Santarém é um livro de pedra em que a mais interessante das nossas crónicas está escrita. (Almeida Garrett)

A minha primeira grande viagem sem os meus pais foi a Santarém. Devia ter uns 12 anos. O percurso de Braga até à “Capital do Gótico” pareceu-me, nessa altura, muito longa. Ainda assim, deve ter passado depressa porque ia com amigos da escola. A cidade pareceu-me, então, enorme. Devo ter visitado diversos monumentos que contam a história de Portugal, mas só um local me ficou claramente na memória: o Jardim das Portas do Sol.

Por isso, é pelo jardim-com-o-nome-mais-bonito-de-sempre que começamos este passeio. Caminhamos pelo vasto espaço de árvores altas onde um senhor vestido de branco passeia de bicicleta enquanto outras pessoas namoram ou conversam numa esplanada. Aproximamo-nos das muralhas que rodeiam o jardim, subimos alguns degraus e como disse uma criança que ali passava: “Olha o rio Tejo! Que lindo!”

Para mim, este é um dos miradouros mais bonitos do nosso país, de onde se vêem, além do Tejo, a extensa Lezíria ribatejana e a Ponte D. Luís, considerada, em 1881, a maior da Península Ibérica, a terceira da Europa e a sexta do mundo.

Se o Jardim das Portas do Sol justifica só por si uma visita à cidade, há outros pontos de interesse. Por isso, continuemos a andar, que o centro histórico se percorre facilmente a pé.

Igreja de São João do Alporão, Jardim das Portas do Sol e Jardim da República

Interior e fachada da Igreja de Nossa Senhora da Graça e escultura “O Menino e o Pato”

Vamos agora em direção à Igreja de Nossa Senhora da Graça, edificada nos séc. XIV e XV. Pelo caminho, passamos por uma torre das muralhas que rodeavam Santarém, a Torre das Cabaças, adaptada a torre-relógio no século XV.

Chegados à igreja, observamos a sua fachada gótica, com uma rosácea e um pórtico bordados a pedra, entrando depois com uns turistas brasileiros no seu interior. A sua excitação deve-se ao facto de estar aí sepultado o descobridor do Brasil. Deixámo-los a tirar “selfies” junto ao túmulo de Pedro Álvares Cabral e vamos ver a Casa Brasil, na esquina oposta à igreja. Não entrámos no edifício onde morou a família do famoso navegador, mas quem estiver interessado poderá aí recordar a relação de Santarém com os Descobrimentos e, particularmente, com o Brasil.

Queremos agora ver outra igreja, a de Nossa Senhora de Marvila, conhecida como a “Catedral do Azulejo” em Portugal e, para mim, uma das mais bonitas que há.

Igreja de Nossa Senhora de Marvila

Escultura “Pega de Caras” no Jardim da Liberdade

Santarém é, aliás, muito interessante para qualquer apreciador de azulejos. Enquanto andamos pelo centro histórico, atravessando ruas como a Serpa Pinto, a Primeiro de Dezembro ou a Capelo e Ivens, somos cativados por fachadas cheias de exemplares antigos. Alguns edifícios estão infelizmente degradados ou praticamente em ruínas. Não é, pois, de admirar que esta parte da cidade também esteja aos poucos a ser abandonada, sobretudo pelos mais novos, que quase não se vêem por aqui.

Seguindo pela Rua Serpa Pinto, vamos ter à Praça Sá de Bandeira, onde fica a Sé Catedral, construída sobre as ruínas do Paço Real nos séc. XVII e XVIII, assim como a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, que não visitamos por estarem fechadas.

Haveria muitas outras igrejas para ver como, por exemplo, a Igreja de Santo Estevão (Santuário do Santíssimo Milagre), uma das mais importantes para os escalabitanos, e o Convento de S. Francisco, onde está sepultado o rei D. Fernando e na qual D. João II foi aclamado rei.

Sé Catedral de Santarém

Entrada principal do Mercado Municipal de Santarém

É, porém, para o Mercado Municipal (1928) que nos encaminhamos por fim. E lá estão, mais uma vez, os azulejos, belíssimos, estes da Fábrica de Sacavém. Damos a volta ao edifício, para apreciar os painéis que decoram as fachadas: uns ilustrando paisagens ribatejanas, outros as principais atividades pecuárias da região.

Para o almoço, recomendam-nos bacalhau assado com magusto (ou mangusto), um prato tradicional confecionado com couve, pão, azeite e alho, podendo também levar feijão. Gostámos, pena foi que o magusto não estivesse muito quente. Há, porém, que tentar ver o lado positivo: segundo o dono do restaurante, tinha sido confecionado no dia anterior para ficar mais saboroso.

Mercado Municipal de Santarém

Mercado Municipal de Santarém

Passeio realizado no sábado, 23 de Janeiro de 2016

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3 Comentários

  1. Uma cidade que é também um pouco minha!! Fico sempre muito orgulhosa quando vejo post's sobre o Ribatejo! Espero que tenham gostado e que voltem! 🙂

  2. Estou em Caldas da Rainha e pretendo ir a Santarém, amanhã.
    Vou seguir suas orientações.
    Grata,

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