Visitar o País Basco era algo que tinha em mente há muito tempo. Há um par de anos fiz um passeio pelo norte de Espanha, tendo o País Basco ficado de parte devido ao mau tempo. Desta vez, porém, fomos lá diretamente e preparados para a intempérie. Felizmente, o tempo esteve ótimo e deu para desfrutar desta região lindíssima, não sendo sequer necessário vestir os impermeáveis ou usar guarda-chuva.

Gaztelugatxe tem tanto de impronunciável como de intransponível. Este é o nome basco dado a uma pequena ermida (do século IX ou X) situada no topo de um pequeno ilhéu rochoso na costa de Biscaia. Para se chegar lá, tem de se descer primeiro uma ravina, que estará seguramente lamacenta durante o inverno; passar depois por uma estreita ponte que liga o continente ao ilhéu e, por fim, subir penosamente 231 íngremes degraus.

A passagem pela estreita ponte foi o mais assustador, devido ao vento, sentindo-me por vezes a ser projetado. As ondas embatiam ruidosamente nas escarpas afiadas e polvilhavam quem ali passava com uma chuva miudinha de gotículas frias. Mas essa foi a parte fácil, em que ainda se viam sorrisos por todo o lado. Ao longo da penosa escada de pedra, as expressões iam mudando, dando lugar apenas à concentração para superar aquela dificuldade.

Chegado ao topo, com as pernas bambas como se tivessem facas cravadas, a vista tornou-se deslumbrante e recompensadora. Os sorrisos voltaram, especialmente quando se descobria que se podia pedir um desejo enquanto se puxava a corda que fazia tocar o sininho da ermida. Eis a razão do sino nunca ter permanecido em silêncio enquanto subia, dando assim um ambiente ainda mais místico ao lugar.

Infelizmente, a ermida estava fechada e não foi possível vê-la por dentro mas, espreitando por uma espécie de janela de vidro tosco, deu para vislumbrar a proa de um barco junto ao altar. Este lugar parece ser especialmente venerado por pescadores que sobreviveram a naufrágios.

O regresso foi mais fácil, sempre a descer até voltar a subir a zona lamacenta do início, focando o pensamento nos pintxos (petiscos servidos em cima de uma pequena fatia de pão) que nos esperavam no restaurante que existe junto ao parque de estacionamento. Estiveram à altura da fome, devidamente acompanhados por txakoli (diz-se txácólí), um vinho branco típico da região, servido das alturas para ficar ligeiramente gaseificado.

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