Tài Shãn não é apenas uma das cinco montanhas taoístas mais veneradas da China, é também a montanha mais escalada do mundo. Atraída por estes rótulos, fui até lá ver como era.

O lugar está no coração e na mente do povo chinês, profundamente enraizado na história de Pan Gu. Reza a história que Pan Gu nasceu no início dos tempos, quando tudo ainda era caos. Graças a ele, o céu e a terra começaram a separar-se. Quando, ao fim de 18 mil anos, os dois se separaram totalmente, Pan Gu morreu de exaustão. O seu corpo desintegrou-se: os olhos tornaram-se o sol e a lua, o sangue deu origem aos rios, o suor à chuva e a cabeça e os membros às cinco montanhas sagradas da China. Tài Shãn é uma delas.

A montanha situa-se a 1545 metros acima do nível do mar. O percurso estende-se por 7,5 km desde a base até ao topo. Até aqui, nada de especial. O problema são os 6660 degraus: uma infindável escadaria, por vezes tão inclinada que parece que estamos a entrar no céu. Ainda assim, nada que intimide a multidão que a sobe e desce diariamente.

Apesar de existir um teleférico, a maioria das pessoas segue por estas escadas intermináveis (rota central). Algumas transportam bengalas e incenso, outras fitas vermelhas e braceletes budistas. Umas sobem durante a noite, na expectativa de apreciar o nascer do sol, outras durante o dia, procurando o encanto do pôr do sol. Quando a ausência de nuvens ou de poluição assim o permite, esses desejos são concretizados.

Ao longo dos degraus, muitos são os templos e os murais gravados com caracteres chineses. Há também uma panóplia de pequenos negócios familiares onde se vendem em simultâneo alimentos, artigos religiosos e bugigangas. A manutenção destes negócios é, todavia, pesada. Que o digam os carregadores de água. A troco de aproximadamente 20 RMB (~3 EUR) por viagem, fazem o percurso escadaria acima, escadaria abaixo.

A chegada ao cume é feita pela Porta do Céu. O nome faz jus ao esforço necessário para lá chegar. Nos últimos metros, a inclinação é tanta que a velocidade do passo é forçada a reduzir-se. É admirável ver as crianças mais pequenas a chegar pelo próprio pé!

Uma vez lá em cima, é impossível ignorar a paisagem. O contraste das montanhas com uma cidade densamente urbanizada é deste ângulo ainda mais nítido. No horizonte, vislumbra-se o impacto do crescimento económico.

Ainda assim, o que os peregrinos procuram mesmo são os templos. É lá que queimam o incenso que carregaram durante a viagem. Há quem atire moedas ao ar e quem pendure notas em pequenos fragmentos de tecido vermelho. O vermelho é, aliás, a cor dominante usada para atrair a boa sorte. Mas há também quem acaricie as notas penduradas e as entradas dos cofres das esmolas. Dizem que são símbolos de prosperidade. Serão esses os valores mais importantes desta sociedade?

Guia prático para visitar Tài Shãn

Quando ir | O outono é a melhor altura do ano para visitar a montanha. Vá prevenido com agasalhos. As condições meteorológicas no topo da montanha são bastante variáveis.

Rotas | Existem duas rotas, a Central e a Ocidental. Há também acesso por teleférico. O autocarro vai apenas até meio do percurso.

Custos | Consoante a época do ano, o custo da entrada na montanha varia entre 100 e 125 RMB (cerca de 15-20 EUR). Estudantes e idosos têm um desconto de 50%.

Duração | Para subir e descer a montanha a pé são necessárias cerca de 8 horas. Se quiser ver o nascer do sol, convém subir ao fim da tarde e pernoitar nos abrigos disponíveis.

O que levar | Alguma comida e água. Se precisar de mais, há muitos locais onde os poderá comprar. Vá ainda prevenido com um agasalho mesmo que as temperaturas estejam agradáveis.

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