Que erro – poder-nos-iam ter dito – foram às Montanhas Mágicas e não visitaram São Pedro do Sul, Castro Daire, Sever do Vouga e Vale de Cambra!

Na verdade, um fim-de-semana não dá para ver tudo e, da primeira vez que estivemos nas serras do Montemuro, da Arada e da Freita, só tivemos tempo para visitar três dos sete municípios abrangidos pelo território das Montanhas Mágicas, nomeadamente Arouca, Cinfães e Castelo de Paiva.

Tivemos, pois, de voltar num outro fim-de-semana, novamente a convite das pessoas da terra que nos quiseram mostrar o que de melhor se pode ver, fazer e comer nos seus municípios.

A não perder em São Pedro do Sul

1. Mariolas da Arada

No pedregoso e árido planalto da Arada, erguem-se da vegetação rasteira umas estruturas em pedra, algumas com mais de 5 metros de altura – a que também chamam bruxas – que continuam a servir de ponto de orientação para pastores e caminhantes.

2. Portal do Inferno e Garra

Ainda no planalto da Serra da Arada, este local de passagem estreita deve o seu nome às vistas vertiginosas sobre dois vales: de um lado, o de Covas do Monte; do outro, o de Drave.

3. Aldeia da Pena

Se antes subimos, agora descemos de carro até às profundezas da Serra de São Macário para ir a esta aldeia de pequenas casas de xisto e ardósia, uma das mais típicas de Portugal. São seis os seus habitantes: a família que gere a Adega Típica da Pena, o restaurante da aldeia, além de um casal de idosos que orgulhosamente nos mostrou: ele, a loja onde vende o mel e o artesanato que produzem; ela, a pequenina igreja que, com devoção, limpa e ilumina com luz puxada de sua casa.

4. Caminho do morto que matou o vivo

Hoje já existe um cemitério (pequeníssimo) na Aldeia da Pena. Antigamente, porém, quando morria alguém, era preciso ir a pé até ao da aldeia vizinha de Covas do Rio, com o caixão aos ombros, por um caminho íngreme e estreito, onde agora há um trilho que percorremos parcialmente. O nome do caminho deve-se a uma lenda, segundo a qual um dos homens que carregava o caixão escorregou e este, caindo sobre si, matou-o.

5. Ermida e capela de São Macário

No alto de São  Macário, enquanto avistávamos as serras das Montanhas Mágicas, do Caramulo e da Estrela, contaram-nos outra história insólita. Segundo consta, Macário era um homem que viajava muito em trabalho. Numa das suas ausências, os pais foram visitá-lo, mas não o encontraram. A sua esposa resolveu, então, oferecer-lhes a cama de casal, para que passassem aí a noite. Entretanto, Macário chegou e, pensando que a sua mulher estava deitada com outro homem, matou-os. Para se penitenciar, foi viver sozinho para o alto de uma montanha, alimentando-se de répteis e ervas, ganhando, dessa forma, a fama de Santo.

6. Termas de S. Pedro do Sul

Depois destas lendas desconcertantes e de tantas subidas e descidas pelas serras, nada melhor do que um tratamento de bem-estar e relaxamento nestas termas exploradas desde o tempo dos romanos e atualmente uma das mais importantes da Península Ibérica.

A não perder em Castro Daire

1. Aldeia de Campo Benfeito

É talvez a única aldeia em Portugal que vive, não da agricultura, mas da cultura. Além do Teatro Regional da Serra do Montemuro, Campo Benfeito alberga a cooperativa de artesanato das Capuchinhas, um grupo de mulheres que se juntou, há mais de 30 anos, para tecer e costurar peças artesanais de burel e de linho, evitando, assim, abandonar a sua terra.

2. Planalto do Balsemão

Da aldeia, caminhámos até esta paisagem relaxante composta por lameiros verdejantes, galerias ribeirinhas, carvalhais e uma das mais importantes áreas de turfeira em Portugal, onde existem flora e fauna únicas.

3. Centro de Interpretação e Informação do Montemuro e Paiva

Depois de um curto passeio pelo centro histórico de Castro Daire, entrámos neste espaço instalado no bonito Solar dos Mendonça para nos informarmos sobre as demais atrações naturais do Montemuro e Paiva, incluindo os nove percursos pedestres do concelho de Castro Daire.

No final, como da primeira vez, ficámos com vontade de voltar brevemente às Montanhas Mágicas. Porque, mais uma vez, não tivemos tempo para visitar tudo e ficaram por explorar os municípios de Vale de Cambra e Sever de Vouga. Em Vale de Cambra, gostaríamos de ter ido às aldeias de Trebilhadouro e da Felgueira. Em Sever do Vouga, de passear a pé ou de bicicleta na Ecopista do Vouga (10 km); de fazer stand-up paddle ou canoagem na Albufeira de Ribeiradio (através da Desafios – Desporto e Aventura) e de comer no Restaurante Quinta do Barco, de que nos falaram muito bem.

Em segundo lugar, porque ficámos com vontade de passar um fim-de-semana em Castro Daire, numa das casas da lindíssima Quinta da Rabaçosa, junto às margens do rio Paiva.

Por último, para fazer duas caminhadas num dia de primavera, nomeadamente o trilho que conduz à aldeia (abandonada) de Drave e o Trilho dos Carvalhos, no Planalto do Balsemão. Levar-vos-emos lá em breve.

Guia prático

Onde dormimos

  • Casa da Tulha, no lugar de Couto de Baixo, em Couto de Esteves (a cerca de 10km de Sever do Vouga). A casa, uma das muitas recuperadas na aldeia, dispõe de modernos apartamentos com 1 e 2 quartos, a menos de 2 km das margens do Rio Vouga.
  • INATEL Palace, em São Pedro do Sul. Situado diante do rio Vouga, muito perto das termas e num dos edifícios mais bonitos da localidade, oferece alojamento e refeições a bons preços, tanto a sócios como a não-sócios.

Onde comemos

  • Restaurante Cantinho da Eira, em Couto de Baixo. Destacamos a broa e o presunto caseiros, além da vitela, cabrito e arroz preparados no forno a lenha pela dona Alice e pelo Sr. José, que abrem as portas de sua casa mediante reserva.
  • Adega Típica da Pena. É o restaurante da aldeia da Pena, cujas especialidades são a feijoada e, assados em forno a lenha, o cabrito e a vitela.
  • Quinta da Rabaçosa, em Castro Daire. Foi o delírio gastronómico da viagem. À nossa espera, estava a Confraria do Bolo Podre e Gastronomia do Montemuro. Quiseram os seus elementos que, enquanto ouvíamos música tradicional do Montemuro, degustássemos tudo o que de melhor se come na região, como o bolo-que-de-podre-só-tem-o-nome, truta de escabeche, vitela à Montemuro, arroz de feijão com salpicão, migas de broa, pudim de bolo podre, baba serrana, cucas, capuchitas doces, entre tantas outras iguarias.

Este passeio foi realizado a convite da ADRIMAG, entidade promotora do território e da marca turística Montanhas Mágicas® , em parceria com a Entidade Regional de Turismo do Centro, nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2018. Este território abrange 7 municípios, mas a visita realizou-se apenas nos que estão localizados na Região Centro, nomeadamente: Sever do Vouga, São Pedro do Sul e Castro Daire.

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