Fecho os olhos e vejo o mar: um mar azul turquesa cristalino, sem ondas. Sinto-me livre e mergulho a cabeça, numa entrega total do meu corpo a algo maior, que me faz sentir feliz. Estão dentro da minha cabeça, nas ilhas Cíes, prestes a viajar até uma praia paradisíaca. As primeiras palavras que ouvem dentro de mim são: selvagem, mar, praia, gaivotas, amor, tenda, caminhadas, alegria.

Foi em 2007 que li no jornal “The Guardian” que as Cíes guardavam “a praia mais bonita do mundo” e nem queria acreditar quando constatei que o arquipélago ficava na Galiza, tão perto do meu Minho. Tinha conhecido o Paulo há pouco tempo e convidei-o a ir comigo.

Depois de uma viagem de carro em contra-relógio, conseguimos apanhar o “ferry” em Vigo. Fomos carregadíssimos: a tenda de campismo num dos ombros. Nos outros: sacos-cama, esponjas, alguma roupa e artigos de higiene, lanterna, comida, casacos, eu sei lá.

Felizmente, quando desembarcámos na ilha de O Faro, uma das três que compõem as Cíes, tínhamos à disposição um carrinho-de-mão onde despejámos todos os nossos pertences e depois foi empurrá-lo por um passadiço de madeira até ao parque de campismo onde passámos a noite. De manhã, lembro-me que acordámos com o som de milhares de gaivotas e gargalhadas. Depois, abrimos a tenda e tínhamos o mar à nossa frente.

Nas Cíes, não há hotéis nem carros nem casas. Também não há nada para fazer, a não ser relaxar na praia, nadar e caminhar por vários trilhos assinalados, junto a falésias abruptas ou no meio de pinheiros e de coelhos que brincam connosco às escondidas.

Foi num desses percursos que vimos a praia de Rodas de cima: uma extensa baía de areia branca, no meio de um mar turquesa cristalino, unindo a ilha de O Faro à de Monteagudo. É a praia mais longa e a mais bonita não só do arquipélago como de quase todas as da minha memória.

Apesar de haver mais praias na ilha – selvalgens e tranquilas, algumas delas naturistas – é para a de Rodas que por vezes fujo dos dias maus, recordando-me de como é bom o amor e do bem-estar que senti quando corri na areia branca finíssima e depois mergulhei no mar gelado. Nessas alturas, sei, no fundo de mim, que a vida é boa.

Praia de Rodas nas ilhas Cíes
Coelho selvagem nas ilhas Cíes

Guia prático para visitar as ilhas Cíes

Situado na Galiza, Espanha, o arquipélago das Cíes é constituído por três ilhas: San Martiño, O Faro e Monteagudo (estas duas últimas unidas pela praia de Rodas). Uma vez que se trata de uma área protegida, integrada no Parque Nacional Ilhas Atlânticas, só é possível visitar as Cíes na Semana Santa e no verão, com uma lotação máxima de 2200 pessoas por dia e de 800 pernoitas no parque de campismo.

Como ir

Chega-se à ilha de O Faro de “ferry”, quer a partir de Baiona quer de Vigo. Por causa da lotação limitada, convém comprar os bilhetes com antecedência, nos websites dos seguintes armadores:

Para a ilha de San Martiño, não há transportes públicos, sendo apenas admitidos barcos privados e com autorização.

Onde dormir

Apesar de não haver hotéis nas Cíes, existe um parque de campismo idílico, num pinhal a 50 metros do oceano. Pode-se levar tenda própria ou alugar uma. Neste último caso, é aconselhável reserva no website do Camping Islas Cíes.

Do molhe onde atraca o “ferry” até ao parque de campismo são uns longos 700 metros. Se for um dos primeiros a desembarcar, terá mais hipóteses de ficar com um dos poucos carrinhos-de-mão disponibilizados pelo “camping” para carregar a bagagem.

Onde comer

Na ilha de O Faro, há alguns restaurantes básicos, mas caros. Além disso, o supermercado do parque de campismo é pequeníssimo. Por isso, o melhor será levar consigo alguma comida e bebidas.

Cuidado com as gaivotas

Por fim, convém dizer que nas Cíes reside um grande número de aves marinhas, incluindo a maior colónia do mundo de gaivotas pata-amarela. Muitas nidificam nas falésias e ficam agressivas se nos aproximarmos dos ninhos, o que pode acontecer inadvertidamente.

Fotos: Mar de Ons

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Boas viagens à solta!

12 Comentários

  1. Tenho amigos que já aí foram e contam maravilhas. Também gostava de conhecer. A cor das areias e da água convida mesmo. Pena que a água deve ser fria, não?

  2. As Cies são fantásticas e o melhor é que são aqui mesmo ao lado (especialmente para quem vive no norte de Portugal). Não conhecia essa história da eleição do The Guardian. Obrigado pela partilha.

  3. Sim, a água é bastante fria, mas a mim soube-me tão bem, num dia de sol de verão 🙂

  4. Pelas fotos parece ser mesmo um pedaço do paraíso! Não tinha ouvido falar ainda dessa região e gostei bastante de conhecer pelo seu artigo. Mais um destino que entrará para minha wishlist de viagem (que só faz crescer!).
    Gostei muito do seu artigo e de ter conhecido seu blog.

  5. Fantásticas dicas, obrigada! Que paraíso… e aqui tão perto de Portugal! Pode ser que lhes faça uma visita ainda este ano, quem sabe…? 🙂

  6. Nao conhecia essas ilhas, mas fiquei encantada com a beleza das praias, e se for a Espanha durante algum momento onde se pode visitar a ilha farei o possível para conhecer esse paraíso!

  7. Não conhecia esse paraíso, imagina só! Que azul lindo, parece que tem uma paz tão grande aí. Certamente uma alternativa à agitada Barcelona.

  8. Já estive na Galiza mas não fazia ideia que estas ilhas existiam. Parecem-me fantásticas e lindas. Como quase tudo aquilo que foi nada ou pouco tocado pelo Homem.

  9. Que lugar paradisíaco! Não sabia que essa era a praia mais linda do mundo, mas parece né?! Preciso de outra vida apenas para conhecer a Europa! Lindo demais.

  10. Ainda não conheço estas ilhas apesar de ter feito já toda a costa desde Caminha até San Xenxo. A julgar pelas fotos são um local paradisiaco, parabens!

  11. Wow nem nunca tinha ouvido falar deste pequeno paraíso. São daqueles destinos que queremos ir, e no entanto estão tão perto, e no fim… nem nunca ouvi falar. Incrível. Está sem dúvida na lista de lugares a visitar brevemente. Obrigado pelo "abre olhos".

  12. É engraçado que nunca tinha ouvido falar deste sítio até ter lido este artigo. E sou do norte de Portugal… Parece muito bom e sem dúvida que vamos tentar visitar assim que possível. Obrigado pela partilha.

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