Como só tínhamos 18 dias disponíveis, não foi fácil traçarmos um roteiro para visitar os Alpes, a cadeia montanhosa mais extensa da Europa. Em primeiro lugar, tivemos de selecionar os países a que queríamos ir. Optámos por excluir a França e por visitar o norte da Itália (Dolomitas), sul da Alemanha (Baviera), Áustria (Tirol) e Suíça. Em segundo lugar, tivemos de identificar os locais que queríamos visitar em cada país e selecionar aqueles que mais nos cativaram, incluindo alguns percursos pedestres, que é a caminhar que nos sentimos mais próximos da natureza.

Em suma, não visitámos tudo. Ainda assim, acreditamos que este roteiro permite conhecer muito do que os Alpes têm de melhor, podendo ajudá-lo a elaborar o seu próprio plano de viagem, de acordo com o tempo que tiver disponível e os seus gostos pessoais.

Não deixe de ler as nossas dicas para preparar uma viagem pelos Alpes.

Síntese da nossa viagem de carro nos Alpes

  • Iníco e fim | Aeroporto de Milão Malpensa (Itália)
  • Duração | 18 dias/ 17 noites
  • Países visitados | Itália, Alemanha, Áustria e Suíça

Mapa do que visitámos nos Alpes: a vermelho – Itália (Dolomitas); a azul – Áustria e Alemanha e a roxo – Suíça, além de Bellagio e do aeroporto de Milão Malpensa, em Itália.

O nosso roteiro de carro nos Alpes

Primeira parte: Itália (Dolomitas)

Declaradas Património Mundial da UNESCO, as Dolomitas são uma cadeia montanhosa situada nos Alpes italianos, no norte de Itália. Com picos impressionantes, 18 dos quais com mais de 3.000 m de altitude, são um destino perfeito para quem gosta de ar puro, de contemplar a natureza e de fazer caminhadas.

Onde ficar alojado nas Dolomitas | Na nossa opinião, as melhores bases para conhecer as Dolomitas são Bolzano/Ortisei e Cortina d’Ampezzo. A partir de Bolzano/Ortisei, poderá visitar a parte ocidental das Dolomitas e, a partir de Cortina d’Ampezzo, a parte oriental, sem ter de estar constantemente a mudar de alojamento.

Mapa do que visitámos nas Dolomitas

Dia 1: Chegada a Milão Malpensa e viagem até Bolzano

Os aeroportos mais próximos das Dolomitas são Veneza (a 147 km de Cortina d’Ampezzo), Milão Bergamo (a 236 km de Bolzano) e Milão Malpensa (a 320 km de Bolzano). Por uma questão de logística, decidimos começar e acabar a nossa viagem em Milão Malpensa.

Viajámos no início de Setembro e encontrámos muitíssimo trânsito até Bolzano, inclusive filas nas auto-estradas. Segundo nos explicaram, as férias escolares estavam a chegar ao fim e muitas famílias regressavam a casa. Daí termos demorado quase seis horas a chegar ao destino, quando a viagem normalmente se faz em três.

Se vos sobrar tempo, aproveitem para passear pelo centro de Bolzano, a capital do Tirol do Sul, conhecida pela sua qualidade de vida, espaços verdes e casas com arquitetura tipicamente austríaca. O centro não é muito grande e é possível conhecer tudo a pé, a partir da Piazza Walther – a praça principal.

Dormida: Bolzano

Dia 2: Bolzano > Grande Estrada das Dolomitas > Lago di Carezza > Sella Pass > Val di Funes > Ortisei

Com início em Bolzano e fim em Cortina D’Ampezo, a “Grande Strada delle Dolomiti” é considerada uma das estradas mais bonitas dos Alpes italianos. Estende-se ao longo de 100 km e tem muitas curvas e “tornantes” (cotovelos apertados).

Pelo caminho, parámos no Lago di Carezza. Longe de ter sido um dos nossos preferidos nas Dolomitas, por causa da envolvência pouco natural, é um dos mais fotogénicos se tiver um bom nível de água, o que é raro em Setembro.

Não percorremos a Grande Estrada das Dolomitas na sua totalidade. Ao chegar a Canazei, virámos para Sella Pass, outra das mais belas estradas da região, cheia de “tornantes”, mas também de vistas magníficas sobre as montanhas.

A seguir, dirigimo-nos à aldeia de Santa Madalena, no Val di Funes, um vale emblemático das Dolomitas onde, devido ao mau tempo, não conseguimos ver o impressionante maciço de Odle, que se ergue de forma dramática no horizonte.

Dormida: Ortisei – Hotel Fortuna

A aldeia de Santa Madalena, no Val di Funes, como gostaríamos de a ter visto | Bill Higham

Dia 3: Seceda > Alpe di Siusi

Ortisei é a base ideal para conhecer duas das principais atrações das Dolomitas, nomeadamente Seceda e Alpe di Siusi, uma vez que é daí que partem os teleféricos para ambos os locais.

Infelizmente, devido ao mau tempo, decidimos não subir a Seceda, o ponto mais alto do Vale Gardena, porque não iríamos conseguir apreciar as vistas.

Passeámos por Ortisei, a localidade de que mais gostámos nas Dolomitas e, à tarde, fomos de carro a Alpe di Siusi, o maior prado alpino da Europa. Mais uma vez, o mau tempo impediu-nos de ver as montanhas e de apreciar as paisagens na sua plenitude.

Dormida: Ortisei – Hotel Fortuna

Alpe di Siusi | Glen Sinclair

Dia 4: Gardena Pass > Lago di Limides > Cinque Torri (caminhada) > Cortina d’Ampezzo

Novo dia, nova estrada, desta vez a Gardena Pass que liga a povoação de Selva, no vale Gardena, a Corvara, no vale Badia. Dizem que as paisagens são magníficas, mas nós não as conseguimos ver, não só devido às nuvens baixas, mas também à chuva intensa.

Ainda fizemos o trilho nº 419 desde o refúgio Col Gallina até ao Lago di Limides (linear; ida e volta: 2 km, 40 minutos) debaixo de uma chuva torrencial. Não sei se o mau tempo afetou o meu discernimento, mas a imagem que guardo desse lago é a de um charco sombrio. No final da caminhada, mudámos de roupa e de calçado no carro e fomo-nos aquecer no restaurante “Da Strobel”, junto ao qual tínhamos estacionado. E não é que começou a nevar enquanto olhávamos pela janela a beber um “capuccino”? Tão bom…

A seguir, continuámos até ao Refúgio 5 Torri, onde pretendíamos fazer a caminhada que dá a volta às Cinque Torri, isto é, cinco cumes rochosos que se assemelham a cinco torres (circular, 2 km, fácil). Infelizmente, o tempo estava tão mau, que não conseguimos ver sequer as cinco torres. Logo, não fizemos o trilho.

Como chegar a Cinque Torri | Na estrada SR48, virar para “Cinque Torri” (a saída está bem marcada). Seguir de carro até ao Rifugio 5 Torri e estacionar por aí.

Cinque Torri | Richard Jones

Terminámos o dia em Cortina d’Ampezzo, onde gostámos de passear pelo centro da cidade, sobretudo pela rua central. Além de ter diversos hotéis e restaurantes, Cortina d’Ampezzo é uma boa base para explorar alguns dos lagos mais conhecidos das Dolomitas, bem como um dos seus cumes mais famosos. Foi isso que fizemos nos dias seguintes. E não é que o tempo melhorou? Alegria!

Dormida: Cortina d’Ampesso – Hotel Corona

Dia 5: Lago Sorapis (caminhada) > Lago di Landro > Lago di Braies

O Lago Sorapis só é acessível através de um percurso pedestre bem assinalado, com início no Passo Tre Croci (moderado; linear; ida e volta: 14 km, 5 h), onde existe um parque de estacionamento.

Com vista a encurtarmos caminho, decidimos experimentar um trilho alternativo que não recomendamos porque, apesar de mais curto, tem quase 600m de elevação sendo, por isso, bastante difícil. Felizmente, a cor impressionante do lago – um leitoso azul turquesa – fez-nos esquecer as agruras do caminho.

Almoçámos no Rifugio Vandelli (excelente) ao pé do Sorapis e, à tarde, fomos de carro a mais dois lagos: o Lago di Landro, mais sossegado, e o Lago di Braies, merecedor da fama de ser o mais visitado das Dolomitas.

Dormida: Cortina d’Ampesso – Hotel Corona

Lago di Braies

Dia 6: Tre Cime di Lavaredo (caminhada) > Lago Antorno > Lago Misurina

Nunca esqueceremos as duas caminhadas que fizemos em Tre Cime di Lavaredo. As nuvens finalmente desapareceram e vimos pela primeira vez os picos afiados das Dolomitas, ainda por cima cobertos de neve. O cenário é fabuloso!

Fizemos o trilho nº 117 de manhã (linear; ida e volta: 4 km, 1 h), almoçámos no Rifugio Aronzo e depois fizemos o percurso pedestre que dá a volta às três torres de Lavaredo (circular, 10 km, 4 h).

Sofia no trilho circular de Tre Cime di Lavaredo

Ao final da tarde, visitámos os lagos Antorno e Misurina, onde esperámos pelo pôr do sol.

Dicas:

  • Para fotografar o nascer e o pôr do sol em Tre Cime di Lavaredo, o melhor é ficar aí alojado, de preferência no Rifugio Lavaredo ou, melhor ainda, no Rifugio Locatelli, cujas vistas são ainda mais dramáticas. Atenção: é preciso reservar com bastante antecedência.
  • Adorámos jantar na Pizzeria Edelweiss, junto ao lago Misurina, tanto pela comida como pela vista sobre o lago.

Dormida: Hofgartnerhof (já na Áustria, perto da fronteira italiana)

Segunda parte: Áustria e Alemanha

Mapa do que visitámos na Áustria e na Alemanha

Dia 7: Grossglockner High Alpine Road > Lago Hintersee (caminhada)

Depois de um magnífico pequeno-almoço no Hofgartnerhof, fomos explorar a estrada Grossglockner High Alpine Road. Com uma extensão de 48 km, demora cerca de uma hora a percorrer (sem paragens).

Grossglocker é não só o pico mais alto da Áustria, mas também um dos mais altos dos Alpes. Não admira, pois, que a viagem no coração do Parque Nacional Hohe Tauern, em direção ao topo da montanha, seja impressionante. No caminho, parámos no Kaiser-Franz Joseph Hohe, de onde se têm vistas espetaculares sobre um dos mais longos glaciares dos Alpes orientais: o Pasterze.

Dicas:

  • A Grossglockner High Alpine Road é uma estrada paga e não está sempre aberta;
  • Compra do bilhete | Nós comprámo-lo na portagem inicial, mas também se pode comprar online;
  • Datas e horários de abertura | De 1 de junho a 31 de agosto, a estrada está aberta das 5h00 às 21h30. De 1 de setembro a 26 de outubro, das 6h00 às 19h30. De novembro a maio, está fechada;
  • Preços e informações atualizadas no site oficial | www.grossglockner.at

A tarde foi passada em Ramsau, já na Alemanha, considerada uma das zonas mais emblemáticas dos Alpes da Baviera. É aí que se situa o tranquilo lago Hintersee, rodeado por montanhas e florestas. Este lago não inspirou apenas pintores, escritores e realizadores de cinema. Nós também ficámos completamente rendidos e, com muita pena nossa, só tivemos tempo para fazer uma curta caminhada em Zauberwald (Floresta Encantada).

Lago Hintersee

Se tivéssemos tido mais tempo, gostaríamos ainda de ter feito os seguintes percursos pedestres:

  • Trilho entre a povoação de Ramsau e o lago Hintersee, ao longo de Zauberwald (linear; só ida: 6,4 km, 2 h);
  • Painter’s Circular Trail, o trilho que dá a volta ao lago Hintersee (10 km, 3 h).

Dormida: Ramsau – Wirtshaus und Pension Hocheck. Além de termos gostado do alojamento em si, foi aqui que comemos uma das melhores refeições da viagem e a cerveja local também era excelente. O restaurante serve comida típica da Baviera, como salsicha e pernil de porco – as nossas escolhas.

Dia 8: Desfiladeiro Wimbachklamm > Ramsau > Lagos Konigssee e Obersee > Salzburgo

Após termos tomado o pequeno-almoço na pensão, fizemos uma curta caminhada até ao desfiladeiro Wimbachklamm. Como lemos à entrada: “É pequeno, mas wow!”. São apenas 200 metros de extensão, que se percorrem sobre passadiços de madeira, mas vale muito a pena conhecer.

Feito o check-out, ainda parámos na povoação de Ramsau, onde ficámos enternecidos quer com a vista desde Malerwinkel (esquina do pintor) quer com o cemitério local, onde há flores em vez de pedra sobre as campas.

O resto do dia foi passado nos belíssimos lagos Konigssee e Obersee, dois lagos cristalinos, onde o céu e as montanhas dos Alpes se olham ao espelho.

Lago Obersee

Nesse dia, ainda fomos dormir a Salzburgo, que fica a 38 km (40 minutos) do lago Konigsee.

Dormida: Salzburgo – Snooze Guesthouse

Dia 9: Hallstatt > Salzburgo

De manhã cedo, partimos para Hallstatt, um dos lugares mais fotografados da Áustria. É uma localidade encantadora mas, como o Paulo disse na altura, parece um parque temático para turistas, um lugar sem alma, que vive apenas do turismo. Já que aí estávamos, claro que fomos ver – como tantos outros visitantes, maioritariamente asiáticos – o miradouro de onde se tira a foto clássica de Hallstatt, mostrando a torre da igreja e as casas tradicionais refletidas no tranquilo lago Hallstattersee. Quisemos, contudo, ir embora rapidamente e do que mais gostámos ainda foi de termos andado de barco elétrico e de ver a povoação à distância.

Voltámos para Salzburgo, cidade Património Mundial, que é ao mesmo tempo cosmopolita e aconchegante, onde não quisemos seguir nenhuma lista de lugares a visitar. Caminhámos simplesmente junto ao rio, vendo a cidade barroca à distância, as suas torres verde-pastel a quererem chegar ao céu juntamente com a Fortaleza Hohensazburg. Subimos o elevador Monchsberg para ver Salzburgo de cima e caminhámos aleatoriamente pelas suas ruas e praças, acabando por encontrar passagens misteriosas entre as casas; a Catedral e o Palácio Residenz (DomQuartier); a rua principal de comércio (Getreidegasse); a casa onde nasceu Mozart; o cemitério de S. Pedro, além de numerosas igrejas e museus.

Dormida: Salzburgo – Snooze Guesthouse

Salzburgo

Dia 10: Kufstein > Jausenstation Zottahof > Caminhada até Olpererhutte (ponte suspensa)

Lemos que Kufstein era “uma joia desconhecida do Tirol: uma pitoresca povoação medieval rodeada por bonitas montanhas”. Apesar de termos gostado de a visitar, na nossa opinião não vale a pena ir lá de propósito sendo, no entanto, um bom passeio para quem está de passagem.

Dica | Não percam uma rua chamada “Romerhofgasse” que, no início do séc. XX, atraiu inúmeras celebridades do mundo das artes e da cultura, devido à hospitalidade das suas tavernas.

Mais tarde, seguindo uma recomendação do BlogTirol, fomos atrás do melhor “Kaiserchmarren” da Áustria, uma espécie de panqueca gigante e fofa, considerada um ícone da doçaria nacional. Para isso, tivemos de fazer um desvio enorme no caminho. Sempre a subir até aos 1.200 m, passámos por uma aldeia adorável onde vimos casas de madeira e varandas carregadas de flores; turistas locais e pessoas de idade a fazer caminhadas; vacas na estrada com guizos e colares de tecido florido. Uma vez chegados à Jausenstation Zottahof, a dona do espaço, admirada por nos ver ali, contou-nos a lenda deste doce que o associa ao “Kaiser” (Imperador) Francisco José, marido de Sissi. Depois, enquanto admirávamos as belíssimas vistas sobre o verdejante e pastoral Vale Alpbachtal, comemos o famoso doce, que aqui é feito com produtos caseiros, juntando-lhe compotas de maçã e amora alpina.

Para gastarmos as calorias do “Kaiserchmarren”, à tarde fomos fazer mais uma caminhada, desta vez até Olpererhutte, onde existe uma ponte que se tornou famosa no instagram (linear; ida e volta: 5,6 km, 3 h). Considerado fácil, é um trilho sempre a subir por um caminho de rochas graníticas onde gastei, sem dúvida, todas as calorias acumuladas! Lá em cima, como é habitual, o refúgio estava cheio de pessoas a beber cerveja. Do que não estava à espera era de ver galinhas à solta. Quanto à ponte, não é bem o que parece nas fotografias…

Ponte de Olpererhütte

Dica | Para chegar ao parque de estacionamento onde tem início o percurso pedestre, é preciso percorrer a Schlegeis Alpenstrasse, uma estrada paga (no início existe uma portagem), onde os carros só circulam à vez, num sentido. É excelente para quem gosta de curvas e de túneis estreitos com rochas à mostra.

Dormida: Ginzling – Forellenhof Linde | Foi um dos nossos alojamentos preferidos de toda a viagem. O quarto foi certamente o mais bonito onde dormimos e o pequeno-almoço era excelente.

Também jantámos muito bem na Gasthaus Schwarzenstein, em Ginzling.

Dia 11: Hall in Tirol > Innsbruck > Lago Eibsee

Se Ortisei foi a localidade de que mais gostámos nas Dolomitas, Hall in Tirol foi a pequena povoação de que mais gostámos na Áustria. Percorremos as suas ruas de manhã cedo, praticamente sozinhos, reparando nos pormenores encantadores, nas típicas casas medievais, nas flores à janela, nas cúpulas das igrejas e na invulgar torre do castelo Hasegg.

Passámos o resto do dia em Innsbruck, a capital do Tirol, passeando por um dos mais bonitos centros barrocos e góticos da Europa. Mais uma vez, não quisemos seguir nenhum roteiro. Anotámos apenas os locais que não queríamos perder: Goldenes Dachl – o telhado dourado; o Palácio e a Igreja imperiais e a principal rua pedonal, a Maria-Theresien-Straße. De resto, deambulámos à solta pelas suas ruas estreitas, deixando-nos surpreender de descoberta em descoberta.

Ao final da tarde, ainda fomos ao Lago Eibsee, onde fizemos uma pequena parte do trilho que o contorna. Como tínhamos jantar marcado no hotel, tivemos de ir embora mais cedo do que desejávamos. Sentimo-nos tristíssimos, porque a luz dourada do sol começava a infiltrar-se pela floresta, tornando tudo ainda mais bonito.

Dormida: MyTirol | Outro hotel que adorámos, tanto pela decoração interior (moderna, arrojada e funcional), como pela qualidade do pequeno-almoço e jantar-buffet.

Lago Eibsee

Dia 12: Highline 179 > Castelo de Neuschwanstein

Highline 179 é a maior ponte suspensa de estilo tibetano do mundo, ligando o Castelo de Ehrenberg às ruínas de uma fortaleza. Apesar de termos gostado de a atravessar, ficámos bastante dececionados com as vistas. Se fosse hoje, teríamos, antes, regressado ao lago Eibsee, para o explorar com mais tempo.

Dica | Para chegar à Highline 179, é preciso apanhar um funicular ou fazer um percurso pedestre bem assinalado (~20 minutos) montanha acima. Partem ambos junto à bilheteira de Burgenwelt Ehrenberg, onde é possível estacionar.

A seguir, fomos ver o castelo mais famoso da Alemanha: o Castelo de Neuschwanstein. Tendo inspirado o da Disney, atualmente afugenta quem não gosta de demasiados turistas, daí só o termos visto por fora.

Dicas:

  • Há vários parques de estacionamento públicos na povoação de Hohenschwangau;
  • Para ver o castelo, pode-se apanhar um autocarro em Hohenschwangau para Marienbrucke Bridge. A paragem de autocarro fica no Parque 4 e os bilhetes compram-se numa bilheteira, um pouco antes de chegar ao parque. Preço de um bilhete de ida e volta: 3€. Também se pode ir a pé até ao castelo mas, dado o preço do bilhete de autocarro, julgámos que não se justifica, até porque é sempre a subir;
  • Da paragem de Marienbrucke Bridge, pode-se ir a pé quer até ao Castelo de Neuschwanstein quer até à ponte Marienbrucke, que serve de miradouro para o mesmo. As direções estão bem assinaladas.

O resto do dia foi passado a descansar tranquilamente junto ao lago Heiterwanger.

Dormida: MyTirol

Castelo de Neuschwanstein

Terceira parte: Suíça

Mapa do que vistámos na Suíça, além de Bellagio e do aeroporto de Milão Malpensa, em Itália

Dia 13: Lucerna > Interlaken

Este dia foi passado quase todo na estrada. Fizemos apenas uma paragem em Lucerna, já na Suíça, para esticarmos as pernas no centro histórico e vermos a famosa Kapellbrüche (ponte da igreja). Jamais esqueci esta ponte desde a primeira vez que a vi, há mais de 20 anos. Por isso, quis que o Paulo a visse também e que a percorressemos juntos.

Kapellbrüche, Lucerna

Chegámos a Interlaken a meio da tarde e ainda tivemos tempo de dar uma volta pela sua rua principal, chamada Hoheweg. Ficámos admirados com a quantidade de turistas asiáticos que aí vimos. Muitos dos anúncios e dos empregados das lojas de luxo eram asiáticos, bem como a maioria das pessoas que aterravam de parapente no parque Höhematte, uma atividade popular nesta cidade que, como o nome indica, se situa entre dois lagos.

Dormida: Interlaken – Historical Hotel Steinbock

Dia 14: Lauterbrunnen > Caminhada entre First Gondola e Bachalpsee > Lago Oeschinensee ou Berna

Descobri Lauterbrunnen, o Vale das 72 Cascatas, através de fotos e todas me pareceram fabulosas. Ao vivo, porém, foi uma grande desilusão. Talvez por ser Setembro, não vimos praticamente nenhuma cascata a escorrer pelas rochosas paredes verticais do vale, o qual pode ser percorrido quer de carro quer a pé (há um percurso pedestre até Stechelberg, com uma duração aproximada de 1h – só ida).

A Suíça é um paraíso para quem gosta de caminhar. Porém, a maioria dos trilhos é demasiado extensa e exigente. Nesta manhã, decidimos fazer um dos poucos relativamente acessíveis que encontrámos, nomeadamente o percurso linear entre a estação de teleférico First e o lago Bachalpsee (linear; ida e volta: 2h, fácil). Para isso, fomos de carro até Grindelwald, onde apanhámos o teleférico para First. No topo da montanha, há uma plataforma panorâmica suspensa chamada “First Cliff Walk” que se pode percorrer gratuitamente e quem quiser pode, então, fazer a rota até ao lago Bachalpsee, onde os picos dos Alpes se olham ao espelho em dias sem vento.

First Cliff Walk e vistas sobre Grindewald

À tarde, fomos até Kandersteg para conhecer o lago Oeschinensee, considerado por muitos guias de viagem um dos mais bonitos dos Alpes. Todavia, quando chegámos, o tempo estava tão mau que decidimos que não valia a pena apanhar a gôndola que nos levaria até lá. Ou melhor: quase até lá, que ainda é preciso andar cerca de 15 minutos até ao lago.

Em alternativa, fomos a Berna, que continua a ser a minha cidade suíça preferida, mais de vinte anos depois de a ter visitado pela primeira vez.

A não perder em Berna | O rio, onde no verão algumas pessoas se deixam levar pela corrente, e o centro histórico.

Dormida: Interlaken – Historical Hotel Steinbock

Dia 15: Miradouro de Eggishorn sobre o Glaciar Aletsch > Zermatt

Aberto todo o ano, o comboio Jungfraujoch é uma das grandes atrações turísticas da Suíça, porque a última estação, a 3.454 m, é a mais alta da Europa. Conhecida como o “Topo da Europa”, daí avista-se o Glaciar Aletch, o maior glaciar dos Alpes, declarado Património Mundial pela UNESCO.

Tendo achado o preço do comboio proibitivo (~200 €), optámos por ver o Glaciar Aletch de uma forma mais económica. Ou seja: fomos de carro até Fiesch onde apanhámos um teleférico para Eggishorn. Daí as vistas sobre o glaciar também são excelentes e sentimos uma calma surpreendente a ouvir os sons da montanha.

Vista panorâmica sobre o Glaciar Aletch a partir de Eggishorn

Depois de um almoço ligeiro em Fiesch, partimos para Tash. É aí que se apanha o comboio para Zermatt, uma aldeia situada no sopé do Matterhorn, uma das montanhas mais famosas do mundo.

Dicas:

  • Em Zermatt não circulam carros. Logo, não se pode ir de carro, só de comboio (há comboios de 20 em 20 minutos);
  • Alojamento em Zermatt | Convém marcar um alojamento perto da estação ferroviária, no centro de Zermatt, para não ter de carregar as malas até longe. Além disso, os transportes para as atrações envolventes partem quase todos daí. Em alternativa, pode-se apanhar um autocarro público ou um mini-táxi elétrico ou, então, alugar uma bicicleta elétrica, mas não é barato.
  • Esqui | Zermatt é uma das mais célebres estâncias de esqui do mundo e é possível praticá-lo durante todo o ano, inclusive no verão. Há casas que alugam equipamento.

Neste dia, ainda tivemos tempo para passear em Zermatt. Apesar da grande afluência turística, a aldeia tem conservado o seu carácter original. As casas são quase todas de madeira escurecida. Há um rio límpido e fontanários públicos onde podemos encher as garrafas com água pura. Há o cemitério dos alpinistas junto à igreja principal. As ruas estão arranjadas e, em todo o lado, impera o bom gosto (e ouve-se falar português, dado o grande número de portugueses que aí trabalham e residem).

Dormida: Zermatt – Mountain Paradize. O único inconveniente deste hotel é ficar afastado do centro da aldeia. De resto, gostámos de tudo: do quarto, do pequeno-almoço, da vista e, em especial, das ovelhas a pastar no campo em frente, os chocalhos sempre a tilintar como relaxantes espanta-espíritos.

Dia 16: Trilho dos 5 Lagos de Zermatt > Desfiladeiro Gorner

Duas das principais atrações turísticas de Zermatt são o Gornergrat e o Matterhorn Glacier Paradise, um comboio e um teleférico, respetivamente, cujas viagens propiciam vistas fantásticas não só sobre o Matterhorn, mas também sobre os cumes em redor – viagens, essas, que nós não fizemos devido ao preço elevado.

Em alternativa, percorremos o Trilho dos 5 Lagos de Zermatt, um percurso pedestre pelas montanhas, ao longo do qual se passa por cinco lagos bastante diferentes entre si, três dos quais refletem o Matterhorn. Subimos de teleférico até à estação de Blauherd e passámos quase todo o dia rodeados por picos majestosos, entre os quais o Mattherhorn e um monte onde, de cada vez que olhava, via um olho de Buda. Molhámos os pés num dos lagos. Fizemos um pequenique junto a outro. Atravessámos florestas. Sentimos serenidade e paz.

Caracterização do trilho:

  • Início: estação de teleférico Blauherd
  • Fim: estação de teleférico Sunnega
  • Direção: só um sentido
  • Distância: 9 km
  • Duração: 3 horas (nós demorámos bastante mais porque fizemos várias paragens para fotografar, descansar, almoçar, etc)
  • Dificuldade: média (devido à distância; de resto, o trilho é plano ou desce ligeiramente)
  • Época: Junho – Outubro

Regressámos a Zermatt a meio da tarde e ainda fomos visitar o Desfiladeiro Gorner (Gorner Gorge), situado a uns 15 minutos a pé do final da aldeia. Apesar de o termos achado bonito, não nos deslumbrou como o desfiladeiro Wimbachklamm. Na nossa opinião, para quem nunca percorreu o desfiladeiro de um rio sobre passadiços de madeira, vale a pena. Para quem já o fez, é mais um.

Dicas:

Dormida: Zermatt – Mountain Paradize

O monte Matterhorn, símbolo da Suíça

Dia 17: Lavertezzo > Bellagio (Lago Como)

Eis que começámos a viagem de regresso, em direção a Milão. Pelo caminho, quisemos conhecer dois sítios: Lavertezzo e o Lago Como.

Lavertezzo situa-se em Ticino, a região italiana da Suíça. É uma aldeia muito bonita, especialmente a ponte e o rio, cuja água cor-inacreditável corre entre invulgares formações rochosas. Infelizmente, tem demasiados turistas, ávidos por tirar (as mesmas) fotografias.

Lavertezzo

No Lago Como, já em Itália, quisemos visitar Bellagio, uma povoação com ruas estreitas a descer para o lago, casas de tons pastel e os magníficos Jardins da Villa Melzi. Chegámos quando a maioria dos turistas partia e sentimo-nos mesmo bem, a passear de mão dada nesta terra que cheirava a flores.

Dormida: Bellagio – Agriturismo La Derta. Foi o último alojamento em que ficámos e não terminámos nada mal. Trata-se de uma quinta em recuperação, situada a 5 minutos a pé dos Jardins da Villa Melzi e a 15 do centro de Bellagio. No interior, moderno e simples, sobressaem peças de design contemporâneo. No exterior, há uma horta bem cuidada e amor pelas galinhas.

Dia 18: Partida de Milão Malpensa para Lisboa

Gostámos tanto dos Jardins da Villa Melzi que no último dia, de manhã, regressámos para mais um passeio. Depois dirigimo-nos a Milão onde, antes de embarcarmos para Lisboa, ainda vimos a Catedral e a Galeria Vittorio Emanuele II, dois dos grandes símbolos arquitetónicos da cidade.

Últimas dicas para visitar os Alpes

  • Tenha atenção às horas das refeições na Áustria e na Alemanha. É normal as cozinhas dos restaurantes abrirem às 18h30 e fecharem às 19h30. Na Suíça, não sabemos se é assim, porque nunca fomos a restaurantes.
  • Mesmo no verão, o melhor é ter sempre à mão uma camisola polar, um casaco corta-vento impermeável, um gorro e luvas. Nunca se sabe quando é que o tempo muda.

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3 Comentários

  1. Fabuloso! Obrigada por este registo tão detalhado! Obrigada pelo trabalho que tiveram porque sei que foi feito para nós, porque vos pedimos. Magnífica partilha.

  2. Fantástico!
    Fizemos uma viagem muito parecida, mas de mota, em breve contarei os detalhes 😀
    Adorei o site
    Abraço e boas viagens

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