O Parque Nacional dos Picos da Europa, uma das áreas protegidas mais bonitas da Europa, situa-se no norte de Espanha, estendendo-se pelas comunidades autónomas das Astúrias, Cantábria e Castela e Leão. Abrange, pois, um território demasiado vasto para caber num só artigo. Por isso, em vez de um guia completo sobre os Picos da Europa, partilhamos um roteiro de carro pelos nossos lugares preferidos, incluindo os locais, as estradas panorâmicas e os percursos pedestres que mais nos encantaram. Para o fazer na totalidade, são precisos pelo menos 4 dias.

Roteiro de carro pelos Picos da Europa (4 dias)

DIA 1: Cangas de Onís – Basílica de Covadonga – Lagos Enol e Ercina

Cangas de Onís

Cangas de Onís foi a primeira capital do reino das Astúrias. Situada junto ao Maciço Ocidental dos Picos da Europa e cruzada pelo rio Sella, é uma pequena e acolhedora povoação, com todos os serviços e uma envolvência magnífica. A sua principal atração é a ponte romana onde se pode observar a Cruz da Vitória, o principal símbolo das Astúrias.

A não perder | A ponte romana, o mercado tradicional onde se vendem queijos artesanais da região aos domingos de manhã e o Centro de Receção de Visitantes do Parque Nacional dos Picos da Europa.

Basílica de Covadonga

A partir de Cangas de Onís, começamos a subir para Covadonga, um dos percursos mais concorridos do Parque Nacional.

A basílica de Covadonga, apesar de não apresentar grande interesse, justifica uma paragem devido à sua localização. Junto da basílica existe uma gruta – a Santa Cova – onde se encontram a Virgem de Covadonga (a que os asturianos carinhosamente chamam “La Santina”) e o sepulcro de D. Pelayo, figura histórica que iniciou a reconquista cristã da Península Ibérica aos mouros.

Lagos Enol e Ercina

Subindo mais 12 km, e vencendo um desnível de quase mil metros, chegamos aos famosos lagos de Covadonga: o Lago Enol e o Lago Ercina, de origem glaciar. A estrada para lá chegar é impressionante, oferecendo-nos grandes vistas panorâmicas.

Percursos pedestres | Dos lagos partem diversos trilhos, incluindo alguns muito acessíveis como o percurso que dá a volta a ambos (de cerca de 2 horas).

Dicas para visitar os lagos de Covadonga:

  • Durante o verão, a Semana Santa e certos feriados só se pode aceder aos lagos de autocarro, os quais partem de Cangas de Onís de de 15 em 15 minutos. Durante o resto do ano, pode-se ir de automóvel;
  • Ao lado do parque de estacionamento dos lagos, existe um centro de visitantes, onde se podem obter mapas dos percursos pedestres;
  • Se desejar fazer um dos trilhos, deve ir de manhã ou ao início da tarde.

Dormida em Cangas de Onis:

DIA 2: Cangas de Onís – Desfiladeiro de Los Beyos – Rota do Cares

Desfiladeiro de Los Beyos

A sul de Cangas de Onís, vale a pena percorrer a espetacular estrada N-625 pelo Desfiladeiro de Los Beyos, uma garganta fluvial que acompanha o curso do Rio Sella ao longo de 14 km.

Rota do Cares

A Rota do Cares é um dos percursos pedestres mais populares do Parque Nacional. Liga os povoados de Caín e Poncebos, acompanhando a dramática garganta do Rio Cares, ao longo de 12 km. Se tivéssemos de escolher uma caminhada a fazer nos Picos da Europa, seria certamente esta.

Dormida em Caín | Hostal Casa Tino

DIA 3: Caín – Potes – Fuente Dé – Sotres

Potes

Partindo de Caín a caminho de Fuente Dé, vale a pena parar em Potes, uma vila medieval cujas principais atrações são a Torre do Infantado (do séc. XV) e a ponte medieval sobre o rio Deva.

De Potes a Fonte Dé são apenas 20 km pela estrada CA-185. Mais ou menos a meio, poderá ir espreitar a pequeníssima aldeia de Tanarrio, cujos habitantes desfrutam de uma das vistas mais admiráveis do Maciço Oriental dos Picos da Europa.

Fuente Dé

É de Fuente Dé que parte um teleférico que, em 4 minutos, nos leva aos 1.834 metros de altitude. Se não houver nevoeiro, as vistas lá de cima são magníficas.

Percursos pedestres | Do teleférico partem numerosos percursos pedestres com diferentes graus de dificuldade. Da próxima vez que formos aos Picos da Europa, queremos fazer o trilho “Los Puertos de Pembes” através de Puertos de Aliva até Los Llanos (15,5 km, 4h30). Em Los Llanos, pode-se apanhar um autocarro de volta a Fuente Dé. Este trilho passa por Mogrovejo, considerado uma das povoações mais bonitas da Cantábria e uma das poucas que estão situadas dentro do Parque Nacional dos Picos da Europa.

Sotres

De Fuente Dé, seguimos para Sotres, a aldeia mais alta dos Picos da Europa, a 1.050 metros de altitude.

Para lá chegar, há que passar novamente em Potes e, a seguir, pela estreita N-621, uma estrada que atravessa o Desfiladeiro de La Hermida, acompanhando o serpenteante rio Deva, entre paredes rochosas quase verticais. Se tiver tempo, poderá fazer duas paragens: uma na igreja moçárabe de Santa Maria de Lebeña (do séc. X) e outra no Spa La Hermida, para desfrutar de uma das melhores nascentes de água mineral de Espanha.

À semelhança de Bulnes, Sotres viveu praticamente isolada até há poucas décadas, preservando a essência dos Picos da Europa. Casinhas de pedra, montanhas, prados onde andam vacas a pastar, boa gastronomia e uma estrada com paisagens deslumbrantes para lá chegar.

Percursos pedestres | Sotres também é o ponto de partida para alguns dos melhores trilhos nos Picos da Europa como, por exemplo, o que conduz à aldeia de Bunes através de Pandébano, que queremos fazer brevemente, e o muito exigente percurso até ao Naranjo de Bulnes.

Dormida em Sotres | Hotel Rural Peña Castil

(cc) Eagletusk

DIA 4: Sotres – Poncebos – Bulnes

Poncebos

De Sotres continuamos viagem até Poncebos, de onde partem dois caminhos de culto (e os nossos prediletos) nos Picos da Europa: o desfiladeiro do Cares, que referimos anteriormente, e a subida a Bulnes.

Bulnes

Bulnes é uma isolada aldeia a 649 metros de altitude, apenas acessível a pé ou de funicular. Uma vez que o funicular é subterrâneo, para apreciar as belíssimas vistas, é preciso percorrer a pé o antigo caminho entre as duas aldeias. Para poupar as pernas, poderá fazer como nós: subir de funicular até Bulnes e descer a pé até Poncebos.

Naranjo de Bulnes (ou Pico Urriellu)

O Naranjo de Bulnes é a montanha mais emblemática dos Picos da Europa. Fazendo uma curta caminhada desde Bulnes, é possível avistá-lo. Outros miradouros para o contemplar localizam-se em Poo de Cabrales, Asiego e Camarmeña. Estes últimos são acessíveis de carro e ficam perto uns dos outros.

Dormida em Bulnes | La Casa del Chiflón

Guia prático para visitar os Picos da Europa

Como ir

Nós fomos sempre de carro, até porque a viagem desde Lisboa é simples, via Salamanca, Zamora, Léon, Oviedo até Cangas de Onís (tempo aproximado: 8 horas). Tente ir sempre que possível pelas autovias espanholas: além de terem bom piso, não têm portagens.

Do Porto, o percurso é mais curto, via Chaves, Puebla de Sanabria, Léon e, finalmente, Cangas de Onís (tempo aproximado: 5h30). Alternativamente, poderá seguir um trajeto mais turístico, mas mais longo, através de Vigo, Santiago de Compostela, Corunha e daí percorrendo todo o litoral até Gijón (6 horas).

A TAP tem voos directos de Lisboa para Oviedo, onde poderá alugar um automóvel, o meio mais adequado para explorar a região.

Quando ir

Na nossa opinião, os meses da primavera e do outono são os ideais para visitar os Picos da Europa.

Covadonga, a Rota do Cares e Fuente Dé são as zonas mais conhecidas e frequentadas do parque. Se não gosta de multidões, evite visitá-las durante o verão, aos fins-de-semana e feriados. Se não tiver alternativa, opte por ir de manhã bem cedo.

Dica | Na primavera, no verão e no outono, o tempo costuma ser ameno. As temperaturas nunca sobem muito, mas os choviscos são frequentes. Um impermeável é, pois, fundamental. No inverno, o clima é rigoroso e costuma nevar.

O que provar

  • Queijos tradicionais como o Gamonéu, o Cabrales e os os queijos de Aliva, Lebeña e Tresviso;
  • A sidra, que se verte do alto para os copos;
  • Entrecot com molho de Cabrales;
  • Fabada asturiana;
  • Cabrito assado.

Se gostaram deste artigo, podem deixar um comentário ou seguir o Facebook e o Instagram do Viagens à Solta. A vocês não custa nada e a nós motivar-nos-á a partilhar mais experiências de viagem.

Veja ainda:

26 Comentários

  1. Bom Dia,
    Regresso desta viagem pelos Picos da Europa a diferença é que a nossa foi feita sobre duas rodas e com extensão pelas Asturias.
    Apesar de ser tão esperada não conseguimos fazer a Ruta del Cares, iniciamos por Poncebos mas não consideramos de nivel fácil dado a temperatura desse dia ser alta e sem sombra, pelo caminho ser em pedra(s), pela largura e falta de segurança dos trilhos mesmo em locais vertiginosos.
    Quanto ao resto é verdadeiramente fantastico.
    Adoramos esta viagem!

    • Olá Gabriela! A viagem é, de facto, fantástica! Quanto à Ruta del Cares, torna-se mais fácil se iniciada em Caín em vez de Poncebos. Em Poncebos, há uma subida acentuada e sem sombras logo ao início que, em dias de calor, deve ser realmente difícil. O resto do trajeto é plano e relativamente fácil, apesar de longo. No verão, muitas pessoas fazem o trilho e deve ser complicado fazer ultrapassagens, uma vez que o caminho é estreito e não há protecção nas bermas. Por isso é que aconselhámos as pessoas a fazerem a Rota – se possível – na primavera ou no outono, evitando os fins-de-semana e feriados. Beijinhos e continuação de boas viagens!

  2. Perfeito. Isto já não é um mero blogue pessoal, mas sim um site completíssimo sobre os destinos que visitam. Cada vez melhor. Gostei do novo mapa. Parabéns

  3. Olá Sofia e Paulo,

    Paisagens lindas e lugares que nós brasileiros, pouco ouvimos falar. Um roteiro perfeito para contemplar a natureza. Parabéns e obrigada por compartilhar suas experiências de viagens.

  4. Ricardo Corrêa Mendes

    Gostei do que vi na apresentação.
    Um local a visitar

  5. Bom dia Sofia e Paulo. Já visito o vosso blog à cerca de ano e meio e vocês fazem-me voltar aos finais dos anos noventa, quando, durante cerca de dez anos, visitei todos os anos os Picos de Europa. Fiz quase todas as Rutas, com a minha mulher e o meu filho adolescente. Fiz a Ruta del Cares três vezes nos dois sentidos, cerca de 23 Kms, a do Picu Urriello, que partia de Sotres e passava pelo Collado de Pandébano, duas vezes e outras que partiam dos Lagos de Covadonga. Ficava hospedado numa povoação chamada Riano, junto ao embalse com o mesmo nome e que teve uma história semelhante a Vilarinho das Furnas, no Parque do Gerês. Lugar lindo que vocês têm que visitar e divulgar. Despeço-me desejando aos dois muita saúde para poderem continuar a viajar e a relatarem-nos todos esses lugares maravilhosos que visitam.

  6. Obrigada pelas informações, nos ajudaram muito quando estivemos agora em dezembro por lá. Um grande abraço e divirta-se pelo mundo!

  7. Maria lucia cruz diegues

    Obrigada pelos relatos tão detalhados, me ajudou muito na confecção de meu roteiro. Pretendo ir com minha filha e meu marido início de julho, somos do Rio de Janeiro, Brasil.

  8. Olá 🙂
    Queria aproveitar o feriado de Junho para fazermos este percurso. Apenas teremos 3 dias disponiveis. (somos do Porto)
    O que achas que dará para encurtar?

    Obrigada

  9. E já agora onde dormir e comer preço/qualidade. Obrigada

  10. Gostei imenso da vossa apresentação, é um óptimo local a visitar 😉
    Obrigado

  11. Boa noite ,
    Esta viagem pelos Picos da Europa ou a de Cantábria e as Astúrias é algo que da pra fazer a pé?
    Quero fazer a caminhada de Santiago e depois sinto o desejo de continuar por Espanha a fora e pelo norte de Espanha…. Há muita coisa que não conheço, e mais procuro mais desejo tenho de ir a diferentes sítios… O que aconselhas ?
    Obrigada

    • Olá,

      Dar, dá, mas não nos parece boa ideia… Já pensou fazer, antes, o Caminho de Santiago francês? Assim ficava a conhecer o norte de Espanha.

      Ficamos a aguardar que nos conte a sua aventura. Bom caminho!

  12. Olá , adorei o post! Mas os 4 dias já incluem o tempo de viagem de Lisboa para lá?
    Obrigado

  13. Parabéns pela partilha e excelente descrição da vossa viagem.
    Obrigada!

  14. Olá Sofia e Paulo, adorei a partilha e fiquei com muita vontade de fazer esta viagem com a família!! Estávamos a pensar em agosto deste ano…. mas o covid deixa nos apreensivos….
    Dada a vossa experiência, qual é a vossa opinião? Acham que serão lugares de grande aglomeração de gente?
    Obrigada pelas partilhas, vou seguir-vos no face!
    Boas viagens!

    • Olá Paula,

      Segundo a nossa experiência, os parques naturais normalmente não são lugares de aglomeração de pessoas, ao contrário, por exemplo, das praias em Agosto. Ainda assim, partilhamos da sua apreensão.

      Beijinhos e boas viagens!

  15. agradecido pela apresentação e dicas, sem duvida uma valia para a viagem que penso fazer.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *