Loriga é uma vila situada em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, no centro de Portugal. Está rodeada por montanhas, as mais altas das quais se chamam Penha dos Abutres (1828 m de altitude) e Penha do Gato (1771 m).

Os socalcos são um dos ex-libris de Loriga, demonstrando o engenho e a força de vontade dos seus habitantes que, ao longo de centenas de anos, conseguiram tornar um vale rochoso num local fértil.

Outra das imagens de marca de Loriga é a sua praia fluvial, uma das finalistas das “7 Maravilhas – Praias de Portugal”, na categoria de Praias Fluviais. É a única praia portuguesa situada num vale glaciar, e que bonita que é.

Para quem gosta de natureza, há ainda vários percursos pedestres, entre os quais a famosa Rota da Garganta de Loriga, considerada um dos melhores trilhos de Portugal.

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Loriga
 Vista de Loriga a partir do Miradouro da Penha d’Águia

Localização

Apesar de ser uma vila, Loriga integra a Rede de Aldeias de Montanha e fica na parte sudoeste da Serra da Estrela, a 20 km de Seia e a 80 km da Guarda.

  • Distância do Porto: 200 km (~2h30)
  • Distância de Lisboa: 310 km (~3h30)

O melhor de Loriga

Não deixe de…

  • Banhar-se nas águas puras e cristalinas da praia fluvial.
  • Admirar os socalcos a partir do Miradouro da Penha d’Águia (veja a localização no Google Maps).
  • Fazer a Rota da Garganta de Loriga.
  • Passear pelas ruas da vila, à descoberta das suas gentes, pátios, becos, capelas e fontanários.
  • Visitar a Igreja Matriz, reconstruída após o terramoto de 1755 sobre a igreja primitiva, a qual tinha sido mandada construir pelo rei D. Sancho II em cima das ruínas de um pequeno templo visigótico.
  • Provar a broa e o bolo negro de Loriga, à venda na padaria Loripão.
  • Saborear os produtos da região: queijo da Serra da Estrela, aguardente de zimbro, morcela frita, farinheira, chouriço assado, grelos e o cabrito assado no forno.

Praia fluvial de Loriga

A praia fluvial está situada no vale glaciar de Loriga, cujos vestígios ainda são visíveis para os mais atentos. Está, pois, rodeada por um cenário natural de grande beleza e as suas águas são puras e cristalinas, uma vez que a Ribeira de Loriga nasce no planalto superior da Serra da Estrela.

Como chegar à praia

Em Loriga, há que seguir cerca de 1 km pela EN231 em direção a Alvoco da Serra. Veja a localização no Google Maps.

Infraestruturas

Balneários, wc, bar, parque de merendas e parque infantil.

Dicas para reduzir o impacto negativo do turismo

A praia fluvial de Loriga é o local que atrai mais visitantes à vila mas, segundo nos disseram, no verão são demasiados.

O turismo, apesar de muito vantajoso, tem impactos negativos e cabe a cada um de nós minimizá-los. Eis alguns exemplos do que poderá fazer:

  • No verão, evite visitar a praia fluvial aos fins-de-semana. É quando há mais gente e as pessoas acotovelam-se, mesmo em tempos de pandemia.
  • Fique a dormir em Loriga. Dessa forma, poderá conhecer uma faceta mais sossegada da praia e da sua envolvência quer ao final da tarde quer de manhã cedo quando a maioria dos turistas ainda não chegou ou já partiu.
  • Não faça barulho nem leve equipamentos sonoros para a praia fluvial.
  • Não deixe lixo (nem outros vestígios da sua passagem) na praia e nos trilhos.
  • Não vá apenas à praia fluvial. Há mais para ver e fazer, tanto em Loriga como nas redondezas.
Serra da Estrela coberta de giestas floridas

Rota da Garganta de Loriga

Uma das melhores formas de conhecer verdadeiramente Loriga, os seus costumes, ambientes rurais e as suas gentes é metendo pés ao caminho, nomeadamente fazendo um dos vários trilhos sinalizados que têm início no centro da vila.

A Rota da Garganta de Loriga, outrora usada pelos pastores para conduzir os rebanhos ao topo da Serra da Estrela, é o mais famoso desses trilhos, sendo considerado um dos mais impressionantes de Portugal

Nós fizemo-lo em sentido ascendente, desde a vila de Loriga até às Salgadeiras, tendo demorado cerca de 4h30. Infelizmente, como estava muito nevoeiro, não pudemos apreciar devidamente as paisagens do vale glaciar formado por lagoas e covões. 

Logo no início, cruzámo-nos com um pastor que nos perguntou para onde íamos. Quando lhe dissemos que íamos até às Salgadeiras, respondeu-nos: “Com este tempo? Se estivesse lá, vinha-me embora” – uma frase que o pai do Paulo dizia muitas vezes e que nos fazia sempre rir. 

Preferimos, todavia, acreditar no taxista que nos transportou até ao início do percurso e que nos disse para soprarmos pelo caminho para dissiparmos o nevoeiro. Nós bem bufámos montanha acima, mas não adiantou. Seja como for, deu para perceber que o trilho é espetacular e desejamos voltar a percorrê-lo em breve.

Ficha técnica do trilho: PR5 SEI Rota da Garganta de Loriga

  • Tipo de percurso | Linear e sinalizado
  • Início/Fim | Salgadeiras/EN338, km 27
  • Início/Fim | Loriga (Largo da Carreira)
  • Extensão | 8,7 km (só ida)
  • Duração | Cerca de 4h30 (só ida)
  • Grau de dificuldade | Difícil
  • Recomendações | Nas zonas mais elevadas, o tempo pode mudar rapidamente. Por isso, leve um casaco impermeável e calçado apropriado.
  • Melhor altura para ir | Verão, primavera e outono, desde que não esteja chuva nem nevoeiro.
  • Dica | Das Salgadeiras poderá continuar a subir até à Torre, o ponto mais alto de Portugal continental, situado a 1993 metros de altitude.

Mapa

O trilho está muito bem sinalizado. Por isso, em princípio, não necessitará de um mapa. Seja como for, poderá fazer aqui o download GPX e o download do folheto oficial.

Outros trilhos em Loriga

Além da Rota da Garganta de Loriga, há outros caminhos sinalizados, seja os que ligavam aldeias ou conduziam os pastores ao cimo da serra, seja os que acompanham as levadas, os moinhos de água e a eira onde onde se faziam as desfolhadas e se secavam as lãs ao sol. 

  • Rota da Ribeira de Loriga (18,3 km, linear). Disseram-nos que este trilho também era espetacular. Por isso, também já está na nossa lista para quando voltarmos a Loriga. Em princípio, não faremos o percurso todo, só o troço entre Loriga e a aldeia de Cabeça.
  • Rota da Eira (2,8 km, circular)
  • Rota “Entre Socalcos e Moinhos” (1h30, circular)
  • Rota “Panorâmica do Vale de Loriga” (2h, circular)
  • Rota “Milho em Terras de Xisto” (3h, linear)

Saiba mais sobre estes percursos pedestres em www.freguesiadeloriga.net.

Nota: em Loriga, existe outro trilho famoso, mas não é sinalizado. Trata-se do Trilho da Penha dos Abutres (14 km, difícil).

Onde (gostámos de) dormir em Loriga

Loriga Hostel – Feel Nature | Uma das razões por que gostámos tanto de Loriga foi este hostel de montanha, onde passámos duas noites.

Aberto, no final de 2019, por um casal apaixonado por caminhadas, natureza e sustentabilidade, o hostel resulta da recuperação de uma antiga escola primária e está cheio de pormenores encantadores. Mantiveram-se, por exemplo, os quadros de ardósia de antigamente, recuperaram-se alguns móveis escolares e reencontrámos objetos da nossa aprendizagem, como materiais didáticos de madeira e jogos tradicionais.

Além de 4 espaçosas camaratas, o hostel dispõe de quartos duplos e familiares. Há também uma grande cozinha/ sala de refeições partilhada e uma sala de estar muito acolhedora, com uma salamandra maravilhosa – tudo decorado com bom gosto e belas fotografias nas paredes, tendo-nos feito sentir num verdadeiro refúgio de montanha, após dias de caminhadas.

Quanto à sustentabilidade, há sistemas de poupança de água, zero plástico e painéis fotovoltaicos para o aquecimento. 

Saiba mais em www.lorigahostel.pt

Onde (gostámos de) comer

  • Restaurante O Vicente | Comemos e recomendamos vivamente o bacalhau com farinheira e broa. As doses são grandes e uma deu perfeitamente para nós os dois. Na ementa também estão incluídos os principais produtos da região.
  • No sábado ao almoço, comprámos frango do churrasco numa carrinha ambulante de um simpático casal que se conheceu em Lisboa. Chegam a Loriga de manhã cedo, assam os frangos em carvão, marca-se a encomendar e à hora combinada, vai-se buscar. Foi o que fizemos e depois foi só aproveitar a encantadora sala de refeições do hostel. Maravilha!

Eventos que justificam uma visita a Loriga

Na vila

  • Festa em honra de Nossa Senhora da Guia, a padroeira de Loriga | Realiza-se no primeiro domingo de Agosto e é a festa mais importante da vila e a que mais visitantes atrai. A capela e o recinto ficam a noroeste da povoação e proporcionam uma bela visita.
  • Noite da Ementa das Almas | Realiza-se na Páscoa, na noite de sábado para domingo, a partir das 2h da manhã. Vários homens evocam as almas dos que morreram, ecoando ladainhas acompanhadas de música, com vista a acordar os que dormem para rezarem.
  • Noite dos Chocalhos | A noite dos chocalhos em Loriga é uma tradição muito antiga que se realiza na noite do dia 10 para o dia 11 de Novembro, véspera de São Martinho. Os pastores trazem os chocalhos e percorrem as ruas em grupo chocalhando os mesmos.

A 8-10 km de distância

  • Cabeça – Aldeia Natal
  • Caminhada do Lampião | Tem lugar em Alvoco da Serra, no dia 20 e tal de junho à noite, percorrendo-se à luz de lanternas os caminhos que antigamente eram calcorreados para fazer a gestão das águas das levadas.
  • Rota da Transumância | Subida com as ovelhas e os pastores ao alto da Serra da Estrela, desde Seia ao Sabugueiro.

O que visitar perto de Loriga

Loriga é um excelente ponto de partida para a descoberta de outras aldeias de montanha, tradições e áreas naturais únicas, nomeadamente:

  • Torre, o ponto mais alto de Portugal Continental (a 28 km).
  • Lagoa Comprida, a maior da Serra da Estrela (a 15 km).
  • Covão dos Conchos (o trilho para lá chegar começa na Lagoa Comprida).
  • Aldeias de montanha próximas: Cabeça, Lapa dos Dinheiros e Alvoco da Serra.
  • Cascata (e praia fluvial) do Poço da Broca (a 20 km).
  • Queijaria da D. Natália Lopes, perto de Seia (a 20 km). Fizemos esta visita através do Hostel de Loriga e foi uma das experiências mais enriquecedoras que vivemos, não só porque vimos como se faz artesanalmente o Queijo da Serra da Estrela, um dos mais famosos de Portugal, mas também porque a D. Natália é uma força da natureza, uma excelente conversadora e uma simpatia. Quando lhe contámos que fizemos a Rota da Garganta de Loriga com nevoeiro, disse-nos que a serra era perigosa, mas para a próxima que a avisássemos, porque o marido é pastor e “conhece as pedras todas da serra”. Sem esquecer que o queijo e o requeijão que faz são excelentes!

Quando visitar Loriga

Como já terá percebido, há boas razões para ir a Loriga em qualquer época do ano.

O verão é ideal para ir à praia fluvial e fazer caminhadas.

A primavera e o outono também são excelentes para caminhadas e poderá encontrar a flora e a vegetação coloridas.

O inverno é a época da neve na Serra da Estrela. Loriga dispõe de uma boa oferta de alojamento a preços bastante acessíveis e fica muito perto da Torre. Nós já nos imaginamos junto à maravilhosa salamandra do hostel.

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4 Comentários

  1. Excelente trabalho de divulgação e oportuno. Água, lugares, trilhos não delineados e sem passadiços, que têm a sua eficácia na liberdade e aventura na descoberta de quem busca uma NATUREZA, incólume e pura. Bosque das Penedas, com plantas autóctones e de difícil acesso, sensorial e relaxante. A essência é única e sem limite.

  2. Excelente divulgação da bela, muito antiga, e histórica vila de Loriga!
    Muito obrigado por divulgarem a minha muito querida terra natal!
    Loriga precisa cada vez mais deste tipo de divulgação, e principalmente precisa que todos os loriguenses amem a sua terra, lutem por ela, e que coloquem os interesses de Loriga acima dos seus.

  3. Há alguns dias que procurávamos possíveis destinos para uma escapadinha em família, diferente! Ao encontrarmos e lermos este artigo, não restaram dúvidas…. Loriga é singular: pela Natureza, envolvente, a Praia, os Trilhos, o Casario, as Pessoas, os Sabores locais e os Saberes!
    Ficámos no Loriga Hostel que recomendamos a 100%, tal como O Vicente, onde optámos pelo Bife à Casa, soberbo! O Parque Natural da Serra da também mereceu uma visita, mas relâmpago!
    Obrigada pelo artigo inspirador de uma escapadinha em família (pais + 2 adolescentes) que contribuiu para uma vez mais criar memórias e reforçar laços!!!
    Sugestão de circuito(o nosso): breve visita a Coimbra, a Penacova, à Praia do Reconquinho; paragem para apreciar a Livraria do Mondego, desfrutar LORIGA, Parque Natural da Serra da , visita a Piódão (praia fluvial incluída)e regresso ao nosso ponto de partida: Ventosa, Alenquer, bem pertinho da Serra de Montejunto e do belo Oeste!!!

  4. Excelente descrição e visualização de uma região no interior do país, desconhecido para uma grande parte dos portugueses, muito arraigados à vida urbana.
    O ar puro que se respira, as vistas deslumbrantes que emergem a cada volta, os socalcos (em Loriga designados por courelas) construídos pelas suas gentes ao longo de séculos, para tornar produtivas escarpas e terrenos rochosos, assim como os canais e levadas para canalizar a água das ribeiras (giro) até essas courelas, as memórias vivas, embora degradadas, da forte indústria dos lanifícios que foi o ganha pão da terra no século 19, são uma panóplia de situação que se poderão admirar, para além das já muito bem referidas na vossa exposição.
    Realmente para além do bom ar, boas vistas, boa água, boa comida bons alojamentos e bons passeios, quem visitar Loriga poderá ainda desfrutar da simpatia das suas gentes.

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