Vamos com tanta frequência a Aveiro, no centro de Portugal, que já brincam connosco. “Outra vez por aqui?”, “Quando se mudam para cá?”, “Vocês gostam mesmo disto.” – dizem-nos. É verdade, gostamos mesmo de visitar Aveiro e das pessoas que lá conhecemos. Por isso, havemos de voltar mais vezes.

De todos os passeios que já fizemos pela região, estes foram os nossos favoritos:

O que visitar no distrito de Aveiro

1. A cidade de Aveiro

Aveiro, a capital do distrito, não poderia faltar nesta lista. Por se situar entre o mar e uma laguna conhecida como Ria de Aveiro, as suas ruas são atravessadas por canais e não há mais nenhuma cidade semelhante em Portugal.

Já a visitámos de buga – umas bicicletas gratuitas à disposição de todos. Já a vimos a bordo de um moliceiro, os coloridos e atrevidos barcos tradicionais que antigamente eram usados para retirar da Ria o moliço que fertilizava os campos e que agora desfilam cheios de visitantes pelos canais. E também não nos cansamos de passear a pé pelas suas ruas, observando não só os moliceiros e os canais, mas também as pontes pedonais; os azulejos; as casas estilo Arte Nova; as cores garridas de outras; o cais dos Botirões; o Bairro da Beira-Mar e os próprios aveirenses, que dão vida ao centro histórico, quer de dia quer de noite.

A cidade também é famosa pelos seus ovos-moles, assim como pelas salinas que ficam logo ali, a uma curta caminhada do centro histórico.

2. Ostraveiro

Na zona das salinas, é possível visitar, de forma gratuita e independente, a Marinha da Troncalhada, transformada em Ecomuseu, para conhecer os métodos de produção artesanal do sal. Podemos ainda apanhar um barco para descobrir a Ostraveiro, a uns dois minutos de distância.

Situada na antiga Marinha Passagem e rodeada pelos canais da Ria de Aveiro, a Ostraveiro é uma propriedade de oito hectares destinada à produção de ostras.

Quem nos recebeu foi a Sandra Sousa (a proprietária, desembaraçada e guerreira) que nos mostrou, com paixão, ostras-bebé e nos explicou todo o processo de crescimento. Sabiam, por exemplo, que a Ria é uma das melhores zonas da Europa para produzir ostras devido às suas águas ricas em fitopâncton? E que a Ostraveiro produz mais de 600 toneladas por ano?

No final da visita guiada, degustámos ostras fresquíssimas e ainda salicórnia, uma planta carnuda, com sabor salgado, que por ali cresce de forma espontânea. Isto tudo numa esplanada sobre a Ria, junto ao antigo palheiro de sal da marinha, um local perfeito para estar com a família ou os amigos.

Dicas:

  • Horário, preços e outras informações em: ostraveiro.com
  • Contacto: 913 453 876

3. Passadiços de Aveiro

Se gosta de usufruir da natureza, sugerimos que percorra os Passadiços de Aveiro a pé ou de bicicleta. São 5 km de extensão (só ida) desde o Cais da Ribeira de Esgueira até Vilarinho, sempre ao lado da Ria e sem desníveis, no meio de uma área repleta de aves migratórias.

Dicas:

  • É possível iniciar o passeio no centro de Aveiro, mas essa parte do percurso (2 km) é bastante desinteressante. O melhor é começar no Cais da Ribeira de Esgueira (dispõe de parque de estacionamento), onde têm início os passadiços propriamente ditos (5 km);
  • A paisagem é ainda mais bonita ao pôr do sol.

4. BioRia

Por falar em passeios a pé e de bicicleta, aqui fica outra sugestão. A Ria de Aveiro não se circunscreve à cidade de Aveiro, estendendo-se por 45 km ao longo da costa portuguesa, mais propriamente desde Ovar até Mira. Inclui, portanto, Estarreja onde a Câmara Municipal requalificou zonas ambientalmente degradadas, criando uma rede de 7 percursos pedestres e cicláveis. O projeto chama-se BIORIA e já o visitámos duas vezes: da primeira, fizemos a pé o trilho de Salreu; da segunda, fomos de bicicleta até ao Bocage, uma belíssima paisagem de rio criada pelo homem, formada por campos verdes, amieiros e salgueiros.

Dica:

  • É possível alugar bicicletas e recolher um mapa no CIA (Centro de Interpretação Ambiental) do BioRia, localizado em Salreu.

5. Passeios de barco pela Ria de Aveiro

Outra forma de conhecer a Ria de Aveiro é de barco. Navegar pelas suas águas tem para nós um encanto especial. Por isso, já fizemos dois passeios assim. No primeiro, visitámos zonas pouco exploradas da laguna, a bordo de um barco português 100% ecológico.

No segundo, organizado pela Aveiro Boat Experience, passámos por lugares mais conhecidos, tais como: o Porto de Aveiro, cheio de gaivotas e fotogénicos barcos de pesca; a Costa Nova, nas proximidades da qual várias pessoas apanhavam berbigão (ou “cricos” como lhe chamam na zona); o Farol de Aveiro (o maior do nosso país); a Praia da Barra e a Baía de São Jacinto. São tudo sítios que já conhecíamos, mas nunca os tínhamos visto assim: a partir da água, com os cabelos ao vento e a brisa do mar a encher-nos a alma de liberdade.

Dicas:

  • Se estiver por São Jacinto, aproveite para visitar a oficina onde se constroem e concertam moliceiros;
  • Há um ferry entre o Forte da Barra e São Jacinto. A viagem demora cerca de 15 minutos.

6. Costa Nova

Mesmo que passe pela Costa Nova de barco, não deixe de meter os pés nesta antiga terra de pescadores. Apesar de ser famosa pelas suas coloridas casas às riscas, há mais para conhecer na Costa Nova, como poderá constatar no artigo que escrevemos.

7. Museu Marítimo de Ílhavo

Também já escrevemos um artigo sobre o Museu Marítimo de Ílhavo, onde explicamos porque gostámos tanto de o visitar. Considerado pela Arch Daily um dos 20 museus mais espectaculares do mundo, o espaço tem 3 salas principais: a Sala da Pesca do Bacalhau, com uma réplica de um barco usado na heroica pesca de bacalhau nos mares do norte; a Sala da Ria, onde se podem observar os barcos tradicionais da região em tamanho real; e uma sala dedicada à população local, profundamente ligada ao mar e à Ria de Aveiro. A não perder é também o Aquário do Bacalhaus, ideal para observar esta espécie que os portugueses pescam e consomem há vários séculos.

Horário, preços e mais informações no site oficial: www.museumaritimo.cm-ilhavo.pt

Dica:

  • Não deixe também de visitar o Navio-Museu Santo André, um pólo do Museu Marítimo de Ílhavo. Construído em 1948, este antigo arrastão fez parte da frota portuguesa do bacalhau e pretende mostrar como foram as pescarias nos mares do norte. Está ancorado num braço da Ria de Aveiro (Gafanha da Nazaré, no caminho para a Costa Nova).

8. Museu da Vista Alegre

Outro museu que adorámos visitar em Ílhavo foi o Museu Histórico da Vista Alegre, a mais prestigiada marca portuguesa de porcelana.

No final da visita, foi isto que escrevi: “Se morasse perto, iria muitas vezes ao Museu da Vista Alegre, em Ílhavo, só para ver coisas bonitas. Um dia mau? Um problema no trabalho? Em baixo sem perceber porquê? Ia ao museu. Os antigos fornos a carvão e lenha, logo à entrada, são impressionantes. Os primeiros trabalhos em vidro e toda a evolução artística da marca também. São, todavia, as flores que eu mais gosto de ver pintadas na cerâmica da Vista Alegre. Fazem-me sorrir por dentro e lembram-me a minha mãe.”

Além do Museu, é possível visitar a Oficina de Pintura Manual, a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, classificada como Monumento Nacional; o Bairro Operário e as lojas da marca, nomeadamente: a loja Vista Alegre, a loja Outlet e a loja Bordallo Pinheiro.

Horários e bilhetes em: vistaalegre.com

9. Igreja de Válega

O azulejo constitui outra das expressões mais marcantes da arte que se faz em Portugal e um dos melhores lugares para vê-los é no distrito de Aveiro, onde existe mesmo uma Rota da Cerâmica. Se é um admirador dos típicos azulejos portugueses, não deverá perder estes três locais: a estação ferroviária de Aveiro; a cidade de Ovar, considerada um museu do azulejo ao ar livre e, por fim, a Igreja de Válega, uma obra-prima da arte da pintura do azulejo e, na nossa opinião, uma das igrejas mais bonitas de Portugal.

10. Pão-de-ló de Ovar

Além dos típicos azulejos portugueses, a cidade de Ovar é famosa pelo seu pão-de-ló húmido e cremoso. Um dos melhores sítios para o provar é na Flor de Liz, um encantador espaço com vista para o rio Cáster, onde poderá conhecer a Fátima Liz, uma senhora que os faz apaixonadamente há vários anos.

11. Comboio histórico do Vouga

Já aqui sugerimos passeios de carro, a pé e de barco. Só faltava mesmo um de comboio! A Linha do Vouga entrou ao serviço em 1908 e marcou o início do século XX na região de Aveiro. O trajeto acabou por ser desativado, mas recentemente a CP pôs o “Vouguinha” de novo a circular na única linha de via estreita que sobra em Portugal.

A viagem realiza-se anualmente, entre junho e outubro, a bordo de três carruagens históricas, e é acompanhada de cantares tradicionais. O Vouguinha parte da Estação de Aveiro e efetua duas paragens: uma no Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga (onde o aguarda uma surpresa); outra em Águeda, para uma visita ao centro histórico e ao famoso “The Umbrella Sky”, uma instalação de milhares de chapéus-de-chuva coloridos nas ruas da cidade.

Para nós, este passeio de comboio “é capaz de fazer as crianças felizes e de devolver prazeres esquecidos aos adultos, sacudindo-lhes a rotina da alma”. Descubra porquê.

12. Sever do Vouga

Afastemo-nos agora da costa que, no interior do distrito de Aveiro, há umas montanhas mágicas para descobrir. Vamos até Sever do Vouga, um município reconhecido pelas suas magníficas paisagens naturais, onde se situam algumas das mais belas cascatas do país. Poderíamos tê-las meramente observado, mas o que nós gostámos mesmo foi de fazer “canyoning”, isto é, de nos metermos dentro de água, de nos colocarmos debaixo das cascatas, de caminharmos e nadarmos no rio Arões e de nos atirarmos para piscinas naturais do topo de penedos.

Os menos aventureiros poderão fazer SUP (stand-up paddle) ou canoagem na Albufeira de Ribeiradio. Todas as atividades são organizadas pela empresa local Desafios. Contactos: 934134428 / 919008098.

Ⓒ Desafios

13. Passadiços do Paiva

Os Passadiços do Paiva são muito provavelmente o percurso pedestre mais famoso de Portugal. Trata-se de um trilho linear de 8,7 km que segue (quase sempre em plataformas de madeira) pela margem esquerda do Rio Paiva, no concelho de Arouca, distrito de Aveiro. Nós já o fizemos e adorámos, como poderá constatar no artigo que escrevemos, no qual partilhamos dicas importantes, incluindo alguns conselhos para quem quiser evitar as multidões.

14. Drave

Ainda no território das Montanhas Mágicas, há outro percurso pedestre fantástico, que nos conduz a Drave, uma aldeia abandonada e perdida no meio das serras. Ora veja.

Guia prático para visitar Aveiro

Como se descolcar no distrito de Aveiro

A melhor forma para realizar estes passeios é de carro. Se não tiver um automóvel próprio, poderá alugar um ou contactar a Hotspot Tours. Esta empresa, além de organizar passeios a alguns dos sítios que sugerimos, faz “tours” à medida, isto é, de acordo com as suas preferências, bem como transferes de e para o aeroporto. Por experiência própria, podemos dizer que são excelentes profissionais.

Onde dormir no distrito de Aveiro

A cidade de Aveiro é uma excelente base para partir à descoberta do distrito. Por isso, aconselhamos que fique sempre aí alojado, à exceção de Sever do Vouga, dos Passadiços do Paiva e de Drave (Montanhas Mágicas), que ficam bastante longe. Nesses casos, é melhor ficar a dormir nas proximidades.

Ora veja as nossas sugestões de alojamento:

Na cidade de Aveiro:

Em Ílhavo:

Nas Montanhas Mágicas:

Principais eventos em Aveiro

Na nossa opinião, qualquer altura do ano é boa para visitar Aveiro. Se o que precisa é de um pretexto, tome nota destes acontecimentos na cidade:

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Boas viagens à solta!

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