A paisagem de sonho de Preikestolen, uma imponente rocha cortada a direito com uma vista magnífica sobre o fiorde Lyse, estava no topo dos nossos desejos do que visitar na Noruega.

Na terra dos fiordes, conduzir não é para pressas, já que os limites de velocidade variam entre os 30 e os 90 km/hora. Por esse motivo, demorámos aproximadamente sete horas a percorrer os cerca de 400 km que separam Oslo deste que é um dos locais mais visitados do país.

Pelo caminho, parámos na igreja de Heddal, uma das poucas igrejas medievais de madeira (stavkirker) que restam na Noruega – esta a maior de todas e, para mim, a mais bonita que vimos.

Estamos no início de Junho e o país parece um enorme parque natural, com vastas florestas a toda a volta e montanhas grandiosas, algumas ainda pinceladas de neve, donde escorrem cascatas e fios de água. Há muitos rios e lagos. As casas coloridas, rodeadas de verde, são de madeira e muitas têm telhados de turfa, onde crescem erva e flores.

Mais adiante, atravessamos algumas montanhas cobertas de neve, lagos gelados e estradas ladeadas por paredes brancas. Há muitas árvores, mas aqui ainda não têm folhas em Junho. No chão, a vegetação – que começa a espreitar – é acastanhada. Não vemos pessoas, mas há cabanas de madeira espalhadas ao longo da vasta paisagem gelada.

À medida que descemos as montanhas, voltam as florestas, os lagos, os rios, as quedas de água. É tudo bonito – demasiado, às vezes, para exprimir em palavras. Passamos por inúmeros túneis e, por fim, chegamos a Lauvik, onde há que atravessar de ferry para Oanes. Esperamos alguns minutos para embarcar e, em pouco tempo, chegamos à outra margem. A travessia é curta, rápida e funciona muito bem.

Mais uns quilómetros e chegamos ao parque de estacionamento de Preikestolen. Doze euros para estacionar? Ainda voltamos para trás à procura de alternativas sem custos, mas não há nada a fazer: temos mesmo de ir para o parque. Muitos turistas, camionetas, excursões, afinal esta é uma das principais atrações da Noruega, recebendo mais de 200 mil visitantes por ano.

E aí vamos nós, a pé montanha acima, que não há outra forma de chegar a Preikestolen, a que também chamam Rocha do Púlpito.

Preikestolen

Apesar de estar frio, fizemos bem não ir muito abrigados, porque dali a pouco tempo estamos cheios de calor da subida íngreme. Seja como for, foi boa ideia termos levado corta-ventos impermeáveis, porque a chuva é intermitente e, nalgumas zonas, o vento nas montanhas é cortante.

A caminhada, com uma extensão de 3,8 km (só ida), não é fácil e demora duas horas cansativas para cada lado. A recompensa, porém, justifica todo o esforço. A vista sobre as montanhas envolventes e sobre o fiorde Lyse, do topo deste enorme penedo quadrangular com 25 por 25 metros e 604 de altura, são impressionantes.

De repente, apetece-me fazer como aquele asiático solitário que se deitou na borda do penedo a espreitar para o fundo do precipício, soltando dois gritos a plenos pulmões. A beleza que não cabe dentro de mim também me dá vontade de gritar ou, então, de correr e saltar.

Aqui está ele

Guia prático para visitar Preikestolen

Caracterização do percurso

  • Forma do percurso: linear
  • Dificuldade: alta
  • Extensão: 7,6 km (ida e volta)
  • Tempo médio: 4 horas (ida e volta)
  • Início do percurso: imediações da pousada Preikestolen Fjellstue. Existem casas de banho públicas, parque de estacionamento, fontanário, lojas, entre outras infraestruturas na área.

Recomendações

  • Levar roupa e calçado impermeáveis, agasalhos, água e alguma comida energética, evitando ir muito carregado;
  • Usar botas ou calçado de caminhada, já que o trilho é bastante pedregoso. Além disso, é provável que esteja molhado e lamaçento nalgumas zonas;
  • Não há qualquer proteção no topo de Preikenstolen. Por isso, há que ter cuidado, evitando andar muito perto da extremidade.

Quando ir

  • A melhor altura para ir a Preikenstolen é de Maio a Setembro, quando os dias são maiores e as condições atmosféricas mais favoráveis.

Onde dormir

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2 Comentários

  1. O asiático estava com medo, ou afinal o precipício não faz assim tanta impressão? 🙂

  2. Ele andava por lá todo sorridente…

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