Verde: é a primeira palavra que associo à Eslovénia, um belo país de montanhas, vales e florestas, de lagos, rios e cascatas de água cristalina. Um país onde nos sentimos como se estivéssemos sempre no campo – sem o sentido pejorativo da palavra.

A Eslovénia uma nação pequena, limpa e organizada, que fazia parte da ex-Jugoslávia, assim como a Croácia, Bósnia-Herzegovina e Montenegro, por onde andámos no ano passado. Estivemos para visitar a Eslovénia nessa altura, mas tínhamos pouco tempo e nós gostamos é de viajar devagar.

Fomos este ano e ainda bem que esperamos. Porque a Eslovénia é um destino maravilhoso para quem gosta de natureza, para quem tem tempo para parar e apreciar lentamente. Percorremos o país de carro durante uma semana, saindo sempre que possível para andar a pé, em busca de desfiladeiros, cascatas, miradouros, pontes suspensas, grutas e outras surpresas. Este foi o itinerário da nossa viagem.

Roteiro de viagem na Eslovénia

Dia 0: Voo Lisboa – Zagreb

A nossa viagem à Eslovénia não começou da melhor maneira, devido a um atraso de 3 horas do voo da Croatia Airlines, entre Lisboa e Zagreb, a capital da Croácia.

Aterrámos às 00:30 (hora local) e fomos logo ao balcão da Alamo levantar o carro que tínhamos alugado online através da Croatia Airlines. Nessa noite, ficámos alojados num hotel perto do aeroporto de Zagreb, reservado previamente.

Dicas:

  • Não há voos diretos entre Portugal e a Eslovénia. Por isso, optámos por voar diretamente de Lisboa para Zagreb (3 horas de voo). Daí para Liubliana, são cerca de 2 horas de carro;
  • Quanto ao aluguer do carro, pesquisámos preços em vários sites, como o da autoeurope.pt. Na altura, a Croatia Airlines tinha a melhor oferta;
  • Se chegar fora de horas como nós, convém telefonar para o alojamento a avisar. No hotel em que ficámos, aceitaram abrir-nos a porta quase às 2 horas da manhã;
  • A moeda croata é o “Kuna”, mas alguns hotéis aceitam Euros, especialmente os que ficam perto do aeroporto.

Dormida: Zagreb (Rooms Pleška, perto do aeroporto)

Dia 1: Zagreb – Liubliana

Saímos de Zagreb às 8:30 da manhã. Duas horas depois, chegámos a Liubliana, a capital da Eslovénia, onde passámos o resto do dia. Pedimos informações no posto de turismo e fomos explorar o centro histórico, o qual se percorre facilmente a pé ou de bicicleta.

Dicas:

  • Entre a Croácia e a Eslovénia, há controlo fronteiriço, mesmo pertencendo ambos os países à União Europeia, ou seja, é preciso mostrar o Cartão de Cidadão ou o Passaporte;
  • À entrada na Eslovénia, é fundamental comprar uma vinheta para colar no vidro do carro, de modo a poder circular nas auto-estradas. As vinhetas vendem-se numa carrinha ofical, parada no parque de estacionamento mal se passa a fronteira eslovena. Preço: 15 euros (7 dias);
  • Uma vez que, em Liubliana, o estacionamento é quase sempre pago, convém reservar um alojamento com estacionamento privado gratuito.

Veja o nosso artigo sobre Liubliana.

Dormida: Liubliana (Isabella Rooms B&B)

Sofia a passar de bicicleta à frente do Parlamento esloveno, em Liubliana

Dia 2: Liubliana – Kamnik – Velika Planina – Liubliana

Quisemos passar este dia a caminhar em Velika Planina, a mais bela pastagem alpina da Eslovénia, situada a 25 km de Liubliana. No caminho, ainda parámos em Kamnik, uma pequena cidade medieval, percorrendo a rua Sutna, a mais colorida da localidade.

Veja o nosso artigo sobre Velika Planina.

Dormida: Liubliana (Isabella Rooms B&B)

Velika Planina

Dia 3: Liubliana – Lago Bohinj – Cascata Savica – Lago Bled

De Liubliana ao Lago Bohinj são menos de duas horas de viagem. O resto do dia foi passado a andar de barco a remos neste que é o maior lago natural da Eslovénia, com direito a uma trovoada de verão. Depois fizemos o percurso pedestre até à cascata Savica, a mais visitada do país, pelo meio de uma floresta de faias e, ao anoitecer, contemplámos o Lago Bled, a principal atração turística nacional.

Dica | O trilho até à cascata Savica é linear (800 metros com muitas escadas) e demora cerca de 30 minutos. Tem início no estacionamento da cascata, perto do lago Bohinj. Preço: 3 euros. Se estiverem a planear ir ao Parque Nacional Triglav e visitar outras cascatas, esta é dispensável.

Dormida: Lago Bled (Pr Klaudiji Guest House Bled)

Lago Bohinj

Dia 4: Lago Bled

Dedicámos todo o dia ao Lago Bled: quer com os pés dentro da água azul cristalina, quer no caminho que existe à sua volta, quer a explorar os vários miradouros, de onde é ainda mais bonito.

O que poderá visitar no Lago Bled | A ilha no meio do lago, o castelo, o miradouro Ojstrica e o desfiladeiro de Vintgar.

Dica | Dada a dificuldade em estacionar, optámos por um alojamento com parqueamento privado gratuito, a 10 minutos a pé do lago. O pequeno-almoço era muito bom!

Veja o nosso artigo sobre o lago Bled.

Dormida: Lago Bled (Pr Klaudiji Guest House Bled)

Vista do lago Bled a partir do miradouro Ojstrica

Dia 5: Lago Bled – Cascata Pericnik – Reserva Natural Zelenci – Lago Jasna – Estrada Russa – Capela Russa – Vrsic Pass – Cascata Virje – Cascata Kozjak

Foi o nosso dia preferido na Eslovénia. Passámo-lo a explorar o Parque Nacional Triglav. É aí que ficam os Alpes Julianos e o Monte Triglav, a montanha mais alta do país (2.864 metros). Vimos lagos e rios de águas cristalinas, entre os quais o azulíssimo Rio Soca. Atravessámos pontes suspensas. Percorremos vales verdejantes e montanhas cobertas por árvores, incluindo uma impressionante estrada com 50 cotovelos a que chamam russa, por ter sido construída por prisioneiros russos durante a Segunda Guerra Mundial, onde existe uma adorável capela toda em madeira, em memória daqueles que aí perderam a vida devido a uma avalanche. Caminhámos até às cascatas Pericnik, Virje e Kozjak, as nossas favoritas. Em suma, chegámos ao final do dia exaustos, mas felizes.

Veja o nosso artigo sobre o Parque Nacional Triglav.

Dormida: Sežana (Residence Apolonija Guest House) – Teria sido preferível ficar a dormir em Tolmin, ainda no Parque Nacional Triglav.

Cascata Virje, no Parque Nacional Triglav

Dia 6: Grutas Skocjan – Desfiladeiro de Tolmin – Piran

Estávamos indecisos sobre se devíamos ou não visitar as grutas Skocjan, mas ainda bem que o fizemos, porque são diferentes de todas as que conhecíamos. Declaradas Património Mundial pela UNESCO, são um autêntico “grand canyon” subterrâneo.

Dicas:

  • As visitas só podem ser feitas na companhia de um guia;
  • Há 2 percursos disponíveis: o percurso clássico pelo canyon subterrâneo (18 euros) e o percurso clássico + o percurso a acompanhar o rio Reca debaixo da terra (24 euros). Preços e horários atualizados no site oficial;
  • O percurso clássico demora 2 horas.

Da parte da tarde, quisemos visitar o Desfiladeiro de Tolmin, por onde correm dois rios transparentes entre faces rochosas verticais. Por isso, voltámos ao Parque Nacional Triglav. A visita ao desfiladeiro consiste num percurso circular (3 km, 2 horas), com início em Zatolmin. Preço: 5 euros.

Por fim, e porque não queríamos deixar a Eslovénia sem ver o mar, fomos a Piran, uma adorável cidade costeira, ainda mais romântica ao pôr-do-sol.

Dicas:

  • Em Piran, praticamente não circulam carros. Paga-se uma taxa de 5 euros/hora para entrar na cidade e é preciso um passe especial para estacionar;
  • O melhor é deixar o carro no parque de estacionamento antes de se descer para a cidade. Daí parte um autocarro gratuito, e muito regular, para a praça Tartini, o coração do centro histórico (e vice-versa);
  • A parte antiga percorre-se facilmente a pé;
  • O mar Adriático é mais quente do que o Atlântico. Apesar de não haver areia, há acessos ao mar ao longo do paredão, para quem quiser nadar nas suas águas transparentes.

Dormida: Sežana (Residence Apolonija Guest House)

Pôr-do-sol em Piran

Dia 7: Viagem de carro até Zagreb (3 horas) e voo de regresso para Lisboa (3 horas)

Dica | Se contratou o aluguer do carro com depósito de combustível cheio, não se esqueça de o encher pelo caminho, porque perto do aeroporto de Zagreb não há bombas de gasolina.

O que mais gostámos de fazer na Eslovénia

Em jeito de balanço final, as coisas de que mais gostámos na Eslovénia foram: andar de bicicleta em Liubliana, caminhar em Velika Planina, ver o lago Bled do miradouro Ojstrica; percorrer a estrada russa; caminhar até à cascata Kozjak; percorrer as grutas Skocjan e, por fim, ver Piran ao pôr-do-sol.

Últimas dicas

  • Moeda: Euro
  • Diferença horária para Portugal continental: GMT +1hora
  • Idioma: esloveno, mas facilmente encontrará quem fale inglês
  • Quando ir: primavera/verão
  • Turismo da Eslovénia: www.slovenia.info/en

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Boas viagens à solta!

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4 Comentários

  1. Ansiei tanto por esta publicação, assim que descobrir que estavam na Eslovénia, quero muito conhecer este país.
    Obrigada pelo roteiro, têm muito “bom gosto” nas viagens que escolhem.
    Beijos

  2. Olá Paulo,

    Descobri este post quando estava à procura de informações sobre Liubliana. Gostei muito do que escreveste e a curiosidade em visitar o país aumentou. Em relação aos preços de alojamento e alimentação achaste a Eslovénia cara?

    Um abraço.

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