Há sítios que me fazem querer saltar, rodopiar, correr. Em Tenerife, há um local assim. Mas há também uma cidade surpreendente, de colorida e calma; uma floresta com árvores retorcidas e misteriosas como as das histórias que gostava de ouvir em criança e uma aldeiazinha no meio de montanhas quase-impossíveis.

O sítio que me fez querer saltar, rodopiar, correr…

Depois de visitarmos LanzaroteFuerteventura, voámos para Tenerife, a maior ilha do arquipélago das Canárias. Tenerife é um dos destinos mais procurados da Europa, sobretudo devido às suas praias, onde o mar é calmo e o sol brilha durante quase todo o ano. Nós, porém, alugámos um carro no aeroporto e partimos à descoberta da ilha, deixando para trás as praias infernizadas por hotéis, lojas, restaurantes e bares.

Vamos em direção ao centro da ilha, atravessando uma paisagem de altas montanhas e florestas, com o carro a soluçar nas subidas sempre que chega às duas mil rotações. A dada altura, o terreno muda drasticamente, dando lugar a uma superfície vulcânica, de tons alaranjados. De um lado e do outro da estrada, vemos cores e formas que nos prendem a atenção. As nuvens, porém, escondem o portento que esteve na origem de tudo. É o Teide que procuramos, um vulcão cujo pico é o mais alto de Espanha.

Os meus olhos gravitam, como as nuvens, à sua volta, mas não consigo adivinhar-lhe os contornos, muito menos o cume, a 3.718 metros de altura. Tínhamos planeado subir de teleférico até aos 3.555 metros e depois, com a autorização necessária, caminhar até ao topo para daí apreciarmos as vistas deste Parque Nacional, declarado Património da Humanidade pela UNESCO. No entanto, subir de teleférico está fora de questão, por causa da chuva e do vento forte que se faz sentir.

Haveríamos de voltar noutro dia, ao final da tarde, testando novamente os limites do carro alugado, entre soluços mecânicos e apreensão. Quando chegámos, as nuvens ainda abraçavam o pico do Teide, mas tudo o resto estava a descoberto e o vento tinha acalmado. Saímos do carro, caminhámos, subimos pequenas elevações, rodopiámos, corremos, saltámos de alegria. Só tu e eu. E o Teide mostrou-nos finalmente o seu cume.

El Teide, a montanha mais alta de Espanha – (c) Crowbared  CC

A cidade surpreendente, de colorida e calma…

Santa Cruz de Tenerife, a capital e porto principal da ilha, não é particularmente interessante. O centro histórico da localidade de La Orotava, agradou-me um pouco mais, em especial as suas casas tradicionais com varandas típicas de madeira. Foi, porém, San Cristóbal de La Laguna ou, simplesmente, La Laguna, a primeira “cidade-território” das Canárias, que me encheu as medidas. Património Mundial da UNESCO, praticamente não tinha turistas das três vezes que a visitámos. As suas ruas perpendiculares – traçadas em finais do século XV – são largas, ladeadas por casas em tons pastel, igrejas e edifícios coloniais, em perfeita harmonia com lojas e restaurantes modernos, decorados com bom gosto. Se pudesse voltar atrás, seria aqui que teria ficado alojada em Tenerife.

La Laguna, Cidade Património da Humanidade

A floresta com árvores retorcidas e misteriosas como as das histórias que gostava de ouvir em criança…

A menos de uma hora de La Laguna, fica o Parque Rural de Anaga, entre montanhas afiadas e gargantas profundas, cobertas por um manto encantado de floresta laurissilva. Dirigimo-nos ao centro de visitantes de Cruz del Carmen, para aprendermos mais sobre este espaço natural protegido e sobre os vários trilhos pedestres disponíveis.

Montanhas de Anaga

Do centro de visitantes, começa um percurso chamado Rota dos Sentidos, de dificuldade baixa e adaptado a pessoas com mobilidade reduzida, ideal também para crianças. Embrenhámo-nos rapidamente no bosque frondoso de laurissilva, sendo desafiados, ao longo do caminho, a cheirar o solo húmido, a distinguir os diferentes tons de verde, a sentir a textura das árvores e a ouvir o som dos passarinhos.

Como aconteceu com o Teide e com La Laguna, regressámos à floresta de Anaga noutro dia, desta vez para caminhar um pouco ao longo do trilho Vuelta de Taganana. Como é bom andar entre árvores antigas e fetos enormes, respirar ar puro e deixarmo-nos envolver pelo silêncio de um bosque mágico.

Floresta laurissilva de Anaga

A aldeiazinha no meio de montanhas quase-impossíveis…

Do lado oposto da ilha, fica outro conjunto de montanhas enrugadas: o Maciço de Teno. Porque as estradas que serpenteiam por encostas íngremes são só para condutores destemidos, esta é uma das paisagens mais autênticas de Tenerife, pontuada por pequenas povoações rurais. A partir do Miradouro de Cherfe, é possível avistar Masca, a mais conhecida e impressionante dessas aldeias, aninhada entre os picos afiados das montanhas.

Masca – (c) Ronny Siegel  CC

Em suma, quem diria que poderíamos viver tudo isto numa ilha que é um dos destinos mais procurados da Europa devido às suas praias, sol e mar?

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One Comment

  1. Tiveram sorte quando estiveram nas montanhas de Anaga. Nós estivemos lá, mas era só nevoeiro e chuva, quando no resto da ilha o sol brilhava alegremente. As vossas fotos são excelentes. Parabéns!

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