Qualquer pessoa que já tenha viajado para o Myanmar vos falará das suas gentes. São pessoas sorridentes e elegantes, que olham para os turistas com curiosidade genuína. Ou são quase todas assim, que os turistas estão a chegar ao país, depois de mais de 50 anos de uma ditadura militar. Por isso, vos dirão também que agora é a altura certa para visitar a antiga Birmânia.

Nós, os que viajamos, procuramos lugares desconhecidos, novas culturas, pessoas generosas e puras. Os habitantes locais, por sua vez, procuram ganhar algum dinheiro com o turismo e ter uma vida melhor. Nós queremos que eles sejam como gostaríamos que fosse a humanidade. Eles querem viver (bem) como nós e, daqui a pouco tempo, seremos todos parecidos.

Os birmaneses, homens e mulheres, trocarão as suas saias compridas por roupas ocidentais. Deixarão de pintar o rosto com “tanaka”, uma pasta amarela natural que cuida da pele e protege do sol. Deixarão de construir as suas casas com folhas de palmeira e bambu. Aproximar-se-ão dos turistas, com o intuito de lhes vender algo, nem que seja recordações feitas por outrém, reproduções de tantas outras iguais. E os turistas, que os admiravam porque eram um povo único e marcante na sua diferença, olharão para eles com desconfiança e desprezo, afastando-os com desdém, cansados que estão que, pelo mundo fora, lhes tentem sempre vender algo. Os birmaneses deixarão, então, de sorrir aos turistas e de olhar para eles com curiosidade tímida e verdadeira, mas com acumulado rancor.

Gostaria de lhes explicar isto, de lhes dizer para não mudarem, para se manterem orgulhosos da sua cultura e aristocráticos na sua postura perante a vida, mesmo quando ela é difícil, porque é isso que os torna extraordinários e que quem viaja admira. Porém, todos temos de errar para aprender um dia. Só espero que, no Myanmar, esse dia não seja tarde demais.

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