vicentina existe praias flovíais e lagoas onde se possa ir de carro, obrigado pela atenção.

    • Olá Nuno, no roteiro que sugerimos não existe nenhuma praia fluvial ainda que algumas praias, como a de Odeceixe, se situem junto à foz de rios.

      Se gosta de praias fluviais e lagoas, sugerimos que vá espreitar a Praia Fluvial Pego das Pias, em Odemira.

  4. Percorro todos os anos esses trilhos, e nunca me canso de os admirar e cada vez descubro sempre coisas novas.
    São maravilhosos. Belo trabalho. Continuem.

    • Caro João, muito obrigada pelo comentário com o qual nos identificamos. Os trilhos são, de facto, maravilhosos e mal podemos esperar para voltar! Quem sabe não nos nos cruzamos por lá 🙂

  5. Ola sofia. Muito interessante, esta semana que vem vou ate ao algarve, e vou pela costa alentejana para visitar esses lugares maravilhosos. Obrigada. Saude e sucesso. Bjs

  6. Boa tarde
    Tenho o sonho de fazer uma viagem pela costa vicentina e alentejana, durante um mês. Não possuo carro próprio pelo que terei de o fazer de transporte público e adorava ficar em campismo com bungalows, mas sinto-me um pouco perdida uma vez que não conheço rigorosamente nada. Pode ajudar-me por favor?

    Obrigada

    • Olá Susana, infelizmente não existem muitos transportes públicos no Sudoeste Alentejano e Costa vicentina… Já pensou percorrer a zona a pé ou de bicicleta? Ora dê uma espreitadela aqui: https://rotavicentina.com/ (o site também tem sugestões de transporte e alojamento). Boas viagens à solta!

  7. Boa explicação, gostei, quantos euros gastou aproximadamente em esse tempo.
    Obrigada, cumprimentos

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