Eis as 7 coisas que mais gostámos de fazer em São Miguel, a maior ilha dos Açores:

1. Passear no Parque Terra Nostra

O Parque Terra Nostra é um dos jardins botânicos mais bonitos de Portugal e, recentemente, foi considerado um dos mais belos do mundo. Fica no Vale das Furnas, a cerca de 48 km de Ponta Delgada, a capital dos Açores.

Provavelmente não se aperceberá mas este vale é, na verdade, a cratera de um vulcão adormecido desde 1630. Assim se explica a existência de locais onde a terra borbulha, fumarolas, vapores que servem para fazer um famoso cozido debaixo da terra e piscinas naturais de água quente onde se podem tomar banhos inesquecíveis.

Parque Terra Nostra, ilha de São Miguel, Açores
Parque Terra Nostra

Mas voltemos ao jardim… Para se orientar, à entrada é oferecido um roteiro que deverá seguir consoante a estação do ano. É um itinerário de cerca de 3 km e demora aproximadamente 1h30 a ser percorrido.

Seguindo-o, passará por lagos, grutas e recantos românticos, além de flores, plantas e árvores: umas nativas dos Açores, outras oriundas de diversas partes do mundo. Há uma coleção de fetos enormes; mais de 600 exemplares de camélias; um inesperado jardim de bambus e até um canteiro com sorridentes animais de pedra, cobertos por trepadeiras.

A grande atração, porém, é o Tanque de Água Termal.

Ramo de árvore no Parque Terra Nostra
Escultura de um animal no Parque Terra Nostra
Parque Terra Nostra

2. Relaxar em águas quentes

Tanque de Água Termal do Parque Terra Nostra

O lago do Parque Terra Nostra é um dos ex-libris dos Açores e um dos momentos mais especiais que se podem viver em São Miguel. Alimentado por uma nascente de água termal, a uma temperatura entre os 35 e 40º C, proporciona uma sensação de satisfação única.

Há balneários para trocar de roupa e se passar por água limpa.

A do lago é ferruginosa, por isso convém usar um fato de banho velho, pois vai ficar tingido de castanho.

Tanque de Água Termal do Parque Terra Nostra
Tanque de Água Termal do Parque Terra Nostra

Poço da D. Beija e Caldeira Velha

Há outros locais onde se podem tomar banhos quentes na ilha de São Miguel, nomeadamente o Poço da D. Beija e a Caldeira Velha.

O Poço da D. Beija também se situa no Vale das Furnas.

A Caldeira Velha fica nas imediações da Lagoa do Fogo e é um parque natural com duas piscinas termais, uma das quais alimentada por uma cascata, numa envolvência exótica onde sobressaem fetos gigantes.

À semelhança do Tanque do Parque Terra Nostra, as entradas nestes espaços são pagas, com o inconveniente de serem piscinas muito mais pequenas e gozarem de pouca privacidade – sobretudo quando chega um grupo de turistas que não faz intenção de tomar banho, ficando a olhar mais ou menos pasmado para si dentro da água. Lá se vai a sensação de relaxamento…

Ponta da Ferraria

Se não quiser gastar dinheiro, pode rumar à Ponta da Ferraria, no extremo sudoeste da ilha, onde existe uma piscina natural no mar, com água morna de origem vulcânica.

Alternativamente, na mesma zona, há um “spa” termal apetecível e mais recatado, mas a entrada é paga.

Caldeira Velha e Lagoa das Sete Cidades
Caldeira Velha e Lagoa das Sete Cidades

3. Levantar pó ao redor da Caldeira das Sete Cidades

Acabados de chegar da ilha das Flores, onde tivemos as paisagens praticamente só para nós e as vaquinhas pareciam felizes, ficamos chocados ao aproximarmo-nos do Miradouro da Vista do Rei, de onde se vê a Lagoa das Sete Cidades, a mais famosa de São Miguel. Roulotes com farturas, camionetas de turistas, barracas com lembranças – de repente, a imagem idílica que tínhamos do maior lago de água doce dos Açores esbateu-se em desilusão.

Dirigimo-nos, assim, à povoação das Sete Cidades, no interior da cratera vulcânica que alberga as famosas lagoas verde e azul. Aí visitámos a igreja de S. Nicolau e espreitámos o túnel que serve para nivelar as águas do lago, evitando o risco de cheias na freguesia.

Ainda insatisfeitos, foi só quando nos aventurámos pelas estradas onde decorre o rali dos Açores, na borda da caldeira das Sete Cidades, que demos com as vistas e o sossego que há tanto procurávamos.

Confesso que tive algum medo das estradas não pavimentadas e íngremes, mas valeu a pena.

Lagoa das Sete Cidades, São Miguel
Lagoa das Sete Cidades

4. Descobrir o Miradouro do Canário

As vistas anteriores só foram superadas pelas deste miradouro.

De fotografia na mão, perguntámos a vários micaelenses se conheciam o local e se nos podiam indicar o caminho. Foi só no último dia, no posto de turismo de Ponta Delgada, que nos garantiram que ficava no Parque da Lagoa do Canário, havendo indicações no local.

É ainda mais bonito ao vivo do que nas fotos.

Miradouro do Canário
Miradouro do Canário

5. Visitar a Lagoa do Fogo e a Lagoa do Congro

As lagoas são mais fotogénicas em dias de sol, já que este realça as cores da água. Talvez por isso, a de que mais gostei em São Miguel foi a do Fogo, a que os locais dizem que não vale a pena ir se de Ponta Delgada se avistarem nuvens naquela direção.

Para quem gosta de caminhar, há um percurso (4 km, ida e volta) do Miradouro da Serra da Barroca até ao fundo da lagoa, onde se pode tomar banho.

Lagoa do Fogo
Lagoa do Fogo
Lagoa do Fogo
Lagoa do Fogo

Mais curta é a caminhada para se chegar à pouco conhecida e invulgar Lagoa do Congro, cuja água e envolvência são totalmente verdes.

Lagoa do Congro
Lagoa do Congro

6. Ir ao ilhéu de Vila Franca do Campo e passear na primeira capital da ilha

Vila Franca do Campo foi a primeira capital de S. Miguel e encanta mal se chega ao centro e se dá com a igreja matriz.

A 1 km da costa, fica o Ilhéu de Vila Franca do Campo, uma reserva natural com uma enseada de água salgada no interior, na qual se pode nadar. O acesso ao rochedo é fácil, através de um barco que opera regularmente a partir do porto.

Igreja matriz de Vila Franca do Campo
Igreja matriz de Vila Franca do Campo

7. Passear por Ponta Delgada

Quando, no séc. XVI, Vila Franca do Campo sofreu um grande terramoto, a capital da ilha de São Miguel passou a ser Ponta Delgada.

Uma manhã ou uma tarde serão suficientes para percorrer a marina e o centro histórico, onde se destacam as Portas da Cidade, a igreja matriz de S. Sebastião e o Convento de Nossa Senhora da Esperança.

Depois é deixar-se levar pela calçada portuguesa com desenhos a preto e branco e surpreender-se com a arte de rua espalhada pela cidade, graças ao “Walk & Talk Azores”, um festival de arte pública que anualmente recebe artistas de todo o mundo.

Marina de Ponta Delgada
Marina de Ponta Delgada

Onde dormir em São Miguel

Em Ponta Delgada, existem muitas opções de alojamento e de certeza que encontrará um que lhe agrade. Eis as nossas recomendações:

Arte de rua em Ponta Delgada
Arte de rua em Ponta Delgada

Onde (gostámos de) comer em São Miguel

O Alcides

Famoso pelos seus bifes, fica bem no centro de Ponta Delgada. Se eu gostei, o Paulo ficou pouco convencido com a carne, sobretudo tendo em conta o preço.

Restaurante Tony’s

Foi onde provámos o cozido das Furnas. A saborosa dose para dois dava para meia dúzia de pessoas. No verão, convém chegar cedo ou reservar com antecedência.

Restaurante A Traineira

Peixe fresco grelhado no seu melhor.

A Traineira
A Traineira

O que (gostámos de) provar em São Miguel

Cozido das Furnas

Feito debaixo da terra, é provavelmente o prato mais famoso dos Açores.

Espigas de milho

Vendidas nas ruas da povoação das Furnas, são cozidas em poças naturais de água a ferver, dentro de grandes sacos. Se ficou a rebentar com o cozido, convém ter cuidado, não vá o excesso de comida e o cheiro a ovos podres do enxofre dar-lhe a volta à barriga, como a um menino gordinho que vimos, incentivado alegremente pelos pais a deitar tudo cá para fora.

Bolos lêvedos

Outra especialidade gastronómica do Vale das Furnas. Uma espécie de pão achatado e adocicado que se pode comer simples ou como sandes.

Chá Gorreana

Para não lhe acontecer como ao menino, poderá beber o chá verde produzido na ilha, cujas plantações e fábrica se podem visitar sem qualquer custo. É muito digestivo e tem um efeito relaxante.

Veja

Um peixe que nos disseram ser “vulcânico”, delicioso grelhado e bem fresquinho.

Ananás dos Açores

É possível visitar gratuitamente algumas das estufas onde cresce o afamado fruto. O licor também é docinho e muito bom.

Queijadas de Vila Franca do Campo

A especialidade doce da ilha.

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18 Comentários

  1. Tudo recomendável, e felizmente falta muito mais. Acho que importa referir que a Poça da D.Beija está aberta até às 11 da noite, e recomendaria a caminhada do Salto do Prego.

  2. O Salto do Prego é de facto um sítio a assinalar. Descobrir a aldeia do Sanguinho é uma surpresa muito agradável. Outra das surpresas é o Ilhéu de Vila Franca. O local é ideal para o snorkeling. Depois de entrar na água, o difícil é sair. A cada mergulho, descobrem-se novas espécies de peixes, alguns bem grandes,… Como o número de entradas no ilhéu é limitado, para lá ir o melhor é madrugar. Em Agosto, a fila para o barco era extensa.

    Para comer, acrescentaria também o "Cantinho do Cais". Os ex-libris da casa é a "sopa de peixe" e o "molho de peixe". Os melhores que comi até à data. A decoração é simples, o atentimento agradável, e o preço, face à qualidade, barato. Sabe bem parar aqui para jantar, especialmente depois de uma caminhada nas plantações de chá ao final da tarde.

  3. Obrigada pelas dicas adicionais. Serão certamente muito úteis a quem quiser visitar S. Miguel. Como disse, "felizmente falta muito mais". É importante dar espaço ao leitor para fazer as suas próprias descobertas. Além disso, só escrevemos sobre as coisas que experimentámos e estas são apenas as nossas preferências pessoais.

  4. Já anotámos as sugestões para uma próxima visita a S. Miguel. Obrigada!

  5. E para dormir porque não experimentar uma das Casas da Tradicampo no nordeste da Ilha?

  6. Será possivel visitar a ilha sem recorrer ao aluguer de carro? Atraves de autocarros locais por exemplo…ou ficariamos muito limitados a vistar só algumas zonas?

  7. Paulo, não temos qualquer conhecimento sobre os transportes públicos nos Açores, como tal não podemos ajudar.

  8. Se me permitem, posso dar uma achega… É possível visitar alguns dos lugares emblemáticos da ilha sem alugar carro, mas ficariam bastante limitados. Pois, para além de perderem demasiado tempo com as deslocações, as mudanças de autocarros e as esperas pelos mesmos, também deixariam de poder visitar alguns dos lugares mais emblemáticos, como, por exemplo, a Lagoa do Fogo. Podem sempre juntar-se a excursões e fazer alguns dos passeios "obrigatórios". Contudo, se pretendem visitar com calma e ao vosso ritmo, o melhor mesmo é alugar carro.
    Marta Pimentel, São Miguel Açores

  9. Em termos de alojamento recomendam ficar sempre no mesmo hotel ou ficar em diferentes zonas da ilha, por exemplo, 2/3 dias em Ponta Delgada, Ponta Garça e Algarvia?

  10. Nós ficámos sempre no mesmo hotel em Ponta Delgada e não nos demos mal. A ilha é pequena, não se justificando, na nossa opinião, o transtorno de estar sempre a mudar de alojamento.

  11. Onde comer ? bem barato e com qualidade?

  12. É uma boa pergunta. No entanto, os restaurantes que recomendamos são os que constam do artigo, já que são locais onde efetivamente estivemos.

  13. Gostaria de confirmar convosco se o miradouro do Canário, não é o miradouro conhecido como Grota do Inferno?
    Miradouro situado freguesia das Sete Cidades. Encontra-se junto daER-8-2 dentro do perímetro da Lagoa do Canário.

    https://goo.gl/rnoxqS

    Muito obrigada.
    Cumprimentos,
    Carmen Sousa

  14. Como há várias ilhas (9), a tendência das pessoas é tentar fazê-las todas ou quase todas de uma só vez. Não aconselho isso. Eu sugiro seccionar os Açores em várias férias de 8-10 dias fazendo 2-3 ilhas de cada vez.
    Em Agosto também dá para fazer alguma praia nos Açores o que pode ser interessante para quem vá com crianças que em geral não se importam de brincar com areia escura. Em São Miguel a melhor talvez seja a praia de Água d’Alto. Em todo o arquipélago a melhor praia talvez seja a praia Formosa na ilha de Santa Maria (é uma praia com um extenso areal, a única açoriana de areia clara, tanto quanto sei). Em Santa Maria também fiquei deslumbrado quando vi a encosta de S. Lourenço pela primeira vez. Frequentemente fora dos roteiros turísticos, Santa Maria também tem os seus encantos.
    Claro que ninguém pode deixar de provar o cozido das Furnas (e já agora, ir ao local ver como é que ele é cozido). Para quem gosta de uma ameijoas à Bulhão Pato, certamente gostará de lapas e cracas, algo que eu abuso quando estou nos Açores. Há restaurantes que fazem um atum grelhado muito bom; é outra sugestão.

  15. Qual o hotel que recomendam em Ponta Delgada?
    Excelente o vosso blog, adoro, já segui várias dicas e sitios 😉 Obrigada

    • Respondendo pela Sofia e pelo Paulo, eu diria que a experiência deles não dá para recomendarem hotéis. Só podem dizer se gostaram mais ou menos do que escolheram. Já fui algumas vezes aos Açores e posso dizer que em termos de hotéis não me lembro de “barretes” mas também não tive grande luxos. No fundo a vida é feita fora dos hotéis. Da última vez que estive em S. Miguel nem fiquei em Ponta Delgada, estive num hotel da Praia de Água d’Alto do qual gostei. Como a Sofia e o Paulo aconselham, também concordo que não vale a pena mudar de hotel para conhecer outras zonas da ilha. Eu aconselho alugar-se um carro.
      Aproveitando esta oportunidade, vou deixar aqui mais uma dica: junto ao porto de Rabo de Peixe há uma obra do artista Vhils (Alexandre Farto) que ele lá deixou bem antes de ser mundialmente tão famoso. Para quem esteja interessado em arte urbana, aqui está uma sugestão algo improvável mas certamente interessante (espero que entretanto não tenham construído nada que possa afetar a visibilidade da obra a quem passa no passeio).

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