Neste artigo, partilhamos o nosso roteiro para visitar a Puglia, a região que forma o “tacão da bota”, no sul de Itália.

A Puglia é um excelente destino para uma “road trip” de uma semana em Itália, incluindo cidades e vilas encantadoras, locais Património Mundial, paisagens rurais, praias e boa comida. Por se tratar de um destino ainda por descobrir, é uma zona menos visitada de Itália, oferecendo uma experiência diferente do resto do país, mais autêntica e menos massificada.

Apesar de ter sido uma semana muito bem passada, o roteiro que fizemos na Puglia não era o que teríamos feito hoje. Em primeiro lugar, porque, com exceção de Matera e Lecce, a maioria das povoações são bastante pequenas e os seus centros históricos visitam-se em poucas horas. É o caso de Alberobello, Locorotondo, Martina Franca, Ceglie Messapica, Polignano a Mare, Monopoli, Ostuni, Otranto, Gallipoli, etc.

Em segundo lugar, porque não teríamos visitado certos locais de que não gostámos especialmente, em particular:

  • Grotta della Poesia (em português: Gruta da Poesia), uma piscina natural que, apesar de ser considerada uma das mais belas do mundo, achámos muito mais bonita nas fotos (sobretudo de drone) do que ao vivo. Na nossa opinião, não vale a pena a viagem fora do verão.
  • Torre Sant’Andrea e Torre dell’Orso, umas pedras brancas no meio do mar, mais uma vez espetaculares nas fotos, mas uma deceção ao vivo;
  • Ceglie Messapica, a povoação que menos nos encantou no Vale d’Itria;
  • Taranto, uma cidade com potencial turístico, mas cujo centro histórico se encontra completamente abandonado e degradado.

Tendo isto em conta, vamos partilhar, em seguida, não exatamente o roteiro que fizemos na Puglia, mas o que teríamos feito hoje, para o ajudar a planear a sua própria viagem, de acordo com os seus interesses pessoais e tempo disponível. Por outras palavras, que este roteiro seja apenas um ponto de partida para a sua própria viagem à solta!

O que visitar na Puglia (resumo)

  • Dia 1: Voo para Nápoles e viagem para Matera
  • Dia 2: Matera
  • Dia 3: Gallipoli, Otranto, Lecce
  • Dia 4: Lecce
  • Dia 5: Ostuni, Martina Franca e Locorotondo
  • Dia 6: Alberobello, Monopoli, Polignano a Mare e Bari
  • Dia 7: Regresso a Nápoles

Roteiro para visitar a Puglia de carro

Como chegar à Puglia

Voos diretos:

  • Lisboa – Nápoles: TAP e Ryanair
  • Porto – Bari: Ryanair

Se viajar de Lisboa, o melhor é voar para Nápoles e daí ir para a Puglia. São cerca de 2h30 de carro.

Se partir do Porto, poderá voar diretamente para Bari, a capital da Puglia.

Dia 1: Voo para Nápoles e viagem para Matera

Nós partimos de Lisboa às 10:45 e chegámos ao aeroporto de Nápoles às 14:45 (cerca de 3 horas de voo). Para não perder tempo, almoçámos rapidamente num café do aeroporto.

Aluguer do carro: antes da viagem, reservamos um carro pela Europcar, um processo fácil e sem complicações. Uma vez no aeroporto de Nápoles, há um autocarro (shuttle) gratuito que leva os clientes com reserva de carro aos escritórios e parques de estacionamento das empresas de rent-a-car. Basta sair do edifício das chegadas, atravessar a rua em frente ao terminal e encontra-se logo a paragem de autocarro.

Já com o carro, viajámos até Matera. São aproximadamente 2h30 de viagem. Fizemos o check-in no alojamento, jantámos e à noite ainda demos um passeio a pé por esta incrível localidade que, embora não fique na Puglia, é imperdível se estiver nesta parte de Itália.

Onde dormimos

H-SA guest house, o melhor alojamento da viagem, devido à simpatia dos donos, Antonella e Marco; à decoração dos espaços; à facilidade de estacionamento (gratuito) e ao magnífico pequeno-almoço.

Matera

Dia 2: Matera

Depois do pequeno-almoço na H-SA guest house, repleto de produtos típicos (pão de Matera, enchidos, queijos, bruschetta com pomodoro, focaccia, entre outros), fomos explorar Matera a pé.

Património Mundial da UNESCO e Capital Europeia da Cultura 2019, Matera é uma cidade verdadeiramente única. O seu centro histórico, escavado nas rochas, divide-se em dois bairros situados em duas depressões naturais: o Sasso Caveoso e o Sasso Barisano.

Para conhecermos a história da cidade e percebermos a razão pela qual chegou a ser considerada “a vergonha de Itália”, começámos a nossa visita pela Casa Noha, uma casa-museu situada na parte superior do Sasso Caveoso, a poucos passos do Duomo (Catedral).

A seguir, passámos o dia a explorar Matera: primeiro, a parte alta e plana da cidade, onde se situam o Duomo, a cisterna Palombaro Lungo e vários miradouros e, mais tarde, a cidade antiga, ou seja, o Sasso Barisano e o Sasso Caveoso.

Matera

Durante o dia, ainda tivemos tempo de visitar o Miradouro Murgia Timone, de onde se tem uma das vistas mais abrangentes de Matera. Situado do outro lado do desfiladeiro, pode-se chegar ao local a pé (2h para cada lado) ou de carro e vale mesmo a pena, porque as vistas são incríveis.

Ao anoitecer, revisitámos os Sassi e os nossos miradouros preferidos, e não é que de noite Matera é ainda mais bonita?

Onde dormimos

H-SA guest house, o alojamento que mencionámos anteriormente.

Mais sobre Matera

Se quiser saber mais, recomendamos que veja o nosso artigo com o melhor de Matera, incluindo o que visitar, ver e fazer.

Dia 3: Gallipoli, Otranto, Lecce

De manhã, como estava um dia de sol, fomos despedir-nos de Matera, a partir do miradouro Tre Archi.

Depois partimos para Gallipoli, uma cidade banhada pelo mar Jónico, cujo centro histórico se concentra numa península circular, rodeada por muralhas do século XIV.

Uma das maravilhas das cidades e vilas da Puglia é a ausência de atrações turísticas específicas. O prazer de as conhecer consiste em perdermo-nos nas suas ruas por algumas horas, desacelerar, comer “gelatos”, sentarmo-nos a beber “aperitivi” e sentirmo-nos livres, sem necessidade de perseguir um itinerário com todos os locais e atividades.

Foi também isso que fizemos em Otranto, a nossa próxima paragem, após uma agoniante viagem onde observámos quilómetros e quilómetros de campos de oliveiras mortas devido à bactéria Xylella.

Depois de visitarmos a Catedral de Otranto, famosa devido ao maravilhoso chão de mosaicos ilustrando a “Árvore da Vida”, prosseguimos para Lecce. A cidade é uma obra-prima do Barroco pela abundância de criações exuberantes, feitas na pedra clara local durante os séculos XVII e XVIII, e é também uma das mais importantes da Puglia.

Passámos o final do dia a passear pelo monumental centro histórico, descobrindo igrejas e palácios com fachadas ricas em detalhes, e foi amor à primeira vista.

Onde dormimos

Il Cortile delle Esperidi, um alojamento local perto do centro histórico de Lecce. O quarto onde ficámos era enorme, moderno e limpo. Também dispõe de apartamentos e garagem privada por um preço razoável.

Dia 4: Lecce

Dia inteiramente dedicado a Lecce. Para se conhecer as principais obras barrocas da cidade, nomeadamente o Antigo Seminário/ Museu Diocesano, a Catedral, a incrível Basilica di Santa Croce, a Chiesa di Santa Chiara e a Chiesa di San Matteo, existe um passe diário (9€) à venda no referido museu, situado na espetacular Piazza Duomo.

Visitámos tudo e, pelo caminho, fomos espreitando mais algumas igrejas (entrada gratuita) e ainda descobrimos o Castelo Carlo V, bem como o Teatro e o Anfiteatro Romanos.

Em suma, gostámos muito de Lecce e ficámos impressionados não só pela riqueza patrimonial da cidade, mas também por o centro histórico ter vida própria, independentemente do turismo.

Onde dormimos

Il Cortile delle Esperidi, o alojamento que referimos anteriormente.

Dia 5: Ostuni, Martina Franca e Locorotondo

Ao quinto dia da viagem pela Puglia, rumámos ao Valle d’Itria, uma zona rural de abundantes olivais e belas localidades, pontilhada de casas de forma invulgar, chamadas “trulli”.

A primeira povoação que visitámos foi Ostuni, apelidada de “cidade branca” da Puglia. Situada no cimo de uma colina, da qual se avistam oliveiras até ao mar, Ostuni é uma pequena cidade com uma catedral, ruelas sinuosas e casas de um branco luminoso, onde sobressaem portadas verdes e muitos catos, ideal para nos perdermos por algumas horas.

Dica: a melhor vista geral da cidade é a partir da Via Vittorio Emanuele II, n° 161.

puglia, o que visitar: ostuni

A seguir, fomos a Martina Franca, a maior cidade do Valle d’Itria. Caminhando sem rumo pelas ruas estreitas do centro histórico, tivemos oportunidade de admirar o estilo barroco de diversos palácios e casas nobres, espantando-nos com as imponentes entradas e sobretudo com as varandas trabalhadas, quase a tocar nas da frente. Além disso, fomos surpreendidos por sumptuosas igrejas, a invulgar Piazza Maria Immacolata e a impressionante Basílica di San Martino.

puglia, o que visitar: martina franca

O último destino do dia foi Locorotondo, declarada uma das localidades mais bonitas de Itália. À semelhança dos outros povoados do Vale d’Itria, e da Puglia em geral, em Locorotondo não há propriamente atrações turísticas. A própria cidade é uma atração e o melhor é mesmo perdermo-nos pelas ruas estreitas e cuidadas do centro histórico, entre casas brancas com varandas floridas.

Dica: o nome Locorotondo dá pistas sobre a configuração da cidade. “Loco” significa lugar e “rotondo”, redondo. Situada no topo de uma colina, Locorotondo é um sítio fantástico para observar a paisagem ao redor. Para as melhores vistas, recomendamos que vá até à Villa Comunale (jardim público) e também que percorra a rua que circunda o centro histórico.

Onde dormimos

Trulli Caroli, um estúdio com uma decoração simples, mas com um preço imbatível, no rural Vale d’Itria, nas proximidades de Locorotondo.

Dia 6: Alberobello, Monopoli, Polignano a Mare e Bari

Património da Humanidade da UNESCO, a pequena cidade de Alberobello é conhecida pelas suas construções típicas, os “trulli”, umas peculiares casas brancas com telhados cónicos de pedra.

Quando decidimos visitar a Puglia, Alberobello estava entre os lugares que mais queríamos conhecer. Contudo, em vez de termos passado a manhã toda a explorá-la como tínhamos planeado, vimos tudo em pouco mais de uma hora, incluindo os dois bairros em que se divide (Rione Monti e Rione Aia Piccola), os miradouros principais e a Casa-Museu Trullo Sovrano, que nos permitiu conhecer um “trullo” por dentro.

Mais sobre Alberobello

Se quiser saber mais, recomendamos que veja o nosso artigo com o melhor de Alberobello, incluindo o que visitar, ver e fazer.

puglia, o que visitar: alberobello

Seguimos depois para Monopoli, uma das nossas cidades preferidas da Puglia, que fica a apenas 30 minutos de carro de Alberobello. No centro histórico, existem setas a recomendar um itinerário turístico pedonal, passando pelos pontos mais interessantes, incluindo várias igrejas, a enorme catedral e a Basilica da Madonna della Madia (vale a pena entrar). Além disso, não estávamos à espera de encontrar azinheiras na praça central, um castelo, um porto antigo nem uma cidade a cheirar a maresia, tão genuína e cheia de vida!

Puglia, o que visitar: Monopoli

Mais tarde, fomos almoçar a Polignano a Mare, aproveitando para conhecer uma das praias mais famosas da Puglia e dar uma voltinha no centro histórico medieval cujo casario branco empoleirado nas rochas já serviu de pano de fundo a vários filmes. Apesar da cidade ser bastante turística e da praia ser muito mais bonita nas fotos do que ao vivo, não nos arrependemos de a ter incluído no nosso roteiro na Puglia, até porque foi aí que comemos um “panino con polpo arrosto” (sandes de polvo), que foi certamente a melhor refeição rápida da viagem.

Dicas:

  • Comprámos a sandes de polvo no restaurante La Balconata (take away).
  • A cidade de Polignano a Mare também é famosa devido ao fotogénico restaurante Grotta Palazzese.
Puglia, o que visitar: Polignano a Mare

Por fim, visitámos Bari, a capital da Puglia. Sendo uma cidade bastante grande, concentrámo-nos no seu centro histórico, conhecido como Bari Vecchia.

Que contraste com as outras povoações da Puglia! Se, em Março, estas se encontravam bastante vazias, paradas e com pouca vida, havendo mesmo vários alojamentos locais, lojas e restaurantes fechados, em Bari Vecchia as ruas fervilhavam de vida e alma! Havia um movimento constante de pessoas e motas, roupa a secar, santos em quase todas as esquinas, pessoas a conversar em voz alta, tabuleiros de massa nas ruas, algumas senhoras a moldar orecchiette no interior das casas e portas abertas para a rua.

Logo ao lado de Bari Vecchia, mas como se num mundo à parte, fica uma Bari mais moderna, com longas avenidas perpendiculares, ruas comerciais, grandes marcas e edifícios majestosos. O porto também fica perto. Foi, aliás, aí que estacionámos e encontrámos uns senhores a limpar ouriços do mar, uma iguaria local muito apreciada.

Em conclusão, Bari foi uma das maiores surpresas da viagem e uma excelente forma de terminarmos o nosso roteiro na Puglia.

Onde dormir

Bari

Dia 7: Regresso a Nápoles

Após o check-out, poderá voltar ao Aeroporto de Nápoles para deixar o carro alugado e fazer o check-in no seu voo ou continar a viajar por mais 7 dias, combinando a viagem à Puglia com um roteiro em Nápoles, Costa Amalfitana, Capri e Pompeia.

Mapa da Puglia

Clique no botão “play” para visualizar o mapa com os principais lugares a visitar na Puglia.

Outros lugares a visitar na Puglia

Se tiver mais tempo para conhecer a Puglia, poderá ainda:

  • Ir a algumas praias da Puglia e mergulhar nas águas azul-turquesa dos mares Adriático e Jónico (no verão). Como nós viajámos durante o mês de Março, não as incluímos no nosso roteiro;
  • Conhecer o Castel del Monte, um castelo com uma perfeita simetria octogonal, construído no século XIII e incluído na lista de Património Mundial da UNESCO;
  • Explorar as povoações de Trani e Vieste e o Parque Nacional de Gargano.
Trullo, Alberobello

Guia prático para visitar a Puglia

Quando visitar a Puglia

Na nossa opinião, Maio, Junho e Setembro são os melhores meses para visitar a Puglia, porque normalmente está bom tempo e evita-se a confusão de Julho e Agosto.

Julho e Agosto são a melhor altura para desfrutar das praias, mas há mais turistas e os preços são mais elevados.

Os meses de Outubro a Abril são os mais frios e é quando chove mais.

Como chegar à Puglia

Voos diretos:

  • Lisboa – Nápoles: TAP e Ryanair
  • Porto – Bari: Ryanair
ostuni

Como se deslocar na Puglia

A melhor forma é alugar um carro. O custo é acessível e só assim se consegue conhecer toda a região em pouco tempo e com total liberdade.

Caso decida usar transportes públicos, poderá ver os horários dos comboios e autocarros na app omnio e até reservar bilhetes em português, onde quer que esteja.

Quanto tempo ficar na Puglia

6-7 dias são suficientes para visitar as principais atrações da região.

Onde ficar quando visitar a Puglia

queijos numa loja na puglia

Gastronomia na Puglia e em Matera

Eis algumas das iguarias tradicionais que poderá provar nesta parte de Itália:

  • Pão de Matera
  • Taralli (biscoitos salgados)
  • Peperone cruschi (pimentos estaladiços)
  • Orecchiette con cime di rape (massa em formato de orelhinhas com folhas de nabo italiano)
  • Fave e cicoria (puré de favas com chicória)
  • Sgagliozze (polenta frita) e focaccia (um pão achatado coberto com azeite e especiarias), em Bari
  • Enchidos como, por exemplo, Capocollo de Martina Franca e Lucanica di Picerno
  • Queijos
  • Azeite
  • Licor Amaro Lucano
  • Vinho de Locorotondo. Famoso em Itália e disponível em muitos restaurantes da Puglia, quem quiser fazer uma boa prova a um preço económico deverá ir direto à sede da principal produtora: a Cantina Sociale del Locorotondo.

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