Os Picos da Europa são uma das regiões montanhosas mais bonitas não só de Espanha, mas de toda a Europa. Situam-se no norte de Espanha, não muito longe de Portugal, sendo por isso um destino perfeito para uma viagem de carro de alguns dias.

Estendendo-se pelas comunidades autónomas das Astúrias, Cantábria e Castela e Leão, o Parque Nacional dos Picos da Europa abrange um território demasiado vasto para caber num só artigo. Por esse motivo, em vez de um guia completo sobre os Picos de Europa, partilhamos um roteiro de carro pelos nossos lugares preferidos, incluindo os locais, as estradas panorâmicas e os percursos pedestres que mais nos encantaram.

Tópicos

Mapa para visitar os Picos da Europa

mapa dos picos da europa
Mapa dos Picos da Europa com indicação dos locais a visitar

Roteiro pelos Picos da Europa (de carro)

Dia 1: Cangas de Onís – Basílica de Covadonga – Lagos Enol e Ercina

Cangas de Onís

Cangas de Onís foi a primeira capital do reino das Astúrias. Situada junto ao Maciço Ocidental dos Picos de Europa e cruzada pelo rio Sella, é uma pequena e acolhedora povoação, com todos os serviços e uma envolvência magnífica. A sua principal atração é a ponte romana onde se pode observar a Cruz da Vitória, o principal símbolo das Astúrias.

A não perder | A ponte romana, o mercado tradicional onde se vendem queijos artesanais da região aos domingos de manhã e o Centro de Receção de Visitantes do Parque Nacional dos Picos da Europa.

Cruz da Vitória e queijos dos Picos da Europa
À esquerda: Cruz da Vitória na ponte romana de Cangas de Onís. À direita: queijo de Cabrales

Basílica de Covadonga

A partir de Cangas de Onís, começamos a subir para Covadonga, um dos percursos mais concorridos do Parque Nacional.

A basílica de Covadonga, apesar de não apresentar grande interesse, justifica uma paragem devido à sua localização.

Junto da basílica existe uma gruta – a Santa Cova – onde se encontram a Virgem de Covadonga (a que os asturianos carinhosamente chamam “La Santina”) e o sepulcro de D. Pelayo, figura histórica que iniciou a reconquista cristã da Península Ibérica aos mouros.

Basílica de Covadonga
Basílica de Covadonga

Lagos Enol e Ercina

Subindo mais 12 km, e vencendo um desnível de quase mil metros, chegamos aos famosos lagos de Covadonga: o Lago Enol e o Lago Ercina, de origem glaciar. A estrada para lá chegar é impressionante, oferecendo-nos grandes vistas panorâmicas.

Percursos pedestres | Dos lagos partem diversos trilhos, incluindo alguns muito acessíveis como o percurso que dá a volta a ambos (cerca de 2 horas de duração).

Dicas para visitar os lagos de Covadonga:

  • Durante o verão, a Semana Santa e certos feriados só se pode aceder aos lagos de autocarro, os quais partem de Cangas de Onís de de 15 em 15 minutos. Durante o resto do ano, pode-se ir de automóvel;
  • Ao lado do parque de estacionamento dos lagos, existe um centro de visitantes, onde se podem obter mapas dos percursos pedestres;
  • Se desejar fazer um dos trilhos, deve ir aos lagos de manhã ou ao início da tarde, para ter tempo suficiente para o percorrer.

Dormida em Cangas de Onís

Lago Ercina
Lago Ercina

Dia 2: Desfiladeiro de Los Beyos – Rota do Cares – Caín

Desfiladeiro de Los Beyos

A sul de Cangas de Onís, vale a pena percorrer a espetacular estrada N-625 pelo Desfiladeiro de Los Beyos, uma garganta fluvial que acompanha o curso do Rio Sella ao longo de 14 km.

Rota do Cares

A Rota do Cares é um dos percursos pedestres mais populares do Parque Nacional. Liga os povoados de Caín e Poncebos, acompanhando a dramática garganta do Rio Cares, ao longo de 12 km. Se tivéssemos de escolher uma caminhada a fazer nos Picos da Europa, seria certamente esta.

Dormida em Caín

Hostal Casa Tino

Rota do Cares
Rota do Cares

Dia 3: Potes – Tanarrio – Fuente Dé – Desfiladeiro de La Hermida – Sotres

Potes

Partindo de Caín a caminho de Fuente Dé, vale a pena parar em Potes, uma vila medieval cujas principais atrações são a Torre do Infantado (do séc. XV) e a ponte medieval sobre o rio Deva.

Tanarrio

De Potes a Fonte Dé são apenas 20 km pela estrada CA-185. Mais ou menos a meio, poderá ir espreitar a pequeníssima aldeia de Tanarrio, cujos habitantes desfrutam de uma das vistas mais admiráveis do Maciço Oriental dos Picos da Europa.

Centro de Potes
Centro de Potes

Fuente Dé

É de Fuente Dé que parte um teleférico que, em 4 minutos, nos leva aos 1.834 metros de altitude. Se não houver nevoeiro, as vistas lá de cima são magníficas.

Percursos pedestres | Do teleférico partem numerosos trilhos com diferentes graus de dificuldade. Da próxima vez que formos aos Picos de Europa, queremos fazer o trilho “Los Puertos de Pembes” através de Puertos de Aliva até Los Llanos (15,5 km, 4h30). Em Los Llanos, pode-se apanhar um autocarro de volta a Fuente Dé. Este trilho passa por Mogrovejo, considerado uma das povoações mais bonitas da Cantábria e uma das poucas que estão situadas dentro do Parque Nacional dos Picos da Europa.

Teleférico de Fuente Dé
Teleférico de Fuente Dé

Desfiladeiro de La Hermida

De Fuente Dé, seguimos para Sotres. Para lá chegar, há que passar novamente em Potes e depois pela estreita N-621, uma estrada que atravessa o Desfiladeiro de La Hermida, acompanhando o serpenteante rio Deva, entre paredes rochosas quase verticais.

Se tiver tempo, poderá fazer duas paragens: uma na igreja moçárabe de Santa Maria de Lebeña (do séc. X) e outra no Spa La Hermida, para desfrutar de uma das melhores nascentes de água mineral de Espanha.

Sotres

Situada a 1.050 metros de altitude, Sotres é a aldeia mais alta dos Picos da Europa.

À semelhança de Bulnes, a localidade viveu praticamente isolada até há poucas décadas, preservando a essência dos Picos da Europa. Casinhas de pedra, montanhas, prados onde andam vacas a pastar, boa gastronomia e uma estrada com paisagens deslumbrantes para lá chegar.

Percursos pedestres | Sotres também é o ponto de partida para alguns dos melhores trilhos nos Picos de Europa como, por exemplo, o que conduz à aldeia de Bulnes através de Pandébano, que queremos fazer brevemente, e o muito exigente percurso até ao Naranjo de Bulnes.

Dormida em Sotres

Hotel Rural Peña Castil

Aldeia de Sotres
Aldeia de Sotres – (cc) Eagletusk

Dia 4: Poncebos – Bulnes – Naranjo de Bulnes

Poncebos

De Sotres continuamos viagem até Poncebos, de onde partem dois caminhos de culto (e os nossos prediletos) nos Picos da Europa: o desfiladeiro do Cares (que referimos anteriormente) e a subida a Bulnes.

Bulnes

Bulnes é uma aldeia a 649 metros de altitude, apenas acessível a pé ou de funicular.

Uma vez que o funicular é subterrâneo, para apreciar as belíssimas vistas, é preciso percorrer a pé o antigo caminho entre as duas aldeias.

Para poupar as pernas, poderá fazer como nós: subir de funicular até Bulnes e, no dia seguinte, descer a pé até Poncebos.

Bulnes
Bulnes (El Castillo)

Naranjo de Bulnes (ou Pico Urriellu)

O Naranjo de Bulnes é a montanha mais emblemática dos Picos da Europa. Fazendo uma curta caminhada desde Bulnes, é possível avistá-lo.

Dormida em Bulnes

La Casa del Chiflón

Naranjo de Bulnes
Outros miradouros para contemplar o Naranjo de Bulnes localizam-se em Poo de Cabrales, Asiego e Camarmeña. São todos acessíveis de carro e ficam perto uns dos outros.

Como chegar aos Picos da Europa

De carro

Desde Lisboa

Nós fomos sempre de carro aos Picos da Europa, até porque a viagem desde Lisboa é simples, via Salamanca, Zamora, Léon, Oviedo até Cangas de Onís (tempo aproximado: 8 horas).

Tente ir sempre que possível pelas autovias espanholas: além de terem bom piso, não têm portagens.

Desde o Porto

Do Porto, o percurso é mais curto, via Chaves, Puebla de Sanabria, Léon e, finalmente, Cangas de Onís (tempo aproximado: 5h30).

Alternativamente, poderá seguir um trajeto mais turístico, mas mais longo, através de Vigo, Santiago de Compostela, Corunha e daí percorrendo todo o litoral até Gijón (6 horas).

De avião

Há voos diretos de Portugal para Oviedo. Uma vez em Oviedo, será necessário alugar um automóvel para fazer o roteiro que sugerimos neste artigo.

Vacas nos Picos da Europa

Quando visitar os Picos da Europa

Na nossa opinião, os meses da primavera e do outono são os ideais para visitar os Picos da Europa.

Dicas

  • Covadonga, a Rota do Cares e Fuente Dé são as zonas mais conhecidas e frequentadas do parque. Se não gosta de multidões, evite visitá-las durante o verão, aos fins-de-semana e feriados. Se não tiver alternativa, opte por ir de manhã bem cedo;
  • No verão, primavera e outono, o tempo costuma ser ameno. As temperaturas nunca sobem muito, mas os choviscos são frequentes. Um impermeável é, pois, fundamental:
  • No inverno, o clima é rigoroso e costuma nevar.

O que provar nos Picos da Europa

  • Queijos tradicionais como o Gamonéu, o Cabrales e os queijos de Aliva, Lebeña e Tresviso
  • Sidra, vertida do alto para os copos
  • Entrecot com molho de Cabrales
  • Fabada asturiana
  • Cabrito assado
Sidra e queijos dos Picos da Europa

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29 Comentários

  1. Bom Dia,
    Regresso desta viagem pelos Picos da Europa a diferença é que a nossa foi feita sobre duas rodas e com extensão pelas Asturias.
    Apesar de ser tão esperada não conseguimos fazer a Ruta del Cares, iniciamos por Poncebos mas não consideramos de nivel fácil dado a temperatura desse dia ser alta e sem sombra, pelo caminho ser em pedra(s), pela largura e falta de segurança dos trilhos mesmo em locais vertiginosos.
    Quanto ao resto é verdadeiramente fantastico.
    Adoramos esta viagem!

    • Olá Gabriela! A viagem é, de facto, fantástica! Quanto à Ruta del Cares, torna-se mais fácil se iniciada em Caín em vez de Poncebos. Em Poncebos, há uma subida acentuada e sem sombras logo ao início que, em dias de calor, deve ser realmente difícil. O resto do trajeto é plano e relativamente fácil, apesar de longo. No verão, muitas pessoas fazem o trilho e deve ser complicado fazer ultrapassagens, uma vez que o caminho é estreito e não há protecção nas bermas. Por isso é que aconselhámos as pessoas a fazerem a Rota – se possível – na primavera ou no outono, evitando os fins-de-semana e feriados. Beijinhos e continuação de boas viagens!

  2. Perfeito. Isto já não é um mero blogue pessoal, mas sim um site completíssimo sobre os destinos que visitam. Cada vez melhor. Gostei do novo mapa. Parabéns

  3. Olá Sofia e Paulo,

    Paisagens lindas e lugares que nós brasileiros, pouco ouvimos falar. Um roteiro perfeito para contemplar a natureza. Parabéns e obrigada por compartilhar suas experiências de viagens.

  4. Ricardo Corrêa Mendes

    Gostei do que vi na apresentação.
    Um local a visitar

  5. Bom dia Sofia e Paulo. Já visito o vosso blog à cerca de ano e meio e vocês fazem-me voltar aos finais dos anos noventa, quando, durante cerca de dez anos, visitei todos os anos os Picos de Europa. Fiz quase todas as Rutas, com a minha mulher e o meu filho adolescente. Fiz a Ruta del Cares três vezes nos dois sentidos, cerca de 23 Kms, a do Picu Urriello, que partia de Sotres e passava pelo Collado de Pandébano, duas vezes e outras que partiam dos Lagos de Covadonga. Ficava hospedado numa povoação chamada Riano, junto ao embalse com o mesmo nome e que teve uma história semelhante a Vilarinho das Furnas, no Parque do Gerês. Lugar lindo que vocês têm que visitar e divulgar. Despeço-me desejando aos dois muita saúde para poderem continuar a viajar e a relatarem-nos todos esses lugares maravilhosos que visitam.

  6. Obrigada pelas informações, nos ajudaram muito quando estivemos agora em dezembro por lá. Um grande abraço e divirta-se pelo mundo!

  7. Maria lucia cruz diegues

    Obrigada pelos relatos tão detalhados, me ajudou muito na confecção de meu roteiro. Pretendo ir com minha filha e meu marido início de julho, somos do Rio de Janeiro, Brasil.

  8. Olá 🙂
    Queria aproveitar o feriado de Junho para fazermos este percurso. Apenas teremos 3 dias disponiveis. (somos do Porto)
    O que achas que dará para encurtar?

    Obrigada

  9. E já agora onde dormir e comer preço/qualidade. Obrigada

  10. Gostei imenso da vossa apresentação, é um óptimo local a visitar 😉
    Obrigado

  11. Boa noite ,
    Esta viagem pelos Picos da Europa ou a de Cantábria e as Astúrias é algo que da pra fazer a pé?
    Quero fazer a caminhada de Santiago e depois sinto o desejo de continuar por Espanha a fora e pelo norte de Espanha…. Há muita coisa que não conheço, e mais procuro mais desejo tenho de ir a diferentes sítios… O que aconselhas ?
    Obrigada

    • Olá,

      Dar, dá, mas não nos parece boa ideia… Já pensou fazer, antes, o Caminho de Santiago francês? Assim ficava a conhecer o norte de Espanha.

      Ficamos a aguardar que nos conte a sua aventura. Bom caminho!

  12. Olá , adorei o post! Mas os 4 dias já incluem o tempo de viagem de Lisboa para lá?
    Obrigado

  13. Parabéns pela partilha e excelente descrição da vossa viagem.
    Obrigada!

  14. Olá Sofia e Paulo, adorei a partilha e fiquei com muita vontade de fazer esta viagem com a família!! Estávamos a pensar em agosto deste ano…. mas o covid deixa nos apreensivos….
    Dada a vossa experiência, qual é a vossa opinião? Acham que serão lugares de grande aglomeração de gente?
    Obrigada pelas partilhas, vou seguir-vos no face!
    Boas viagens!

    • Olá Paula,

      Segundo a nossa experiência, os parques naturais normalmente não são lugares de aglomeração de pessoas, ao contrário, por exemplo, das praias em Agosto. Ainda assim, partilhamos da sua apreensão.

      Beijinhos e boas viagens!

  15. agradecido pela apresentação e dicas, sem duvida uma valia para a viagem que penso fazer.

  16. Boa tarde.
    Estou a pensar fazer do moto, assim que as coisas melhorarem.
    Sabe dizer-me se existe alguma estrada/caminho para fazer de Sostres/Fluente De sem ter de ir por Potes?
    Cumprimentos

  17. Olá Sofia
    As tuas recomendações são bastante uteis para quem não tenha por costume fazer caminhadas ou não imagine um pouco o que será praticar esta modalidade.
    Não é que eu tenha grande experiencia nestas andanças mas infelizmente vivo numa zona em que a cervejinha é mais importante do que ter uma aventura das que (poucas) costumo fazer.
    Eu e a minha esposa, já fizemos a Ruta del Cares e nem imaginávamos no tipo de aventura que iriamos ter. Também não vou dizer que descobri aquela rota por acaso mas sim, quando procurava outras aqui na internet. Descobri a Ruta del Cares e logo me interessei por esta caminhada que dista da minha residência 647kms. Primeiro, comecei por imaginar quando seria a melhor altura do ano para fazer tal caminhada e lendo os teus conselhos, acabo por dar razão que a melhor altura é na Primavera ou no Outono. Depois, como foi a primeira vez, acabei por dar inicio em Poncebos mas sobre a tal subida que tem talvez 2kms sempre a subir, não é nada que não se faça. Sugiro a quem comece esta rota por aqui, que não queira subir tudo de repente subindo aos poucos e indo parando para desfrutar da paisagem. A meio da subida existem umas ruinas do lado esquerdo e sempre se pode fazer uma pausa para saborear um pequeno lanche. A questão desta subida, nunca se deve colocar em causa porque se, se quer fazer a rota completa, começando-a em Poncebos ou em Caín, não hà como fugir desta ingreme subida. Uma chamada de atenção além de tudo o que se deve levar é um guarda-chuva, um fato de oleado ou coisa do género porque quando se vai a chegar ou a iniciar a rota em Caím, temos, sabe-se lá o quando de água a cair no caminho. Também, não sei como mas observei alguém que descobriu uma maneira de ter uma piscina artificial, isto também junto ao inicio de Caín.
    A propósito, descobri agora algumas informações sobre o Caminito del Rey, conheces? Fica a 500kms da minha residência(Fratel) mas mesmo assim estou interessado em fazer aquela Rota. O meu problema é que não tenho companhia. Desculpem, ter companhia eu tenho mas é uma fraca companhia. Alinha comigo até ao local e depois falta-lhe a coragem para o mais importante.
    Bem, fiquem bem e desfrutem da vida.

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